Volume 2
Número 2

20 de julho de 2005
 
 * Edição atual    

         A revista digital Comunicação & Saúde divulga material informativo sobre saúde oriundo de instituições de pesquisa, universidades, entidades e Governos, mas se reserva o direito de não publicar textos que, implicita e explicitamente, tenham interesses comerciais e que objetivem vender produtos ou equipamentos em geral. O material a ser publicado deve estar também em sintonia com a linha editorial da revista.

          Portal de Medicamentos está no ar

         Já está disponível na Internet o Portal de Medicamentos do Governo Federal, com informações sobre compras de medicamentos e materiais hospitalares adquiridos pelos governos federal, estaduais e municipais com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Com a sua utilização, o governo estima que poderá reduzir custos de aquisição entre R$ 700 milhões e R$ 1,3 bilhões ao ano.

         No novo portal, os gestores de saúde poderão acessar informações referentes às aquisições do governo federal, estados e municípios por meio da integração com os diferentes sites de compras existentes no país. Os portais do Banco do Brasil, da Universidade Federal de São Paulo, e do Conselho Nacional de Municípios (CNM) são alguns exemplos. Assim que esses e os demais portais de compras estiverem integrados com o Portal de Medicamentos, as informações serão atualizadas automaticamente. Dentre as informações que estarão disponíveis estão resultados e avisos de licitações, contratos realizados, compras em andamento e concluídas e preços praticados.

         Além disso, o Portal de Medicamentos vai funcionar como uma referência em relação aos preços de medicamentos praticados no mercado. Isso significa que o gestor terá a possibilidade de analisar se ele efetuou uma compra com valor acima ou abaixo do que vem sendo praticado para outras instituições. A ferramenta também vai padronizar e integrar as informações sobre as aquisições feitas pelos governos federal, estaduais e municipais.

         O objetivo do portal é trazer informações sobre quais medicamentos e materiais hospitalares são adquiridos pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, os valores destinados para aquisição, a quantidade e a modalidade das compras. A ferramenta pretende qualificar o processo de compras e ampliar o volume de medicamentos e materiais hospitalares adquiridos com a mesma quantidade de recursos repassados pelo governo federal. O Portal de Medicamentos permitirá ainda, a médio prazo, que os estados e municípios façam consórcios entre si para efetuar compras em conjunto, o que irá reduzir mais os custos.

         O item medicamento é um dos produtos que demanda maior volume de gastos por parte do governo federal. Em 2004, foram destinados R$ 3,5 bilhões na compra direta e com os repasses para estados e municípios. Este ano, serão empregados R$ 4,2 bilhões na aquisição de medicamentos. Conforme o Ministério do Planejamento, 65% do valor total gasto com medicamentos podem ser usados para compras em mercados onde há mais de um fornecedor e, portanto, ampla concorrência, favorecendo a otimização dos recursos.

         O acesso ao novo portal é permitido para gestores do Sistema Único de Saúde, fornecedores e para toda a sociedade. O site será atualizado diariamente por meio de um processo automático quando a compra do medicamento for realizada via internet. A ferramenta foi desenvolvida pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão em conjunto com o Serpro e é administrado pelo Ministério da Saúde.

         Pregão Eletrônico

         Além do Portal de Medicamentos, o Ministério da Saúde, desde 2003, vem adotando medidas para o melhor gerenciamento dos recursos públicos, especialmente, as despesas com medicamentos. No caso dos hemoderivados, houve a redução dos gastos em mais de 50%, quando o órgão adotou o pregão para os processos de licitação. Isso significa uma economia de US$ 60 milhões que serão investidos na ampliação da compra desses produtos e na construção da Hemobrás, a primeira fábrica brasileira de hemoderivados que vai tornar o Brasil auto-suficiente na produção de derivados do sangue, hoje todos importados.

         As licitações dos outros tipos de medicamentos também são realizadas via pregão, principalmente, o eletrônico o que tem diminuído o preço dos produtos.

