Volume 2
Número 2

20 de julho de 2005
 
 * Edição atual    

          Um olhar sobre a história da Comunicação e Saúde

Conceição Sanches*

          (...) o que me é dado sob a aparência de saber não é sequer o próprio saber, mas sua caricatura banalizada e vulgarizada; recebo, sob a forma de informação, uma versão degradada de um saber que desconheço tanto no nível de sua produção quanto no de seu consumo. (Marilena Chauí)

          Muitos obstáculos dificultam a popularização da ciência. Dentre eles, destaca-se a crença historicamente construída de que a ciência solucionaria os problemas da humanidade e promoveria uma sociedade mais justa. Contudo, um breve olhar sobre os fatos que casam impacto sobre o conhecimento científico nos dá o panorama das relações entre a ciência e o poder constituído.

          Com a Revolução Industrial, a burguesia tomou o poder e o conhecimento científico se agregou ao poder econômico (BOYD,1987: 18). Durante a Renascença, a pesquisa, gerada nas universidades, foi se tornando mais especializada. Porém, seus resultados não foram divulgados, impondo a elitização da comunicação e do acesso ao conhecimento e instaurando a dominação que sempre acompanha a falta de comunicação e sustenta os regimes autoritários. No Século XIX, o Positivismo apregoa o sentido utilitário da ciência para a satisfação material do Homem (BIZZOCCHI, 1999: 27-30). Mas, mesmo a atualidade ainda não conhece essa humanização do conhecimento científico.

          É evidente que a função social da ciência na produção de conhecimento é indispensável para o desenvolvimento e sustentação da sociedade (VALE, 1996: 31). Porém, muitas vezes, o fazer científico obedece a interesses estranhos ao da própria ciência. As comunidades científicas se perpetuam forjando novos cientistas, que se formam sob suas normas. Essas comunidades arbitram suas próprias práticas e, normalmente se fecham em si mesmas, já que raramente têm interlocução com as demais esferas da sociedade. Isso decorre de vários fatores, dentre os quais se destaca a linguagem pautada pelo alto grau de especialização (KÜHN apud EPSTEIN, 2002: 84-92).

          A aquisição dessa especialização característica do conhecimento científico é uma atribuição do ensino de Nível Superior (RUTHERFORD, 1999: 71). Em muitos países, desenvolvem-se projetos que aliam o empenho de cientistas e educadores para a promoção da divulgação científica (LANNES et al, 1998: 26). No Brasil, percebe-se que, muitas vezes, as instituições de Ensino Superior, tanto públicas como particulares, comportam-se de forma indiferente em relação às necessidades das comunidades a que pertencem (TARGINO, 1997: 250-60). Além disso, as modas intelectuais e a falta de notícias sobre ciência e tecnologia produzidas no Brasil impõem a publicação de informações a respeito de acontecimentos científicos oriundos de outros países e que não têm a capacidade de mobilizar a opinião pública nacional. Isso contribui para agravar a dependência brasileira aos países centrais e serve de meio de manutenção e manipulação do poder. Essa problemática da comunicação da ciência, na visão de CHAUÍ (1983:59), indica que este é por vezes um tema que intimida mais os especialistas do que a ciência em si mesma.

          Em nosso país, não é comum que a comunidade científica tome para si a tarefa de divulgar o conhecimento científico, salvo raras e honrosas exceções. Esse contexto é influenciado pela escassez de recursos e o reduzido número de cientistas, o que contribui para dificultar ainda mais algumas louváveis iniciativas nessa direção (LANNES et al, 1998: 199). Além disso, vale lembrar que as pesquisas são financiadas pelo Estado e, em grande parte, pela iniciativa privada, que nem sempre tem interesse em divulgar os resultados de suas pesquisas (BIZZOCCHI, 1999: 51).

