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Jornalismo e Saúde


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A saúde na mídia brasileira: sintomas de uma doença anunciada

Wilson da Costa Bueno*

      Resumo

     A cobertura de saúde na mídia padece de uma doença difícil de ser tratada: a chamada patologia da fonte, cujos sintomas são a desqualificação da informação e o domínio dos interesses comerciais. A cura pressupõe um tratamento longo e doloroso, que inclui uma postura ética e política frente às pressões das fontes e uma capacitação dos comunicadores da saúde.
     Uma análise, ainda que ligeira, das ações e estratégias de comunicação focadas na saúde em nosso País evidencia alguns equívocos e distorções que precisam ser imediatamente corrigidos, sob pena de perpetuarem uma situação que penaliza, sobretudo, o usuário da informação, seja ele um leitor apressado de jornais e revistas, um desavisado radiouvinte ou, mais freqüentemente, um fiel telespectador.
     Na verdade, concorrem para definir este cenário, que prenuncia sintomas de uma doença anunciada, além dos fatores intrínsecos ao processo de comunicação, uma série de interesses e compromissos que se localizam nas próprias fontes de informação.
     Para se chegar, portanto, nesse caso, a uma terapêutica adequada, capaz de debelar a doença (a ineficácia do processo de comunicação em saúde), será necessário um diagnóstico abrangente que contemple não apenas o paciente (a mídia brasileira especificamente) mas o contexto em que ele se insere. Em princípio, essa abordagem não tem nada de inovadora, ainda que, no campo da saúde, a especialização conduza a atenção para o detalhe em detrimento do todo. Optamos, nesta análise, por ampliar o foco: ainda que não haja dúvida de que um microorganismo (um vírus ou uma bactéria) seja o responsável direto pela doença, estamos dispostos, também, a buscar as razões pelas quais este microorganismo encontrou ambiente propício para sua ação, geralmente devastadora.
     Estamos convencidos de que, para recuperar o paciente, precisamos, em primeiro lugar, tornar o ambiente asséptico, livre de contaminações, num amplo e saudável processo de prevenção. O vírus da informação desqualificada ou comprometida se multiplica, com facilidade, quando o meio lhe é favorável, suplantando o sistema de defesa que deveria, potencialmente, fazer-lhe frente. Ato contínuo, provoca tal desorganização no organismo informativo que a metástase acaba se tornando irreversível, comprometendo de vez a saúde do paciente combalido.

     A patologia da fonte

     No processo de comunicação em saúde, existe uma premissa básica: o estabelecimento de um fluxo ágil e permanente de informações qualificadas é fundamental, particularmente quando a ele se agrega a possibilidade de uma interação democrática entre emissores e receptores destas informações.
     Estudiosos da comunicação e da saúde têm comprovado, ao longo do tempo, a importância da educação/comunicação para a saúde e acumulado argumentos irrefutáveis em favor da implementação de canais que propiciem aos cidadãos informações precisas, ética e socialmente responsáveis.
     Os exemplos são inúmeros e absolutamente contundentes. Eles confirmam a tese de que o investimento em educação para a saúde representa um vetor importante na prevenção de doenças e na definição de políticas públicas que atendam aos segmentos menos favorecidos da população.
     A comunicação em saúde deve ser vista, pelo menos é a perspectiva deste trabalho, como uma modalidade singular da divulgação científica, certamente a mais importante, se levarmos em conta o espaço e tempo a ela dedicados pelos meios de comunicação de massa.
     Jornais e revistas, sejam eles de grande ou pequeno porte, em termos de tiragem ou penetração; emissoras de rádio e de televisão, de âmbito nacional, regional ou local; e mesmo canais da televisão por assinatura, em sua maioria internacionais, encerram uma cobertura bastante generosa da área da saúde, certamente em função do interesse que ela desperta na audiência.
     Antes de analisarmos propriamente a qualificação desta cobertura, devemos ter presente, porém, que, em grande medida, ela está condicionada pela intenção da fonte. Nesse caso, em princípio, ela é bastante diversificada, porque pode estar representada por uma grande indústria farmacêutica, um centro de pesquisa em saúde, uma universidade, um hospital , um laboratório de análises clínicas, uma empresa de seguro-saúde e até mesmo um profissional (um médico, por exemplo), todos eles interessados em divulgar seus conhecimentos, seus resultados de pesquisa, seus produtos, suas tecnologias ou a sua excelência na prestação de serviços.
     Assim como na divulgação científica, temos como matéria-prima, para o processo de comunicação em saúde, dados, informações e conhecimentos que se constituem, efetivamente, em uma mercadoria valiosa. Por este motivo, a fonte em geral não é isenta e busca empreender um esforço mercadológico ou pessoal, nem sempre ético ou transparente, para veicular na mídia aquilo que lhe interessa ou, o que soa mais surpreendente, para impedir que determinadas informações cheguem à opinião pública, quando elas contrariam os seus interesses.
     Temos, em muitos casos, um poderoso lobby que, não raramente, se vale de procedimentos espúrios para manipular a opinião pública. Esta ação pode determinar o sigilo e o controle da informação e temos cada vez mais elementos para concluir que esta pressão não se exerce unicamente sobre os meios de comunicação de massa, mas se estende às revistas científicas e ao próprios profissionais de imprensa e de saúde .
     A recente eleição americana, que ganhou repercussão maior do que a usual pelas trapalhadas do seu confuso processo de apuração, escancarou o relacionamento cada vez mais estreito entre o poder político e o poder privado. Assim, pudemos tomar conhecimento, por exemplo, de que as indústrias do Vale do Silício foram assediadas pelos candidatos Al Gore e George Bush, interessados em associar sua imagem à do progresso tecnológico, e em buscar recursos para as suas campanhas. Soubemos também que "as principais companhias farmacêuticas dos Estados Unidos e suas organizações comerciais gastaram não menos de 46 milhões de dólares em propaganda política e doações para influir nas eleições", preocupadas pela "possibilidade do governo incluir um benefício para os medicamentos prescritos no sistema de saúde pública Medicare e pelas características que terá o programa". Aliás, Jeff Trewhitt, porta-voz da Pharmaceutical Research & Manufactures of America (PhRMA), maior grupo comercial do setor, sediado em Washington, fez questão de não dissimular o interesse pelo resultado do pleito (a demora na proclamação do novo presidente deve tê-lo deixado à beira de um ataque de nervos): "nos preocupa bastante os controles sobre preços...e faremos tudo o necessário para que seja ouvida nossa opinião". (1) No Brasil, trava-se, neste início do novo século, um debate (ou mais propriamente um embate?) entre Governo e grandes laboratórios, mediado pela mídia, em virtude do aumento considerado abusivo dos preços dos medicamentos. A disputa, que já ensejou, inclusive, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), revela a amplitude dos interesses em jogo e uma formidável ação comunicacional subjacente. Pelo menos neste caso, a mídia postou-se ao lado do Governo e dos cidadãos, invocando argumentos para combater o que considera ser prejudicial à sociedade. O episódio serviu também para que pudéssemos avaliar as forças que se movem no Congresso, geralmente conectadas com os interesses de segmentos da sociedade (ruralistas, representantes do ensino e da medicina privadas, entre outros).
     Mas este lobby nem sempre tem sido feito dentro das regras da transparência democrática, resvalando para um terreno perigoso que inclui suborno e conspiração.

