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| Volume 2 , Nš 3, Dezembro de 2005 | |
| Editorial | |
| Comendo mal, informando pior | |
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Pautada pelos grandes interesses, a mídia tem se ocupado, muitas vezes, de temas distantes, ainda que jornalisticamente relevantes, como a gripe aviária ou a febre aftosa, esquecendo-se de lidar com os problemas do dia-a-dia dos brasileiros. Pesquisas realizadas por universidades brasileiras ou pela ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária têm evidenciado, ao longo do tempo, a qualidade precária dos alimentos que são consumidos pela população, seja pelas condições inadequadas de conservação e de manipulação (como ocorre na maioria dos restaurantes e bares do País), seja pela incidência alarmante de agrotóxicos, resultado da falta de conscientização dos produtores e da ação agressiva de representantes da indústria agroquímica. A rotulagem de transgênicos, uma exigência legal, continua sendo negligenciada pelos órgãos de fiscalização, e a entrada de produtos transgênicos contrabandeados se acelera no sul do País, numa tentativa afrontosa de desrespeito à ordem vigente. Repete-se, agora, com o milho, o que já ocorreu com a soja, o que, certamente, favorece empresas multinacionais, como a Monsanto, que vê facilitado o seu intento de fazer-nos engolir os seus produtos e de faturar royalties com a sua malfadada (cuidado com o glifosato!) e lucrativa tecnologia "round-up". A estrutura governamental é deficiente e a repressão é frouxa, o que estimula empresas e comerciantes inescrupulosos a insistirem neste processo nocivo de degradação da saúde dos brasileiros. Além disso, as estatísticas não registram, adequadamente, os casos de contaminações alimentares, o que contribui para mascarar o problema , absolutamente sério. O Governo precisa urgentemente definir uma política de segurança alimentar e passar do discurso à prática, garantindo a todos nós alimentos mais saudáveis. O consumidor, evidentemente, precisa também fazer a sua parte, buscando denunciar os abusos, informando-se adequadamente e cobrando das autoridades ações enérgicas para minorar esta situação. A qualidade de vida está associada à qualidade dos alimentos que ingerimos e da água que bebemos e, portanto, é fundamental que o acesso a produtos saudáveis seja garantido a todos. A mídia (ah, a mídia!) bem que poderia colaborar mais, pautando esta temática, exercitando a sua capacidade investigativa (que anda meio em baixa) e contribuindo, decisivamente, para o processo global de educação para a saúde. Se ela agisse assim, não continuaria, por exemplo, fazendo a apologia do "sanduba matador" do McDonald´s, ícone de uma infância e juventude obesas e doentes. Será pedir muito?
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