          Pouco se sabe a respeito de como os cidadãos leigos julgam o fazer científico. Para GOULD (1998: 812) parece prevalecer o consenso de que:

          a ciência é monolítica, incompreensível, desprovida de alma, e basicamente má para nós, forma o núcleo de um paradoxo central dos nossos tempos: a ciência se tornou menos popular e mais temida, apesar de sua influência e relação intrínseca com a nossa vida e atividades quotidianas; menos perseguida e acalentada, embora cada vez mais essencial à base da educação de todos os seres humanos.

          Essa crítica ao comportamento da comunidade científica, muitas vezes, provém dessa própria comunidade, pois a ciência da atualidade ainda não conseguiu se colocar como promotora de igualdade social (BIZZOCCHI, 1999: 51). Ao contrário, manifesta-se mais como instrumento de intimidação sócio política, o que se constata na noção de competência proposta por CHAUÍ (1983:58) não é qualquer um que pode dizer qualquer coisa a qualquer outro em qualquer lugar e sob qualquer circunstância.

          Para FOUREZ (1995: 903-15), uma ciência se origina de uma rede de interesses. Todavia, seus paradigmas, seu conjunto de regras e as representações que regem seu surgimento, não são culturalmente neutros. FEYERABEND (1975) considera que a ciência é a religião dos cientistas pois ambas se valem da retórica, do carisma e do apelo, que forjam um modelo comunicacional controverso. Para BIZZOCCHI (1999:29), os intelectuais, com a elitização da ciência, terminaram isolados, inatingíveis, desconectados do contexto social e não compreendidos pela comunidade em benefício da qual a atividade científica se justifica.

          Os estudiosos da história da ciência consideram que o distanciamento entre o conhecimento produzido pela ciência e o público é a forma que a comunidade científica encontrou para manter seu status. CHAUÍ chega, inclusive, a questionar a utilidade da pesquisa científica no contexto brasileiro.

          A aquisição do conhecimento científico pelo público leigo é um instrumento de democratização que alimentaria o debate público a respeito de problemas importantes para a sociedade. Além disso, previniria a centralização das decisões pelos tecnocratas e influenciaria melhor qualidade de vida (EPSTEIN, 2002: 98-100).

          Em decorrência desse panorama, cabe perguntar que poder de influência tem a comunidade cientifica brasileira para agir sobre a Comunicação e Saúde. Para TARGINO (1997: 252-62), contudo, essa é uma questão equacionável, já que o conhecimento científico é passível de formalização para ser divulgado e essa tarefa cabe ao Jornalismo Científico.

          No que se refere ao Jornalismo Científico dedicado à saúde, embora se saiba que a relação entre esses dois campos do conhecimento seja antiga, não se pode determinar exatamente quando ocorreu a convergência entre ambos e se inaugurou a interface Comunicação e Saúde.

          Para BELTRÁN (2001: 355-7), os primeiros indícios da construção do conceito de Comunicação e Saúde remontam ao século XIX, entre 1820 e 1840, quando os médicos Willian Alison, escocês, e Louis René Villermé, francês, estabeleceram as relações causais entre doença e condições sócio-econômicas e culturais do povo. Esses médicos consideraram que as precárias condições de vida e trabalho dos operários eram responsáveis pelas enfermidades que os acometiam e pela baixa expectativa de vida registrada entre eles. BELTRÁN considera que, na visão desses médicos está implícita a origem do conceito de Comunicação e Saúde, já que privilegiavam a comunicação como ferramenta de promoção da saúde.

          Uma personagem de destaque neste contexto é a enfermeira Florence Nightingale (1), cujo sucesso das medidas que adotou levaram-na a criar, em 1860, no St. Thomas Hospital, em Londres, a primeira escola de enfermagem que se tornou modelo do ensino da profissão no Ocidente. Por isso, é considerada como um marco no surgimento da comunicação humanista com cuidados em saúde.

          Atualmente, o ideal de Nightingale quanto à importância da comunicação nos tratamentos de saúde já tem muitos adeptos. Para REBECCA BEBB, apud ZINN et al, do Hospital Universitário de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo - USP, a comunicação é parte do tratamento do paciente.