     O lobby da fumaça

     A Organização Mundial da Saúde (OMS), recentemente, divulgou relatório em que denunciava a estratégia da Philip Morris, uma das maiores empresas tabagistas do mundo, para desacreditá-la, já que a OMS ostensivamente tem estado empenhada em disseminar informações sobre os malefícios do fumo para a saúde da população mundial. O plano, segundo a organização, chegava a incluir a infiltração de executivo do ramo de alimentação da Philip Morris para trabalhar no escritório de segurança alimentar da OMS e a deflagração de ataques à organização em meios de comunicação de massa. O relatório cita artigos publicados no The Wall Street Journal com críticas contra a burocracia da OMS e suas políticas de alocação de recursos, parte da estratégia para desmoralizar a instituição, além de transcrever correspondência trocada durante alguns anos entre um cientista italiano e a Philip Morris em que se discute a sua participação em estudo sobre pesticidas utilizados nas plantações de tabaco. Mais ainda: o relatório da OMS refere-se a material da Philip Morris em que um ex-diretor da instituição é identificado como fornecedor de documentos da OMS para a empresa e como receptor de discursos preparados por executivos da indústria para ele se pronunciar. (2)
     A Philip Morris, na verdade, se considerarmos as repetidas denúncias da mídia, tem um passivo importante no que diz respeito às investidas contra a liberdade de expressão. Há anos, a empresa vem sendo acusada de subvencionar cientistas com o objetivo de dissimular a ação maléfica do cigarro, pela publicação de "estudos e pesquisas" comprometidos com os interesses da indústria do tabaco. Em 1.998, um jornal norte-americano , o Saint Paul Pionneer Press, revelava que alguns cientistas havia sido financiados pela empresa para ""escrever cartas a importantes publicações científicas e a um jornal, desacreditando um relatório do governo americano sobre o fumo passivo...Ao todo, 13 cientistas teriam recebido US$156 mil por cartas e artigos que questionavam o relatório da Enviromental Protection Agency (EPA) de 1.993. Os registros de pagamento de cientistas estavam entre as milhares de páginas do processo em que o Estado tentou reaver dinheiro gasto no tratamento de doenças relacionadas ao cigarro." (3). O jornal O Estado de S. Paulo, também em 1.998, em matéria traduzida do The Guardian Post, mostrava que estava sendo instaurado um processo contra a Philip Morris, no Estado de Minnesota, porque a empresa havia aconselhado sigilo para descobertas sobre os prejuízos causados pela nicotina. (4) Em 2.000, o jornal brasileiro Valor Econômico exibia documentos da Philip Morris, comprovando que cientistas de algumas das nossas mais importantes universidades tinham colaborado com a indústria tabagista na década de 90. Como relatávamos em comunicação apresentada ao VII Congresso Iberoamericano de Jornalismo Científico, realizado em novembro de 2.000, em Buenos Aires, este apoio se deu através de pesquisas, financiadas pela indústria, que tinham como objetivo "colocar em dúvida os estudos sobre fumo passivo, alimentar a controvérsia no mundo científico e deter as leis antitabagistas". O Valor Econômico, na mesma série de reportagens, esclarecia que os dirigentes da Philip Morris estavam preocupados, inclusive, com a ascensão da esquerda no Brasil, temendo um "ataque unificado ao fumo motivado por questões de saúde pública". (5) O mesmo jornal informava, ainda, que a Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo) havia elaborado um plano, já na década de 80, mais exatamente em 1.982, para financiar cientistas. (6) O jornalista Ricardo Balthazar, em matéria publicada também no Valor Econômico, com o sugestivo título "Crime justificado no império do chantilly", cita uma organização conhecida como Arise, que reúne 50 cientistas, em sua maioria europeus, cuja missão é produzir resultados de pesquisas para reforçar os interesses de grandes grupos empresariais, seus patrocinadores. Segundo o jornalista, "estudos patrocinados pela organização salientam os efeitos calmantes do fumo. Sustentam que uma barra de chocolate por dia pode aumentar em até 52% o nível de tranquilidade de um indivíduo. Afirmam que o café ajuda a enxergar melhor. E garantem que dietas saudáveis recomendadas por médicos e autoridades se apóiam em pesquisas de caráter no mínimo duvidoso". (7)