         Todos os órgãos do governo federal estão adotando o pregão como modalidade padrão nas suas compras. Desde o dia 1º de julho, pelo Decreto nº 5.450, é obrigatório o uso do pregão, preferencialmente a forma eletrônica, nas aquisições de bens e serviços comuns feitas pela administração pública federal.

         A norma vale para os órgãos da administração pública federal direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União. O objetivo do governo federal é aumentar a transparência das compras governamentais, agilizar o processo e, principalmente, reduzir os custos dos bens e serviços comuns adquiridos pelos órgãos públicos federais.

         O endereço do Portal de Medicamentos, acessivel na Web, é: www.comprasnet.gov.br/PortalMed/principal/default.asp

(Fonte Newsletter Em questão, produzido pela SECOM)

          Funcionários comem errado nas empresas

         Estudo realizado em uma empresa de Belo Horizonte mostra que o almoço consumido pelos funcionários é hipoglicídico, hiperprotéico e hiperlipídico. Além disso, o consumo de fibras alimentares é baixo. Pesquisadores afirmam que a alimentação deve ser orientada por nutricionistas.

         As Unidades de Alimentação e Nutrição têm como objetivo principal oferecer alimentação adequada às necessidades nutricionais da clientela das empresas. Os cardápios elaborados devem ser, portanto, balanceados de modo que os requerimentos em energia e nutrientes possam ser. Como no sistema self service não existem restrições das quantidades servidas, é comum que haja consumo médio elevado de alguns alimentos, principalmente das carnes e gorduras. Isso é o que mostram pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais em um estudo que teve como objetivo avaliar a adequação nutricional média do almoço self service de uma Unidade de Alimentação Nutricional da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

         A clientela da unidade foi constituída por 310 funcionários, na faixa etária de 16 a 60 anos. Foram estudados os 22 cardápios do período entre 8 de janeiro e 14 de março de 2001, servidos de segunda a sexta-feira. De acordo com artigo publicado na edição de janeiro/fevereiro de 2005 da Revista de Nutrição, "as preparações culinárias de cada refeição devem ser selecionadas pelo nutricionista, levando em consideração os hábitos e as preferências alimentares da clientela, a safra, a oferta e o custo do gênero alimentício no mercado, os recursos humanos, a disponibilidade de área e equipamentos, o preparo e o consumo efetivo dos alimentos".

         No estudo, os pesquisadores constataram que o valor energético médio foi de 1108kcal. Os teores de carboidratos, proteínas e lipídios forneceram, respectivamente, 51,0%, 19,0% e 30,0% de energia metabolizável. Segundo eles, "com base nas recomendações para a população brasileira do sexo masculino (2.785kcal), os cardápios avaliados contribuíram com 40,0% da necessidade energética total, 30,0% dos carboidratos, 96,0% das proteínas e 47,0% dos lipídios. Para a população do sexo feminino (2.056kcal), os valores correspondentes foram, respectivamente, 54,0%, 41,0%, 130,0% e 64,0%". Isso mostra que o almoço consumido pelos funcionários da empresa é hipoglicídico, hiperprotéico e hiperlipídico, com destaque para o consumo de proteínas que, de acordo com os cientistas, deveria ser reduzido cerca de 2 vezes para os homens e 3 vezes para as mulheres para atender às recomendações.

         O consumo de fibra alimentar também mostrou-se inadequado, correspondendo a 48,0% das necessidades diárias da clientela. Dessa forma, a equipe alerta para a necessidade de todos os nutrientes estarem presentes em todas as refeições, nas quantidades e percentuais recomendados e levando-se em consideração as necessidades energéticas totais calculadas com base nas atividades, para que a adequação nutricional do indivíduo-médio seja atendida. "As atividades de atenção dietética devem anteceder o planejamento de uma refeição adequada, sendo inerentes ao nutricionista responsável, o que não foi priorizado na unidade estudada", afirmam no artigo.

(Fonte: Agência Notisa - Notícias de Saúde)

          Coquetel de energéticos com álcool pode induzir à dependência

          Uma segunda etapa da linha de pesquisa desenvolvida no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre os efeitos do consumo de álcool misturado a bebidas energéticas pode confirmar o que os adeptos dessa combinação já afirmavam: os energéticos são capazes de reduzir a sensação de embriaguez e os efeitos depressores do álcool, além de prolongar a fase de excitação.