          Em 1848, na Alemanha, por causa do conturbado clima político da Europa, forja-se um movimento de reforma da medicina que proclama que a saúde do povo é responsabilidade de toda a sociedade, e não somente da medicina. Por isso, passa a ser, ao menos teoricamente, dever do Estado assegurá-la.

           Essa convicção se apoiou na afirmação do médico Rudolf Virchow (2), que atribuiu a epidemia de febre tifóide de 1947 à pobreza e à falta de acesso às informações para a adoção de hábitos saudáveis a que era relegada a maioria da população. Para ele, as condições sócio-econômicas têm impacto direto sobre a saúde e seus efeitos devem merecer tratamento científico. Além disso, considerava ainda que medidas médicas e sociais devem ser adotadas para a promover a saúde e prevenir doenças. Esse é um posicionamento inovador para a época.

          EPSTEIN (2002: 95-100) considera que, atualmente, para a maioria da população mundial, as informações sobre os acontecimentos no mundo da ciência só são acessíveis quando intermediadas pelos meios de comunicação de massa e que o cidadão comum obtém mais informações sobre saúde pela mídia que pela educação oferecida pela escola. Além disso, dentre as informações científicas, os temas relacionados à saúde causam maior impacto sobre o cotidiano.

          Evidentemente, esses preceitos só começaram a merecer atenção recentemente. Em 1940, o médico Henry Sigerist (3) analisou-os criticamente e os sistematizou, afirmando que a promoção da saúde e a prevenção de doenças devem ser obtidas pela coordenação de esforços de médicos, educadores, industriais e trabalhadores. Suas idéias não frutificaram em sua época. Contudo, encontraram eco na OMS - Organização Mundial de Saúde - que adotou como conceito que a saúde é um bem-estar físico, mental e social e não simplesmente a ausência de enfermidades.

          Em 1947, o governo do Canadá adotou o enfoque de promoção da saúde por meio da educação, enfatizando a prevenção e privilegiando a comunicação como caminho estratégico, já que considerava a orientação do povo indispensável para a gerência da saúde pública, tão onerosa ao Estado.

           Em 1978, a necessidade de instrumentalização da Comunicação e Saúde já se delineia com mais clareza, pois a visão preventiva tomou fôlego com a Declaración de Alma-Ata, fruto da cooperação de 134 países reunidos pela UNICEF e pela OMS, que concordaram que o povo tem o direito e o dever de participar individual e coletivamente no planejamento de políticas de saúde. Era a adoção da comunicação como estratégia de divulgação das informações sobre saúde para as grandes massas.

          Em 1979, os Estados Unidos adotaram a prevenção como principal forma de manutenção da saúde da população, reforçando a convicção de que a Comunicação se constitui como ferramenta de divulgação indispensável para alcançar os objetivos de programas de ação governamental em Saúde.

          No Brasil, muito da história da Comunicação para a promoção da saúde da população se perdeu, impossibilitando o aproveitamento da experiência brasileira neste campo. PORTO & PONTES (2003) consideram esse fato com pesar, já que nesse material estão registrados os ambientes onde os procedimentos de prevenção e cura eram postos em prática; os veículos e estratégias de convencimento e comunicação de massa, bem como o conhecimento e as crenças que se tinha a respeito das doenças e dos recursos usados para combatê-las. Para os autores:

          Tal fato deve-se, entre outras razões, à ausência no âmbito da administração pública, de uma política efetiva de arquivos que oriente e estimule a preservação criteriosa de acervos e a sistematização de informações, propiciando a perda de registros relevantes e agravando os problemas decorrentes do elevado grau de dispersão das fontes primárias disponíveis sobre o tema.