     A ação de patrocinadores de projetos científicos na área de saúde tem, cada vez com maior frequência, imposto o sigilo e o controle da informação, penalizando os profissionais da imprensa e também a própria comunidade científica. Como alertávamos no trabalho apresentado ao Congresso Iberoamericano de Jornalismo Científico, no final de 2.000, "a parceria entre produtores e patrocinadores de ciência e tecnologia traz, em contrapartida, uma restrição ao trabalho da imprensa, submetida às normas de sigilo e controle que, na verdade, se estendem também à comunidade científica e empresarial". (8). Na oportunidade, invocávamos o testemunho de Dorothy Nelkin, socióloga da Universidade de Cornwell: "o sigilo viola a natureza social da ciência, a idéia de que a ciência é compartilhada, que é uma atividade cumulativa". (9) Citávamos também os resultados de uma pesquisa feita entre 1.200 acadêmicos de 40 universidades e que evidenciava as dificuldades encontradas por aqueles que eram patrocinadas por empresas privadas para divulgar os resultados de seu trabalho. ¼ deles, por exemplo, chegou a afirmar que "os resultados de suas pesquisas são propriedade do patrocinador e não podem ser divulgados sem sua autorização". (10)
     O jornalista William J. Broad, em matéria publicada pelo New York Times e reproduzida no Brasil pelo Jornal da Tarde faz a pergunta básica e também encaminha a resposta: " O que as indústrias ganham nestas (referia-se a investimentos de milhões de dólares realizadas por grandes empresas multinacionais – Du Pont, Monsanto e Hoechst em universidades norte-americanas) e em centenas de outras joint-ventures? Ganham a exclusividade de informação científica que pode ser aplicada ou patenteada. Dependendo do tipo de acordo, a informação científica não é dada à publicação durante um certo período, para que o parceiro industrial dos pesquisadores possa conseguir uma patente; e, em casos raros, a descoberta nunca é publicada, situação em que o parceiro comercial passa a ser detentor do que se chama segredo comercial". (11)
     Muitas vezes, a atuação das empresas passa dos limites, como ocorreu com a Immune Response Corporation, uma empresa da Califórnia, que tentou impedir a publicação de um trabalho científico que comprovava a ineficácia da vacina Remune por ela produzida contra o vírus da Aids. Segundo reportagem publicada no The New York Times, "pacientes que tomaram a vacina morreram ou desenvolveram infecções relacionadas à Aids na mesma proporção dos que tomaram um placebo." A empresa tentou, por todas as formas, impedir que os líderes do estudo divulgassem os resultados da pesquisa, retendo dados, mas, como não obteve sucesso ( ele foi publicado pelo Journal of American Medical Association – Jama), entrou com pedido de indenização de mais 7 milhões de dólares. Philip J. Hilts, do The New York Times, que publicou matéria sobre este caso, reproduzido na Folha de S. Paulo, lembra que "disputas como essa , entre interesses comerciais e científicos, se tornaram mais comuns nos últimos anos, conforme as companhias farmacêuticas começaram a contratar pesquisadores independentes para testar novas drogas. Não se trata da primeira confusão da Immune Response com dados. Em 1.995, a FDA (agência que regula a liberação de medicamentos nos EUA) alertou a empresa para que corrigisse dados questionáveis, que mostravam resultados positivos da pesquisa." (12)
     Recentemente, a imprensa americana chamou a atenção para um acordo firmado entre a revista Science e a empresa Celera, que tinha como objetivo restringir o acesso de determinados setores ou pessoas às informações de um importante estudo a ser publicado pelo periódico científico. Peter G. Gosselin, do Los Angeles Times, explica o fato: "A mundialmente respeitada revista Science está no centro de uma polêmica: em troca dos direitos de publicação de um estudo revolucionário sobre o código genético humano, a revista teria aceitado exigências da empresa autora da pesquisa, a Celera, que só quer dar acesso a informações cruciais do trabalho a quem se comprometer a não usar os dados com propósitos comerciais. Os críticos do acordo dizem que ele viola um dos princípios mais sagrados da ciência, a livre troca de idéias, que possibilita descobertas e o avanço do conhecimento. Muitos cientistas também acreditam que o acordo coloca o avanço da ciência perigosamente vinculado a imposições comerciais. " (13)
     Como se pode perceber, os comunicadores da saúde deverão enfrentar, gradativamente, resistências para obter acesso às informações, agora já negadas inclusive para a comunidade científica que, em tempos não muito distantes, gabava-se da eficácia dos chamados colégios invisíveis, rede de comunicação entre especialistas que permitia e incentivava a livre circulação das informações em ciência e tecnologia. Como veremos, mais adiante, os grandes interesses, ao mesmo tempo em que restringem o acesso ao conhecimento (que está sendo objeto inclusive de patenteamento!), promovem a veiculação ampla e generosa das informações que lhes favorecem, seduzindo a mídia com o anúncio de "novas e revolucionárias" descobertas.

