Jornalismo e Saúde


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Empresa ou imprensa vilã? Caso de contaminação por chumbo na cidade de Bauru reafirma antigas deficiências na responsabilidade social corporativa

Virgínia Salomão*

      A Responsabilidade Social e o Alerta Ecológico

      A concepção de responsabilidade social corporativa é, sem dúvida, uma das vertentes que mais evolui e ganha espaço no novo cenário das empresas em tempos de mundialização cultural. Gestão empresarial focada no compromisso de respeito aos públicos direta e indiretamente a elas relacionados é o tema mais em voga nos círculos acadêmicos, nas mesas de reunião dos tomadores de decisão, como também nas agências e assessorias de comunicação. Tanto assim que o chamado terceiro setor, praticamente um sinônimo de investimento no social, guarda números surpreendentes que provam sua consolidação no Brasil: dados de pesquisa feita em 1995 constatam a existência de cerca de 220 mil em pleno funcionamento. (1)
      Do outro lado desta cena de mundialização, estão os consumidores ou usuários de bens e serviços, que têm sua própria concepção de como as organizações devam desempenhar a cidadania. Concebem-na hoje de maneira bem mais ampla, graças à interconexão possibilitada pelas novas tecnologias e aqui é preciso fazer uma reflexão um pouco mais detida. A midiatização viabilizada pelos avanços tecnológicos não apenas ajudou na expansão da consciência cidadã, mas é obreira fundamental de sua construção. A difusão de idéias, informações e imagens propiciadas pela popularização da mídia eletrônica e o barateamento do acesso à mídia tradicional alargaram os horizontes daquilo que se entendia por cidadania, ética e responsabilidade social. Modelos de comportamento e padrões esperados de conduta nos relacionamentos sociais migraram para quase todas as outras áreas da vivência em comunidade, como para o trabalho, a indústria, o convívio com a natureza, e até, à própria mídia.
      Pode-se alegar, no entanto, que não são novas as reivindicações nem os movimentos de mobilização da sociedade civil, bastando lembrar os movimentos operários datados do século XIX, os feministas, pacifistas, anti-raciais ou ecológicos, do século seguinte. A idéia de que a qualidade de vida e a diversidade das culturas interessam mais que a riqueza material e o bem-estar trazido pelo sistema capitalista remonta ao surgimento do socialismo. Mas quando se fala de conscientização ecológica, e é o que mais nos importa aqui, não se pode deixar de pesar a influência dos meios de comunicação. É indiscutível que, não fosse por sua presença maciça, os cuidados com o meio-ambiente ainda seriam aspirações de elites bem (in)formadas. Nas palavras de Edgar Morin (2):

      "A consciência ecológica é historicamente uma maneira radicalmente nova de apresentar os problemas de insalubridade, de nocividade e de poluição, até então julgados excêntricos (os que têm a sorte de limitar os "verdadeiros" problemas políticos continuam a considerar "excêntrico" o alerta ecológico) com relação as "verdadeiros" temas políticos: esta tendência se torna um projeto político global que põe em causa a organização de uma sociedade(...) o alerta ecológico demonstra um verdadeiro salto qualitativo, pelo menos ao nível de tomada de consciência."