          No Brasil, o uso da comunicação como ferramenta para os profissionais de saúde, embora antigo, só tomou fôlego a partir de 1960. Antes dessa época, as ações que aliavam Comunicação e Saúde para a promoção de ações sanitárias e de saúde pública eram pautadas por meio práticas coercitivas e repressivas, como ilustra bem o episódio conhecido como a Revolta da Vacina, que entrou para a história da Comunicação e Saúde como um movimento popular que ocorreu em 1904, no Rio de Janeiro, contra a vacinação obrigatória de combate à varíola determinada pelo governo.

           Naquela época, o Rio de Janeiro era a maior cidade do país, contudo não dispunha de saneamento básico e isso deixava seus 720 mil habitantes vulneráveis a epidemias de febre amarela, varíola e outras doenças, sendo a população pobre a principal vítima dessas moléstias. O presidente Rodrigues Alves apóia os planos do então Prefeito Pereira Passos para a urbanizar a cidade e nomeia Osvaldo Cruz para comandar o Departamento Nacional de Saúde Pública e promover a reforma sanitária. Contudo, como não houve comunicação entre o governo e a população, o povo não entende o teor dessas medidas e reage a elas. A remoção dos moradores dos cortiços e morros para outros bairros provoca grande tensão social.

          Apesar disso, a lei que torna a vacina contra a varíola obrigatória é aprovada pelo Congresso Nacional em 31 de outubro de 1904. Em 5 de novembro, nasce a Liga contra a Vacina Obrigatória, e, em 10 de novembro, iniciam-se os confrontos entre populares e forças policiais. No dia 14, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha rebelam-se contra o Governo Federal. Em 16 de novembro, Rodrigues Alves revoga a Lei da Vacina Obrigatória. No dia seguinte, a polícia ocupa o bairro da Saúde e, com o apoio do Exército e da Marinha, acaba com a revolta. (4)

          Depois desse impacto social provocado pela obrigatoriedade da vacina, as ações sanitárias passam a agregar os conceitos de Comunicação e Saúde. É assim que técnicas comunicacionais de esclarecimento e persuasão são adotadas com o intuito de superar as resistências. Isso se verifica em 1920, durante a Reforma Carlos Chagas, que aliou técnicas comunicacionais de propaganda nas atividades sanitárias da campanha (PITTA, 1994).

          Em 1925, em São Paulo, ocorre a Reforma Paula Souza, que já privilegiava a comunicação e usava a persuasão do indivíduo, como instrumento para a formação de uma consciência sanitária. Criou-se o Centro de Saúde como espaço de prática, no qual se ministravam palestras e se usava até a projeção de fitas cinematográficas para educar a população pobre sobre os preceitos da boa higiene, da boa nutrição e da boa dietética (RIBEIRO, 1993: 259). Para esse autor (246),

          (...) o eixo dessa nova orientação deslocou-se do policiamento para a educação e as ações sanitárias transferiram-se da população em geral para o indivíduo em particular. Com isso, na prática sanitária, o policiar as coisas, habitação, água, esgoto, lixo, o vigiar a cidade ganhava um novo aliado - a persuasão do indivíduo, o uso das palavras para forjar no indivíduo a consciência sanitária, a prática sanitária definiu-se como policiar e persuadir.

          Vale lembrar que em 1923, Roquete Pinto funda o rádio, que passa a ser uma ferramenta de Comunicação e Saúde, pois difunde palestras e conferências, conforme afirma ASSUMPÇÃO (5). Com relação a isso, CHAGAS DE CARVALHO (1989: 78-9) menciona:

          (...) A formação de hábitos saudáveis era objeto de atenções especiais. A saúde não era somente um dos temas preferidos das preleções cívicas nas festividades, como também objeto de celebração em inúmeras competições esportivas oferecidas em espetáculos como modelos exemplares de comportamento. (...) Preceitos de higiene eram divulgados em palestras e folhetos ou constituídos, ainda, pelo incentivo à organização de Pelotões de Saúde, em preceitos cívicos de bom comportamento.