     Cobaias do progresso

     A cumplicidade entre cientistas e interesses espúrios na área da saúde não se limita, porém, a empresas privadas. Em nome da política e mesmo do progresso científico, grupos de pessoas, muitas vezes crianças pobres e reféns de ditadores, têm sido submetidos a toda sorte de descalabros em todo o mundo.
     Este foi o caso das Forças Armadas americanas que, durante a década de 40, patrocinou pesquisa, em que se utilizou crianças deficientes mentais, do interior do Estado de Masssachusets, para avaliar as consequências da radiação no organismo, oferecendo-lhes, na merenda escolar, mingau de aveia contaminada por isótopos radioativos. (14) Também foi o caso da pesquisa que submeteu bebês de orfanatos e albergues australianos, da cidade de Melbourne, a testes com vacinas experimentais contra a herpes, para avaliar possíveis reações tóxicas, conforme denúncia do jornal australiano The Age. (15). Ou do experimento do Instituto Nacional de Saúde e o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA, realizado na República Dominicana, Tailândia e 4 países africanos, junto a mais de 12 mil mulheres grávidas, para descobrir um método mais econômico de evitar que a mãe transmitisse o vírus do HIV ao feto e no qual se ministrou a cerca de 30% delas placebo ao invés de medicamento, num crime inominável em nome da ciência. (16)
     Não menos condenável foi o projeto de pesquisa coordenado por um grupo de cientistas da África do Sul, durante o regime do apartheid, com o objetivo de desenvolver uma bactéria capaz de matar ou pelo menos causar infertilidade a pessoas da raça negra, segundo denúncia do cientista Daan Goose, que participou do projeto e que recentemente justificou sua adesão em virtude da "histeria do momento". (17)
     Não podemos nos esquecer também da relevação surpreendente, ocorrida na segunda metade da década de 90, sobre a esterilização em massa, empreendida mesmo após a Segunda Guerra Mundial, em determinados países europeus (Suécia, Dinamarca, Finlândia etc) com o objetivo de purificar a raça, o que evidencia que alguns dos demoníacos ideais de Hitler tiveram também seus seguidores entre países até então considerados acima de qualquer suspeita.
     No momento, assistimos, estupefatos, a um novo tipo de discriminação, a genética, inclusive sob a tutela de governos do chamado Primeiro Mundo. A revista Isto É, de 18 de outubro de 2.000, relata a história de Terri Scargent e de uma assistente social, nos Estados Unidos, que teriam perdido seus empregos em virtude de seus históricos médicos e de seus genes potencialmente perigosos. "De acordo com o centro americano de saúde pública Shriver, em Massachusetts, há registros de pelo menos 582 casos de pessoas rejeitadas para oportunidades profissionais ou pelo plano de saúde por conta de suas falhas genéticas. " (18). As queixas relativas à discriminação genética estão se multiplicando pelo menos nos EUA, o que revela como a apropriação da ciência pode traduzir-se em prejuízos para os cidadãos. Da mesma forma, indica que nem sempre os interesses da população são, em determinados momentos, o critério mais importante a nortear as empresas e os governos, com a cumplicidade de representantes da ciência. Devemos atentar, portanto, para o fato de que estas são exatamente as fontes básicas da comunicação para a saúde e que é imperioso descobrir as suas intenções e os seus compromissos. Vale a pena repetir sempre o lema fundamental da divulgação científica e que traduz perfeitamente o estado de alerta que deve caracterizar também o comunicador da saúde (o jornalista, por exemplo, responsável pela sua cobertura na mídia) diante das suas fontes de informação: "não existe almoço grátis". Logo, é preciso investigar sempre quem paga a conta e, sobretudo, o que se serve à mesa.