      E Morin falava bem antes do advento da World Wide Web, longe da multiplicação dos gestores de marketing social, marketing de imagem, e demais vertentes da mercantilização dos dilemas neo-urbanos da sociedade tecno-burocrática. Hoje, ao clicar em qualquer sistema de buscas da Internet, a palavra ecologia pode fazer saltar mais de 700 verbetes de links a entidades afins. Na televisão, fazem parte da grade, de canais abertos e fechados, programas focados no tema, além do jornalismo ambiental, gênero cada vez mais valorizado pela mídia. A agenda ecológica está, enfim, posta. Lembre-se das últimas exigências de cunho ambiental do BID - Banco Mundial e do BIRD - Banco Interamericano de Desenvolvimento, instituições multilaterais de crédito internacional, que passaram a vincular a liberação de financiamentos para os paíseis periféricos ao cumprimento de requisitos de caráter ecológico.
      Mas, se o alerta ecológico tal qual se apresenta é novo, o mesmo não se dá com a cobertura jornalística que parece padecer dos velhos problemas que enfrenta desde sempre. Censura, despreparo para o relato de questões científicas, notícias que se resumem à transcrição de press-releases ou às falas das autoridades, linguagem inacessível a leigos, falta de checagem dos dois lados envolvidos nos fatos - como também do contexto histórico - e a ausência de interesse público entre os ingredientes da produção de notícias são os principais obstáculos que o jornalismo ambiental, ou científico (3), ainda não superou. Tais deficiências, que, aliás, podem ser apontadas em outros gêneros jornalísticos, não surtem, porém, efeitos tão danosos em outras áreas do conhecimento quanto no âmbito científico. Isto porque a divulgação massiva de fatos e informações de cunho científico está umbilicalmente atrelada à educação pública. É por vezes o único canal existente para tanto, como no caso de países com população majoritariamente não alfabetizada, mas cujo território é alcançado em sua quase totalidade pela televisão, a exemplo do Brasil.
      Desde meados do século XIX , segundo Burkett (4) , quando o jornalismo especializado já vingava, já se via a sensacionalização da temática científica e a pseudociência tomando a frente na guerra entre os jornais. E essa briga também persistente parece moldar, ainda agora e com o mesmo quilate, a fatia das empresas jornalísiticas que, quando convém, publicam descobertas, acidentes, crimes e denúncias, estes com muito mais freqüência do que aqueles. A descontinuidade no acompanhamento de fatos jornalísticos é talvez a maior evidência do descaso da mídia em relação a seu público, isso para falar em termos mecadológicos, relacionando-se ao consumidor de informações. Colocado sob o prisma sociológico, entretanto, o mesmo descaso demonstra a subestimação do potencial educativo pela mídia e seu abandono das obrigações sociais implicadas em sua função imanente. A este respeito, analise-se um fato recente ocorrido no interior do Estado de São Paulo.