          Nesta mesma perspectiva, DÂNGELO (1994:41), em sua dissertação de mestrado defendida na PUC-SP, a respeito das rádios educativas no período compreendido entre 1920 e 1940, afirma:

          A institucionalização dos efeitos moralizantes preconizados pela Escola Nova, encontraram eco com a criação de órgão específico no Manifesto da Educação e Saúde, que se utilizava de todos os meios de comunicação que a técnica moderna apontava, para levar às massas os conhecimentos e as informações, que lhes proporcionassem melhores condições de vida (...).

          É evidente que todas essas estratégias de Comunicação e Saúde se pautavam no modelo comunicacional de Lasswell, que se articula no binômio Estímulo-Resposta. No panorama desenvolvimentista dos anos 50 e 60, esse modelo ficou conhecido como comunicação para o desenvolvimento. PAULO FREIRE (1975: 22) considera que

           (...) isso se contrapõe à busca de uma educação libertadora, o que impede a sobreposição de um saber sobre outro. (...) essa ação extensionista envolve, qualquer que seja o setor em que se realize, a necessidade que sentem aqueles que a fazem, de ir até a outra parte do mundo, considerada inferior, para à sua maneira, normalizá-la.

           Contudo, essas concepções, mesmo atualmente, ainda parecem hegemônicas no campo da Comunicação e Saúde, já que se constatam freqüentemente práticas cujo intuito é somente o de modificar o comportamento do indivíduo por meio da mera intimidação. Ainda no enfoque de FREIRE (1975: 69), para que as estratégias de Comunicação e Saúde atinjam seus objetivos é preciso considerar que:

          (...) a educação não é a transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados (...). A educação é comunicação, é diálogo.

          FREIRE considerou a necessidade de repensar o enfoque dominante das práticas de Comunicação e Saúde, pois entendeu comunicação como um processo de troca simbólica, lugar de uma mensagem e de uma resposta, no qual os papéis de falante e ouvinte são intercambiáveis. Para CYRINO (1997: 159) (6), as produções simbólicas se assumem enquanto tal, seja remetendo a um processo permanente de interlocução, envolvendo os interlocutores numa constante interação simbólica ou divulgando de modo explícito e transparente, uma dada postura ideológica no campo da saúde.

          Nos anos 80, no Brasil, o resgate do estado democrático se reflete no setor da saúde com a reforma sanitária e com a legitimação constitucional do direito social à saúde. Esse novo contexto impõe novas necessidades para os domínios da Comunicação e Saúde, pois o SUS - Sistema Único de Saúde tem uma estrutura que permite, até certo ponto, a participação da sociedade. A esse respeito, CYRINO (1997: 160) considera que:

          Neste contexto passa-se a valorizar o direito à informação como condição básica para o exercício pleno da cidadania e a buscar práticas e meios adequados a sua difusão. Mas ao identificar-se a necessidade de não só tornar a informação disponível mas compreensível pela maior parcela possível da população, há uma aproximação da área de informação com os campos da comunicação e da educação em saúde.

          Essa aproximação entre a Comunicação e a Saúde facilita a interlocução entre o serviço público de saúde e a população. Contudo essa interloução se articula sobre o eixo da informação para o controle social, enfatizando a disseminação das informações e os meios usados para sua produção e difusão. Para TEIXEIRA (apud CYRINO 1997: 161), este eixo não é tão limitante se for observado como passo inicial para a interação entre o serviço público de saúde e os usuários e não como um fim em si mesmo. Além disso, vale lembrar também que as produções desse período apontam para perspectivas comuns de desafios trazidos a diferentes áreas do saber, como a Saúde e a Comunicação que, juntas, incorporam um viés mais antropológico em suas rotinas, o que evidencia a predisposição para entender o cidadão.