     O release como notícia

     A interferência do capital no processo de produção da ciência e da tecnologia tem tornado cada vez mais tênues os limites entre marketing e ciência, de tal sorte que a divulgação científica resvala, obrigatoriamente, para o plano mercadológico, comprometendo a qualidade das informações. Na área da saúde, esta aproximação chega a ser ostensiva, seja pelo assédio das fontes (empresas, universidades, governos, profissionais), seja pela adesão, muitas vezes ingênua, dos veículos e jornalistas.
     Por este motivo, não é incomum que a cobertura de saúde esteja povoada de releases emitidos por estas fontes, disfarçados como matérias isentas, legitimadas pela incidência de conceitos e resultados de pesquisas, oriundos de empresas tidas como líderes e de universidades e centros de pesquisa considerados como referência.
     Pode-se julgar que ao comunicador da saúde ( ao jornalista, em particular) fica difícil exercer seu espírito crítico, notadamente quando não é esta a sua formação básica, mas é preciso, antes de isentá-lo de culpa, rever todo o processo de circulação de informações.
     Os veículos, a menos que comunguem com esta divulgação, orientada prioritariamente por interesses comerciais, devem buscar o apoio de consultores antes de abrirem manchetes sobre temas da área, sob o risco de favorecerem empresas e grupos, muitas vezes em detrimento da sua audiência, estimulada a comportamentos inadequados ou prejudiciais (auto-medicação, por exemplo).
     Ao que se saiba, os veículos não dispõem desta equipe de consultores e, movidos quase sempre pela ânsia de alardear novas descobertas, têm se prestado a uma divulgação no mínimo irresponsável, induzindo de forma sensacionalista leitores, radiouvintes e telespectadores a buscar apoio para os males que afligem seu corpo e espírito nos medicamentos milagrosos lançados pelos grandes laboratórios. Eles cometem o mesmo equívoco, quando enveredam pela trilha das chamadas terapias alternativas, propagando o charlatanismo e a pseudociência.
     As fontes, sobretudo as empresas privadas e grupos de pesquisa internacionais, conseguem, "plantar" pautas ou mesmo ver reproduzidos os seus releases, proclamando resultados e produtos, sem qualquer contestação. Na maioria dos casos, a nota ou matéria jornalística assume um tom publicitário tão explícito que chega a incomodar os que as lêem e a indignar aqueles que postulam uma vigilância informativa e uma postura crítica dos meios de comunicação.
     Vejamos, por exemplo, a seguinte notícia publicada pelo Jornal do Brasil e que, aparentemente, destina-se a dar informações sobre a mortalidade associada à diarréia.

     Diarréia mata 2 milhões por ano

     "Quem nunca sentiu uma forte dor de barriga que exige uma corrida rápida ao banheiro? Casos de diarréia aguda são muito comuns e provocam desconforto constante, se não forem logo combatidos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a diarréia é a doença de maior incidência no mundo, a que mata mais de 2 milhões de pessoas por ano ou um indivíduo a cada 10 segundos.
     Para controlar a diarréia aguda de uma forma rápida foi lançado recentemente no mercado o remédio Tiorfan (quimicamente chamado de Racecadotril), do laboratório SmithKline Beechan. É um antidiarréico fisiológico que normaliza o funcionamento intestinal sem causar prisão de ventre.
     A principal característica do medicamento é que promove a reabsorção de água e sais perdidos com a diarréia e interrompe seu ciclo, sem alterar a flora intestinal. Embora a doença seja muito comum em crianças, o remédio é contra-indicado para os baixinhos. Uma versão infantil é vendida apenas na Europa.
     A diarréia é caracterizada por uma disfunção na absorção de água e sais minerais pelo intestino e deve ser tratada logo no primeiro sintoma. "Normalmente há o risco de desidratação e desnutrição. Mas, além disso, provoca evacuação constante e incontrolável, cólicas, inchaço, náuseas, cansaço e desconforto físico", diz o gastroenterologista e professor da UFRJ, Marcus Túlio Haddad.
     Segundo o médico, a diarréia aguda pode ser causada por infecção bacteriana, que nos adultos são os principais agentes etiológicos, já que desenvolvem imunidade a vários tipos de vírus e, infecção viral, mais comum em crianças. "Nos dois casos, os sintomas são os mesmos, acrescenta".
     Para evitar a doença que ataca, principalmente, crianças e idosos, é preciso adotar cuidados básicos, como evitar alimentos impróprios para o consumo ou mal armazenados, beber água de procedência conhecida, usar somente banheiros higienizados e lavar as mãos antes de manusear alimentos". (19)
     Fica evidente, mesmo numa leitura rápida, que a inspiração da notícia, embora estivesse dissimulada por não estar incluída no lead, era o lançamento do medicamento (grifado propositalmente por nós em negrito) e que as outras informações estavam presentes apenas para compor a matéria, inclusive servindo para amedrontar o leitor, particularmente aqueles que têm crianças ou idosos em casa. Tratava-se, pois, de um release oficial do laboratório ou, o que talvez seja pior, uma reelaboração do jornalista/redator que o escreveu, com o objetivo de divulgar o medicamento, sem cotejar sua eficácia com outros medicamentos, certamente existentes, e produzidos por laboratórios concorrentes.
     O fato incomoda mais porque a matéria foi publicada na página de ciência do jornal carioca, o que lhe emprestava legitimidade. Mais ainda: deixava para o parágrafo final o que talvez fosse a chamada mais pertinente, ou seja a necessidade de prevenção, privilegiando, ao invés disso, a medicalização. o que favorecia o laboratório citado.
     O exemplo do Jornal do Brasil não é único; pelo contrário, um rápido passar de olhos nas matérias sobre saúde dos principais jornais brasileiros, das nossas revistas de informação geral e mesmo nas chamadas respectivas nas emissoras de televisão do País revela que o fato é comum e que a prática, estimulada pelos interesses comerciais, é adotada, sem qualquer espírito crítico ou perspectiva ética, pela mídia.
     Alguns títulos, subtítulos e leads de matérias publicadas pelos periódicos brasileiros servem para ilustrar a nossa afirmação:

     Nova dose de prazer

     Droga de ação mais rápida que o Viagra é a terceira geração de remédios para impotência.
     O Viagra foi apenas o começo. Lançado em 1.998, o remédio que exorcizou o fantasma da impotência da vida da maioria dos homens e hoje é consumido ao vertiginoso ritmo de quatro comprimidos por segundo serviu de estopim para uma frenética corrida que não cessa de dar bons prêmios. Com uma dúzia de grandes laboratórios farmacêuticos empenhados nas pesquisas, os avanços foram tão rápidos que, em dois anos, já se chegou a três classes de drogras contra a disfunção erétil. Na semana passada, um novo comprimido – o Uprima – recebeu o o.k. da comissão de cientistas encarregada de sua análise nos Estados Unidos... Fabricada pela TAP Pharmeceuticals, uma joint-venture entre o laboratório americano Abbot e o japonês Takeda, a droga deve ser lançada em julho nos Estados Unidos. Estará no Brasil em outubro... O Uprima é o primeiro remédio a atuar diretamente no sistema nervoso central. Colocado sob a língua, o comprimidinho se dissolve, rapidamente cai na corrente sanguínea e começa a agir em cerca de vinte minutos, ou até menos, em certos casos..." (20)

     As pílulas da estação

     Q10, Pycnogenol, NADH, n-acetilcisteína ou SAMe – os brasileiros devem se acostumar com esses nomes estranhos, alguns quase impronunciáveis. Depois das vitaminas e dos minerais, são essas as pílulas da vez. A levar em conta o furor que vêm causando nos Estados Unidos, em breve deverão provocar o mesmo alvoroço por aqui. Trata-se das novas substâncias da categoria dos antioxidantes, aqueles compostos capazes de inibir a ação dos radicais livres, as moléculas tóxicas que vagam pela corrente sanguínea, corroem as células, degeneram os tecidos e comprometem o bom funcionamento do organismo. (21)

Energia em cápsulas

Suplemento feito a partir de cascas de pinheiro reduz cansaço e melhora desempenho físico

Na luta por uma pele de aparência mais jovem, um dos aliados mais recentes no Brasil é uma substância que atende pelo curioso nome de pycnogenol. Extraída a partir da casca de pinheiros conhecidos por Pynus pinaster (originários do sudoeste da França e comuns em regiões litorâneas), ela tem forte propriedade antioxidante, combatendo a ação dos radicais livres. O mais interessante da novidade, entretanto, é que o produto – lançado aqui pelo laboratório Ionquímica no início deste ano como suplemento nutricional em forma de cápsulas – agradou não somente aos que sonham como uma epiderme lisa. Também caiu nas graças de quem pratica esportes e quer diminuir a fadiga física."(22)