      Cidade de Chumbo

      A primeira vez que foi noticiada no Jornal da Cidade, [JC, 05/03/02] a contaminação por chumbo no derredor da fábrica de baterias Acumuladores Ajax, na cidade de Bauru, o relato noticioso limitou-se a fornecer alguns dados obtidos junto a Cetesb - Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo - e a DIR - Direção Regional de Saúde - que, no dia anterior, haviam interdidado o setor de metalurgia da indústria. Só alguns dias depois, e dada a magnitude da contaminação, veio à tona a ação judicial impetrada por uma ONG de proteção ambiental local, a Vidágua, pedindo indenizações a várias famílias vizinhas da Ajax. O Vidágua pleiteia também a cassação definitiva de licença ambiental, pois a indústria encontra-se em zona de proteção ambiental do município, sendo vizinha do Jardim Botânico, do Zoológico e do Hospital Regional locais.
      E só mais tarde também, com o menor destaque possível na morfologia das reportagens, foi que a imprensa local, revelando dados homeopaticamente, possibilitou aos menos desatentos concluírem que não se tratava de um acidente com metal pesado e altamente danoso, mas com a total irresponsabilidade no manuseio contínuo da fábrica, que não possuía licença ambiental para tanto e despejava dejetos tóxicos há anos sem o menor cuidado requerido pelas leis.
      Os números das vítimas, que começaram em 60 crianças, chamou a atenção da mídia nacional e a primeira a divulgá-la foi o jornal O Estado de São Paulo [12/04/02], seguido pelo jornal Folha de São Paulo, no mesmo dia, ambos dando conta de que, além da interdição da Cetesb, a justiça local determinará a indisponibilidade dos bens dos proprietários da fábrica. Já se sabia, desde então, que a responsabilidade pela contaminação do solo, da água, ar e de hortifrutigranjeiros no entorno da fábrica de baterias tinha ficado provada, é claro, pela dita Cetesb e DIR e seus laudos de constatação. Amostras de sangue de 30 crianças moradoras do bairro vizinho, o Tangarás, também já provavam a presença de índices de chumbo acima do permitido pela OMS - Organização Mundial da Saúde. Consta, entretanto, que mais de 50 mil pessoas moram no entorno da fábrica de baterias, segundo estimativas iniciais da ong Vidágua, mais de 900 pessoas corriam risco de contaminação.
      As conseqüências de tal contaminação são ainda desconhecidas, pois hoje, com mais de 300 vítimas comprovadas, já se sabe, que este é o maior caso epidemiológico causado por contaminação de chumbo ocorrido no país, e com crianças. O saturnismo é a doença causada por altos níveis de chumbo no sangue e pode causar danos graves no sistema neurológico e hematológico, retardo mental, diarréias, anemia e, enfim, comprometer irremediavelmente o desenvolvimento da criança.
      No ano em que veio à tona a notícia, o fato foi consideravelmente divulgado na imprensa nacional contando com 48 matérias na Folha de S.Paulo, já no ano seguinte nenhum registro foi encontrado. Na imprensa local, onde a cobertura foi intensa (5), não se viu, porém, a notícia da morte de uma criança contaminada [Folha de S.Paulo, 19/09/02], que, por sua vez, não deu continuidade à cobertura, restando não comprovada a relação da morte com a contaminação. Na mesma esteira, foi bastante diluída no noticiário local [JC, 20/04/03], mas bem delineada na Folha de S.Paulo [23/04/02], a notícia de um dos casos mais graves entre as vítimas do chumbo, o menino Daivid de Castro Pereira, que apresentou sinais de retardo, anemia e diarréia crônicas. Movendo ação de indenização no valor de R$ 1 milhão de reais contra a Acumuladores Ajax desde 1999, a família demorou quase sete anos para diagnosticar o saturnismo e até o momento da publicação da notícia não havia recebido respostas da empresa.
      A matéria veiculada pelo Jornal da Cidade, a única acerca deste fato e incluída numa editoria de política, entretanto, restringiu-se a relatar sob o título "Mães cobram proteção à saúde dos filhos" [JC, 20/04/02], a audiência pública em que parentes do menino compareceram com seu advogado, juntamente com a resposta da diretoria editorial do periódico às acusações de omissão pelo jornal. Aqui, o ponto que mais ressalta o jornalismo de gabinete praticado neste caso todo, é que data de 1999 a primeira suspeita do crime ambiental, quando somente 3 anos depois chega às primeiras páginas, e às custas da vigilância do Instituto Vidágua. Por "jornalismo de gabinete" entenda-se a prática freqüente da produção passiva de notícias, em que o profissional, acomodado ao telefone de seu "gabinete", limita-se a elaborá-las a partir de dados recebidos e não de informações ou investigações por ele iniciadas e desenvolvidas.
      Diferentes angulações também se constatam no tratamento dado pelos veículos de comunicação de Bauru quanto à polêmica conclusão do inquérito policial movido pela Polícia Civil local: resultou não comprovada a intenção da fábrica em contaminar o meio-ambiente, por falta de provas materiais, bem como pelos "controversos índices de tolerância ao chumbo no sangue humano", para o delegado em questão.[TVTEM - portal da afiliada da Globo, 13/06/03 e JC, 13/06/03].
      De outro lado, a Folha também não noticiou um prêmio concedido à Secretaria Municipal de Saúde/Departamento de Saúde Coletiva pela atuação no acompanhamento das crianças afetadas pelo chumbo[TVTEM- portal da afiliada da Globo - 25/09/03 e JC, idem]. A 3ª EXPOEPI - Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças, promovida pelo Ministério da Saúde, concedeu o 1o. lugar ao trabalho multi-institucional realizado na cidade na prevenção, descontaminação e atendimento médico casa-a-casa que perdura até hoje, e deve continuar por tempo indefinido. Certamente a ausência de literatura sobre o tema terminou ali, a partir do desencadeamento de ações de combate aos efeitos da contaminação pelo metal.
      No dia 5 de maio último, notícia também não dada pela grande imprensa, a Cetesb declarou descontaminada a periferia de Bauru nas proximidades da Ajax, cujos índices atuais de chumbo apresentam-se dentro da normalidade [TVTEM - portal da afiliada da Globo, 05/05/04 e JC, 06/05/04]. Bauru não é mais a "cidade de chumbo", nas palavras da cantora Rita Lee, em apresentação na cidade logo depois da repercussão nacional dos fatos. A Cetesb conclui que a empresa cumpriu as 28 exigências impostas pelo laudo técnico inicial, que havia provado a contaminação por chumbo há dois anos. Entre elas está um plano de recuperação total das áreas contaminadas, internas e externas à empresa, abrangendo solo, águas superficiais, subterrâneas e vegetações. A liberação da Cetesb é o primeiro passo para que a Ajax volte a operar o setor de metalurgia, até então fechado.