          Na pesquisa, feita em camundongos, o efeito estimulante do álcool foi potencializado pela administração crônica da mistura, durante a qual os animais apresentaram uma atividade locomotora 57% maior que a do grupo controle (que recebeu somente água); 47% maior que a do grupo que recebeu apenas bebida energética; e 39% maior que a do grupo que recebeu álcool isoladamente.

          Mas exames toxicológicos mostraram que, apesar de as bebidas energéticas não terem causado danos ao organismo, também não foram capazes de reduzir os efeitos tóxicos do álcool, inclusive na função hepática dos animais. "A coordenação motora ficou igualmente prejudicada nos animais que receberam a combinação e nos que receberam apenas álcool", alerta Sionaldo Eduardo Ferreira, autor da pesquisa, apresentada como tese de doutorado.

          O trabalho, que foi orientado pela professora Maria Lúcia Formigoni, levantou uma questão bastante preocupante para a saúde pública: o uso abusivo de bebidas alcoólicas, especialmente das destiladas, com conseqüente aumento do desenvolvimento de dependência química. "A administração repetida de álcool pode levar ao desenvolvimento de tolerância, tornando necessário o aumento da dose para obtenção do mesmo efeito, ou o desenvolvimento de sensibilização comportamental, na qual o efeito estimulante da substância aumenta com o decorrer do uso, mesmo mantendo-se a dose", explica Sionaldo. "Neste último caso, estudos realizados por pesquisadores de diversos países demonstram que tanto animais de laboratório e como as pessoas mais sensíveis aos efeitos prazerosos das drogas de abuso, inclusive do álcool, têm maior chance de fazer uso abusivo e desenvolver dependência."

          Nos animais que sentiram menos os efeitos do álcool - classificados como de "baixa sensibilidade" -, a combinação do álcool com energético aumentou a atividade locomotora, levando-os a atingir níveis semelhantes aos dos animais classificados como de "alta sensibilidade".

          Modismo perigoso

          Comercializadas em mais de 40 países, as bebidas energéticas chegaram ao Brasil em 1996 e, entre seus efeitos, estão a melhora no desempenho físico e mental. Sua rápida popularização, entretanto, ocorreu juntamente com seu uso combinado a bebidas alcoólicas.

          Em sua tese de mestrado, defendida em 2002, Sionaldo avaliou o padrão de uso das bebidas energéticas em São Paulo, observando que, dos 136 usuários entrevistados, 76% as consumiam juntamente com bebidas alcoólicas e, destes, 91% utilizam preferencialmente com bebidas destiladas. Em relação aos efeitos da mistura, 86% dos entrevistados relataram alguma alteração dos efeitos do álcool, principalmente na melhora do humor e na diminuição da sensação de embriaguez. A média de consumo variou entre uma e três latas por ocasião de uso.

          Testando os efeitos da mistura em voluntários jovens - principais usuários - Sionaldo e mais dois pesquisadores envolvidos no estudo detectaram uma diminuição na percepção subjetiva de alguns sintomas da intoxicação alcoólica. Resultado que não foi comprovado em testes de desempenho psicomotor (tempo de reação visual e coordenação motora).

          Os pesquisadores ressaltam a importância de se evitar o uso abusivo de álcool, seja ele combinado ou não com bebidas energéticas, ou com quaisquer outras substâncias. "O álcool está associado à maior parte dos gastos públicos com saúde decorrentes das drogas de abuso, apesar de ser legal e socialmente aceito", afirma Sionaldo. "É importante despertar nos jovens a consciência de que os comportamentos abusivos de hoje podem ter graves conseqüências no futuro, não só para o indivíduo, mas para a sociedade como um todo".

(Fonte: Assessoria de Imprensa da UNIFESP)

 

 
Imprimir   Enviar para um amigo
     
Webdesign e hospedagem por @ms public