     Nos três casos citados, extraídos de um conjunto enorme de exemplos por nós coletados ao longo de anos de pesquisa, não resta dúvida de que os veículos optaram por um discurso mais propriamente publicitário que informativo, consciente ou inconscientemente demonstrando a intenção de antes "vender" o medicamento que informar o leitor. Os adjetivos são frequentes e o tom ufanista evidencia a adesão dos repórteres, ainda mais quando se percebe que as matérias não incorporam informações ou avaliações de especialistas com o objetivo de estabelecer limites ou alertar para possíveis restrições, na verdade comuns mesmo nas bulas dos remédios. São, em resumo, mensagens publicitárias, travestidas de matérias jornalísticas, ainda que não se possa levantar suspeita sobre a honestidade dos jornalistas que as redigiram, talvez envolvidos pelo teor do material com que tomaram contato ao produzirem as reportagens. O que é certo é que tentam seduzir o leitor, num esforço que tem mais de propagandístico do que informativo.
     A ombudsman da Folha de S. Paulo, Renata Lo Prete, em pelo menos duas oportunidades na sua coluna dominical, chamou a atenção, respectivamente, em 1.999 e em 2.000, para os riscos a que estão submetidos os jornalistas, convidados por laboratórios, para a cobertura de eventos científicos por eles patrocinados.
     Na coluna de 1.999 totalmente dedicada a este assunto, intitulada A convite de, a jornalista comentava que, ainda que o Manual de Redação do jornal obriga que se discrimine no pé da matéria, produzida a partir de convites de empresas, quem efetivamente pagou as despesas da viagem, isso não é suficiente para isentar o jornal e o jornalista do que poderá advir como resultado da cobertura. Renata Lo Prete se referia a uma matéria resultante da cobertura de um conferência internacional sobre Aids, realizada em Lisboa, Portugal, que, segundo ela, em "essência... se dedicava a descrever as expectativas em torno de um novo medicamento, o ABT-378", produzido pelo laboratório que pagou as despesas da viagem. Na mesma coluna, a ombudsman da Folha de S. Paulo citava a acusação recente feita pelo Los Angeles Times ao New England Journal of Medicine que publicara avaliações de medicamentos feitas por pesquisadores financiados pelos próprios fabricantes desses produtos (o problema ocorreu em 8 de 36 artigos analisados pelo Los Angeles Times). (23 )
     Na coluna publicada em 2.000, dividida em dois assuntos, um deles, trabalhado sob o título Remédio contra superinteresses, novamente a ombudsman da Folha de S. Paulo retoma o tema, comentando matéria publicada pelo seu jornal e que mereceu restrição de uma leitora mais atenta, no caso uma médica. Tratava-se de uma reportagem também feita no exterior, mais precisamente no México, resultado da cobertura de um evento internacional, e que tinha como título Infecção hospitalar mata 300 mil por ano. Acompanhada do texto principal, aparecia uma coluna, que funcionou como um box (texto complementar no jargão jornalístico), que exaltava um novo medicamento. A viagem da jornalista, responsável pela matéria, tinha sido custeada pelo laboratório, cujo medicamento era exatamente o focalizado no box. Renata Lo Prete advertia para o fato de que " Infecção hospitalar é tema importante, sem dúvida, mas as informações oferecidas foram poucas e ficaram soltas no espaço... Para recolher os números fornecidos pelas duas outras fontes que alimentam a reportagem (...) não era preciso ir ao balneário mexicano. Embora tenha sido apresentado como atração principal, o texto parece "escada" para chegar ao verdadeiro assunto, que está ao lado: a nova droga e suas anunciadas qualidades." E concluía, competentemente: "A Folha faz mais do que outros veículos ao exigir que o leitor tome conhecimento das condições em que foi realizada a pauta, mas isso não basta. Para superar o conflito de interesses e não apenas explicitá-lo, o jornal tem de caminhar para assumir total responsabilidade pelas viagens necessárias à produção de seu noticiário. Supostas cortesias podem e devem ser dispensadas." (24)
     Num certo sentido, é preciso ter em mente que, com a cumplicidade da mídia e, por extensão dos jornalistas, os laboratórios têm conseguido propagar pelos meios de comunicação de massa medicamentos de uso controlado, cuja propaganda é proibida, o que se configura numa burla à legislação. Dado o caráter publicitário destas mensagens, pode-se chegar à conclusão de que substituem com vantagem a propaganda convencional, visto que vem avalizada por veículos de prestígio e dissimuladas como informação científica.

     A cura é possível?

     Tendo em vista a gravidade da doença, é razoável imaginar que a cura é possível? A resposta pode ser, em tese, afirmativa, embora se deva admitir que o tratamento será, ao mesmo tempo, prolongado e doloroso.
     A superação dos obstáculos enfrentados pela cobertura de saúde na mídia implica antes de tudo em uma nova postura ética e política. Como pretendemos demonstrar ao longo deste artigo, a pressão das fontes, estimulada por interesses comerciais, que já é grande, tenderá a aumentar com o tempo, à medida em que a ciência e a tecnologia passem a requerer, cada vez mais, recursos de monta , atraindo a parceria de grupos poderosos.
     Somente a conscientização da comunidade científica, a partir de suas sociedades e associações, a interferência do Estado regulando contratos entre empresas e universidades e, sobretudo, a atuação mais alerta dos comunicadores da saúde (em particular, os jornalistas) poderá contribuir para que a informação qualificada prevaleça sobre o discurso eminentemente publicitário, comprometido com a venda de produtos e serviços, muitas vezes de excelência discutível.
     Não se pode impedir que as empresas e entidades que atuam na área da saúde empreendam esforços de comunicação com o objetivo de defender os seus interesses, já que esta é, em essência, a essência do capitalismo, regime em que nos inserimos, mas deve ser repudiada qualquer intenção de obstruir a circulação de informações e, o que é ainda mais grave, a adoção de mecanismos ilegítimos (suborno, manipulação etc) para que esses interesses prevaleçam sobre os da sociedade. Embora não se possa criticar as fontes pela emissão de releases, já que eles são instrumentos válidos da comunicação empresarial moderna, é preciso chamar a atenção da mídia e dos jornalistas para a importância de um trabalho crítico, comprometido com a saúde da população.
     As informações que circulam nessa área não são isentas e estão atreladas a compromissos que precisam ser desvendados para que os comunicadores da saúde e a mídia em particular não funcionem, ingenuamente, como meros porta-vozes. Urge buscar a opinião dos especialistas, talvez constituindo equipes de consultores ou buscando parceria com as entidades da área, que podem ajudar na avaliação das informações, o que, afinal de contas, para eles, significa exercer plenamente a cidadania.
     Ao mesmo tempo, é importante capacitar os comunicadores da saúde, a partir de cursos de extensão e aperfeiçoamento, seguindo o exemplo da Unifesp que tem promovido espaços de debate e divulgação para os jornalistas. Deve-se ainda incluir nesse esforço as escolas de comunicação e as faculdades de medicina, enfermagem, nutrição etc, para que profissionais de saúde e de comunicação possam, juntos, criar uma cultura voltada para a promoção da saúde.
     Temos a convicção de que deverá ser feito um esforço enorme para que a doença seja contida, mas resta-nos a esperança de que a cura existe. A vontade política e a conscientização dos profissionais da saúde e da comunicação certamente farão com que ela seja alcançada.