      Fádiga ética: a contaminação que persiste

      Mas, o tema que fez pipocar belíssimos trabalhos de fotojornalistas, enchendo capas e páginas de jornal durante quase todo o ano de 2002, de repente, não interessa mais. Nenhum registro se vê nos arquivos de O Estado de São Paulo e Folha de S.Paulo no ano de 2003 e 2004. O caso do chumbo não rende mais, já que a situação está aparentemente controlada e afinal, quem quer saber das boas notícias? É curiosa, a propósito, a vinheta temporariamente usada pela Folha de S.Paulo - "boa notícia" - para emoldurar fatos auspiciosos, tão raros, ao menos, nas páginas dos jornais. Outro exemplo de "boa notícia" não divulgada pelo mesmo jornal foi a campanha de fiscalização nacional em fábricas de baterias iniciada pelo Ibama, após a repercussão do caso Ajax [JC, 27/04/02]. Este despertamento quanto aos riscos gerados pela produção de baterias pode ser um dos desdobramentos positivos dos fatos, se é que os tem.
      Se responsabilidade social era um assunto desconhecido pela empresa de Bauru, o era também, em certa medida, pela imprensa. Em certa medida porque, mal o bem, a repercussão dada pela mídia local atravessou fronteiras locais e estabeleceu uma agenda em larga escala. A empresa de baterias, de outra parte, embora tenha se portado insistentemente de forma reativa, apenas rebatendo as acusações recebidas, acabou tendo que assumir as responsabilidades das quais se furtava e este fato não pôde passar desapercebido. Seu setor metalúrgico continua fechado, passados dois anos da interdição judicial, embora, como dito anteriormente, a Cetesb tenha reavaliado o estado de alerta e liberado as terras no raio de 1 km da fábrica. Isto significa, a princípio e tão somente, que a empresa livrou-se de multa por reincidência no crime de poluição ambiental e deve agora pleitear a reabertura das operações com o metal tóxico.
      Muitos outros aspectos poderiam entrar nesta discussão, mas, dadas as proporções da reflexão que o assunto requer, o artigo limita-se a indicar pontos sensíveis do caso que ainda precisam de monitoramento. O Instituto Vidágua, principal responsável pelo rumo até agora tomado, infelizmente não disponibiliza informações sobre os fatos em seu site (6) e, procurado pela autora na urgência das horas, não teve tempo para explicar em detalhes o porquê deste resguardo informacional.
      Não obstante, este caso de contaminação sem parâmetros, e sem literatura científica, dado o seu ineditismo, está em curso. Nele reside uma oportunidade sem igual para a educar a população e as organizações no sentido de participarem dos processos que envolvem questões públicas, como a degradação ambiental. É preciso fazer enxergar às organizações e aos indivíduos que todos são responsáveis pela justiça ambiental e pelo destino coletivo. Atitudes pró-ativas, em contraposição a meras tentativas de remediar o mal causado, não brotam se não cultivadas ao longo da formação e do processo educacional, do qual devem participar não apenas as escolas, mas os meios de comunicação, as organizações com e sem fins lucrativos, enfim todos. Como afirma o sociólogo John B. Thompson (7), é premente repensar o conceito de ética, cidadania e responsabilidade social cultivados nos últimos séculos, cuja tônica foi apequenada pela noção espaço-temporal e já não cabe mais. Para ele, não temos alternativa a não ser buscar o sentido da ética na "responsabilidade global". A pior contaminação, porém, pode ser a fadiga ética que paralisa a ação e nos torna insensíveis às calamidades públicas, estas sim, inexoráveis.