          Contudo, no que se refere à Comunicação e Saúde, no Brasil, percebe-se que esta subárea do Campo da Comunicação tem se robustecido e legitimado pela criação de programas de pós-graduação e de diversas publicações científicas. Além disso, os profissionais de divulgação em Comunicação e Saúde têm-se organizado em associações nacionais e internacionais e promovido eventos. Isso concorre para reforçar sua consolidação. Para SILVA PINTOS (2000:122), do Uruguai, a relação entre Comunicação e Saúde vem se afirmando paulatinamente nos últimos anos; profissionais destes campos reconheceram e provam que a articulação entre Comunicação e Saúde se constitui em ferramenta que afeta de maneira direta a saúde e, em um sentido mais amplo, a qualidade de vida dos indivíduos, das famílias e das sociedades. Para ela:

          La Communicación para Salud (o Communicación y Salud) refiere no solo a la difusión y análisis de la información - actividad comúnmente denominada periodismo científico o periodismo especializado em salud -, sino que refiere también a la produción y aplicación de estratégias comunicacionales -masivas y comunitárias - orientadas a la prevención, protección sanitária y a la promoción de estilos de vida saludables, así como al diseño e implemento de políticas de salud y educación más globales.

          Ao lado dessa conscientização de que a comunicação constitui-se como ferramenta estratégica para a obtenção de sucesso das políticas de saúde pública, tanto no que se refere à adoção de práticas de manutenção da saúde como às de cura de doenças, a sociedade foi se articulando e forjando os instrumentos, na tentativa de assegurar que as informações referentes à saúde tivessem maior penetração junto à população, já que os gastos com saúde são vultosos para os governos, planos de saúde e pra a população, em geral.

           Para BELTRÁN (2001: 363), é indispensável o diálogo entre povos e governos, especialistas e leigos e entre países pobres e ricos para que a promoção da saúde. Esse é um compromisso que deve ser articulado pelos comunicadores, que, utilizando-se de diversas estratégias e de múltiplos meios, interpessoais e massivos, estejam cientes de que os públicos-alvos compõem um espectro tão amplo que demandam dos comunicadores a segmentação:

          Em principio, la promoción aspira a llegar a toda a población, pero tiene que hacerlo dirigindóse, em varias formas y en distintos grados, a diversas sub-audiencias com distintos propósitos específicos.

           Percebe-se, atualmente, um crescente interesse do grande público pela informação científica provinda da área da saúde, exemplo disso são os cadernos e as editorias segmentadas dos veículos de maior penetração que têm se preocupado com sua divulgação. No âmbito do debate acadêmico, podemos citar as sete edições da COMSAÚDE - Conferência Brasileira de Comunicação e Saúde, promovidas pela Cátedra UNESCO de Comunicação para o Desenvolvimento Regional e pela Universidade Metodista de São Paulo que tem proporcionado acumulação e o debate do conhecimento produzido.

          Notas

           1) http://www.google.com/search?q=cache:TK-WgadIyuAJ:pt.wikipedia.org/wiki
/Florence_Nightingale+Florence+Nightingale&hl=pt-BR&lr=lang_pt

          2) Médico e ativista político ligado às lutas pela melhoria das condições de vida e saúde da população de sua época.

          3) Médico francês, formado na Suíça e radicado nos Estados Unidos. Catedrático da Universidade John Hopkins e da Universidade de Yale, consagrado como o maior historiador da medicina de todos os tempos.

          4) http://www.google.com/search?q=cache:pigAq_HYn48J:geocities.yahoo.com.br
/vinicrashbr/historia/brasil/revoltadavacina.htm+%22revolta+da+vacina%22&hl=pt-BR&lr=lang_pt

          5) http://www.google.com/search?q=cache:z1kbstBvhksJ:www.jornalismo.ufsc.br
/redealcar/anais.htm+%22O+r%C3%A1dio+ontem+e+hoje:+promotor+de+educa%C3%A7%C3
%A3o+e+de+cultura%22++%22Zeneida +Alves+de+Assump%C3%A7%C3%A3o%22&hl=pt-BR&lr=lang_pt

          6) http://www.interface.org.br/revista1/artigo4.pdf.

          Bibliografia

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Conceição Sanches
Mestre e doutoranda em Comunicação Social pela UMESP - Universidade Metodista de São Paulo.

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