     Referências bibliográficas

1) Laboratórios investem forte nas eleições americanas. In: Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 01/10/2.000, p. A-11.

2) Lins da Silva, Carlos Eduardo. OMS acusa Philip Morris de espionagem. In: Folha de S. Paulo, 05/12/1.999, p. 3-4.

3) Cientistas teriam sido comprados. In: Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 05/08/1.998, p. 16. Pode-se consultar também a respeito artigo de Schwartz, John, publicado no The Washington Post e reproduzido no Jornal do Brasil, sob o título Philip Morris financiava cientistas, de 12/05/1.997, p. 7.

4) Torry, Saundra. Philip Morris é processada por ocultar pesquisa. In: O Estado de S. Paulo, 17/04/1.998, p. A12.

5) Balthazar, Ricardo. Cigarro financiou cientistas no Brasil. In: Valor Econômico, São Paulo, 08/08/2.000, p. A12.

6) Balthazar, Ricardo. Abifumo discutiu planol para financiar cientistas. In: Valor Econômico, São Paulo, 09/09/2.000, p. A-4. Ver também matéria assinada por Paraguassu, Lisandra. Philip Morris faz projeto de ‘sobrevivência’ na AL. In: Folha de S. Paulo, 03/07/2.000, p. C-3.

7) Balthazar, Ricardo. Crime justificado no império do chantilly. In: Valor Econômico, São Paulo, 03/10/2.000, p. D8.

8) Bueno, Wilson da Costa. Os novos desafios do Jornalismo Científico. Trabalho apresentado ao VII Congreso Iberoamericano de Periodismo Cientifico, realizado em Buenos Aires, de 16 a 19 de novembro de 2.000, p.8.9) ) Broad, William J.. Conquistas da ciência cada vez mais secretas. Isso é bom ou ruim para a pesquisa. Jornal da Tarde, 25/06/1.988, Caderno de Sábado, p.2

10) Broad, William J.. Conquistas da ciência cada vez mais secretas. Isso é bom ou ruim para a pesquisa. Jornal da Tarde, 25/06/1.988, Caderno de Sábado, p.2

11) Broad, William J.. Conquistas da ciência cada vez mais secretas. Isso é bom ou ruim para a pesquisa. Jornal da Tarde, 25/06/1.988, Caderno de Sábado, p.2

12) Hilts, Philip J. Empresa tenta esconder estudo contrário a uma vacina anti-Aids. Folha de S. Paulo, 07/11/2.000, p. A-14.

13) Peter G. Gosselin. "Science faz acordo com Celera e é bombardeada com críticas. In: O Estado de S. Paulo, 08/12/2.000, p. A15. A mesma matéria, assinada pelo jornalista do Los Angeles Times foi publicada no Jornal do Brasil: Acordo entre "Science"e Celera sob suspeita, 09/12/2.000, p.47.

14) Seligman, Airton. Cobaias humanas. In: Veja, São Paulo, 28/07/1.999.

15) Denunciado uso de bebês como cobaias na Austrália. In: O Estado de S. Paulo, 11/06/97, p. A-13.

16) Seligman, Airton. Cobaias humanas. In: Veja, São Paulo, 28/07/1.999.

17) Apartheid pesquisou bactéria para matar negros. In: O Estado de S. Paulo, 12/06/1.998, p. A-15.

18) Menconi, Darlene. Apartheid biológico. In: Isto É, São Paulo, 18/10/2.000, p. 92-93.

19) Diarréia mata 2 milhões por ano. In: Jornal do Brasil, 10/09/99, p.10.

20) Pastore, Karina. Nova dose de prazer. In: Veja, São Paulo, 19/04/2.000, p.84-85.

21) Poles, Cristina e Boccia, Sandra. As pílulas da estação. In: Veja, 29/03/2.000, p.84-85.

22) Helena, Leticia. Energia em cápsulas. In: Isto É. São Paulo, 17/05/2.000, p.98.

23) Lo Prete, Renata. A convite de. In: Folha de S. Paulo, 31/10/1.999, p.1-6.

24) Lo Prete, Renata. Remédio contra superinteresses. In: Folha de S. Paulo, 26/03/2.000, p.1-6.

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*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e professor de Jornalismo da ECA/USP.

 
 
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