Notas

1) Pesquisa realizada pela Johns Hopkins University in BUENO, W.C. Comunicação Empresarial: Teoria e Pesquisa. p.131.

2) MORIN, E. Cultura de Massas no Século XX: Neurose e Necrose. Necrose,Vol. 2, p.183,184.

3) O conceito de jornalismo científico empregado neste artigo provém da obra clássica de Warren Burkett, de 1986, traduzida para o português em 1990, que inclui a redação jornalística de saúde, medicina, alta tecnologia e ciência, sendo a temática ambiental tangida por todas estas subdivisões. Para ele, os pilares da boa redação científica são: documentação, verificação, interrogação, observação e participação(p.75).

4) BURKETT, W. op.cit., p.29

5) O único jornal impresso de Bauru, Jornal da Cidade, apresenta 116 matérias sobre o caso no ano de 2002, 100, em 2003 e 15 até a presente data, 06/06/04. A TVTem, afiliada da Rede Globo que também disponibiliza um portal na Internet, apresenta 57 inserções no ano do ocorrido - 2002 -, 2 em 2003, 1 em 2004. Observe-se, porém, que estes números não são precisos, pois, em contato com jornalistas da homepage soube-se que muitas dados se perderam na última formatação que o site sofreu, tendo em vista mudanças comerciais recentes.

6) Disponível em: <www.vidagua.org.br>. Acesso em 04/05/04.

7). THOMPSON, J.B. A Mídia e a Modernidade: Uma Teoria Social da Mídia. p.216-228.

Referências bibliográficas

BUENO, W.C. Comunicação Empresarial: Teoria e Pesquisa. Barueri,SP: Manole, 2003.

BURKETT,W. Jornalismo Científico: Como escrever sobre ciência, medicina e
alta tecnologia para os meios de comunicação.Trad.: Antonio Trânsito.Rio de
Janeiro: Forense Unversitária, 1990.

FOLHA DE S.PAULO. Disponível em:<www1.uol.com.br/bibliot/>.Acesso em
06/06/04.

JORNAL DA CIDADE. Disponível em:<www.jcnet.com.br>. Acesso em 06/06/04.

MORIN, E. Cultura de Massas no Século XX: Neurose e Necrose. Necrose,Vol. 2.
Trad.:Agenor S. Santos.Rio de Janeiro: Forense Unversitária, 1999.

O ESTADO DE SÃO PAULO. Disponível em:<www.estado.com.br>.Acesso em 06/06/04.

SANTOS,.B.S. Pela Mão de Alice: O social e o político na Pós-Modernidade. SãoPaulo: Cortez, 1999.

TVTEM. Portal da afiliada da Rede Globo - Bauru - SP disponível em:
<www.tvtem.globo.com> . Acesso em 06/05/04.

THOMPSON, J.B. A Mídia e a Modernidade: Uma Teoria Social da Mídia.Trad.: Wagner O. Brandão. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

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*Virgínia Salomão é jornalista e advogada, doutoranda em Comunicação pela UMESP-SP.

 
 
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