
A
cobertura sobre saúde coletiva à infância
e a adolescência: uma análise comparativa do material
veiculado por 50 jornais brasileiros (1)
Guilherme Canela de Souza Godoi*
Resumo
Os
temas relacionados à saúde de crianças e
adolescentes são diversos e multifacetados, especialmente
em uma nação como a brasileira com carências
em distintas áreas. Com o objetivo de mapear como a mídia
impressa cobre diferentes assuntos sob este guarda-chuva da saúde,
a Agência de Notícias dos Direitos da Infância,
sob nossa coordenação de pesquisa e metodologia,
produziu distintos mapeamentos relacionados ao tema. Foi avaliado
como 50 jornais de grande circulação, suplementos
e revistas para jovens veiculam as notícias que estão
correlacionadas à saúde materno-infantil, à
saúde dos adolescentes e jovens e às questões
relativas ao tabaco e álcool. Também foi realizado
um amplo levantamento acerca das colunas de consulta, as quais
trazem os questionamentos de adolescentes acerca de temáticas
variadas, dentre elas a saúde. Nossa proposta de trabalho
é apresentar um estudo comparativo entre os dados já
coletados por estas diferentes pesquisas empíricas, apontando
pontos convergentes e divergentes entre estas distintas coberturas.
Palavras-chave:
1) Mídia impressa; 2) Infância e Adolescência;
3) Saúde
1.
Introdução
O
que é saúde? Que temas devem ser considerados por
uma análise que busca falar sobre saúde? Por certo,
não haveria dificuldades em responder que não poderiam
ficar de fora os diferentes tipos de enfermidades e as técnicas
relacionadas à cura (ou não) destas mesmas enfermidades.
Pesquisas científicas, tudo aquilo que envolve a medicina,
os indicadores correlacionados aos mais diferentes tipos de doenças
e taxas de mortalidade acabam por fazer parte deste rol de questões
que, sem dúvida, são inegavelmente relacionados
à saúde.
Entretanto,
é possível argumentar que muitos outros temas estão
alojados sob este extenso guarda-chuva da saúde: saneamento
básico, meio ambiente, lazer e qualidade de vida em geral,
drogas, fome, miséria, organismos geneticamente modificados,
violência. Violência? Sim, um dos maiores problemas
de saúde pública do século passado e deste.
E
as dificuldades em se delimitar uma pesquisa sobre saúde
não param por aí. Tendo escolhido o recorte temático,
resta ainda definir o que será analisado. Perfil das doenças,
perfil dos doentes, qualidade de vida, prevenção,
novos medicamentos, políticas públicas para área,
questões profissionais são algumas das possibilidades.
Esta
pequena digressão que envolveu apenas as dificuldades em
se delimitar as fronteiras de um estudo sobre saúde teve
por objetivo determinar a complexidade da temática. Complexidade
esta que é acentuada pelo, não raro, caráter
extremamente técnico do tema. Linguagem dura, conceitos
muito próprios do setor.
Tal
complexidade deve ser vista, portanto, como um elemento que traz
dificuldades para a cobertura jornalística acerca desta
seara. O reconhecimento da existência de tais dificuldades
não tem por objetivo servir como álibi para os deslizes
de qualidade encontrados nesta cobertura com alguma freqüência.
Ao contrário, nossa proposta é que somente tendo
consciência deste caráter multifacetado das questões
que se encontram dentro desta grande rubrica da saúde é
que os meios de comunicação conseguirão avançar
consistentemente na cobertura cotidiana que fazem do tema.
Nossa
proposta no presente artigo é analisar e ressaltar as principais
características de uma parte desta relação
entre mídia e saúde. Nas próximas páginas
estaremos comparando, com riqueza de detalhes, a cobertura jornalística
de quatro importantes temáticas que estão diretamente
relacionadas ao mundo da saúde.
Analisaremos
as semelhanças e diferenças entre a cobertura, ao
longo de um ano, de temáticas que podem ser concebidas
como "Saúde da Criança" (da concepção
até os 11 anos), "Saúde do Adolescente"
(dos 11 aos 17 anos), as matérias sobre Tabaco e Álcool
(como foco na criança e no adolescente) e uma análise
das colunas de consulta de veículos da grande imprensa
e de veículos segmentados para adolescentes e jovens, as
quais se ocupam, em grande parte do tempo, em responder questões
relacionadas à saúde dos mesmos. Para enriquecer
o debate, aqui e acolá, traremos as considerações
de duas outras pesquisas correlacionadas ao tema da saúde:
uma sobre a cobertura de Exploração e Abuso Sexual
e outra sobre a cobertura de Pessoas com Deficiência. (2)
O
texto que se segue está distribuído da seguinte
maneira: de início traremos os principais aspectos metodológicos
empregados na construção destas diferentes pesquisas,
na seqüência apresentaremos uma discussão dos
resultados e, por fim, teceremos algumas conclusões.
2.
Aspectos metodológicos
Todas
as pesquisas empíricas supramencionadas contaram com uma
metodologia muito semelhante no tocante à coleta do material
de pesquisas (as matérias ou as perguntas e respostas no
caso da pesquisa "A mídia como consultório?"),
na sistematização deste material (classificação
das matérias e construção de um banco de
dados) e na análise destes mesmos resultados. As diferenças
estarão assinaladas no momento apropriado.
Em
todos os casos foi realizada uma clipagem pelo setor responsável
da Agência de Notícias dos Direitos da Infância
com o intuito de se separar o material que seria efetivamente
analisado em cada uma das investigações realizadas.
O
método de análise de mídia utilizado para
a sistematização e classificação do
material que fez parte das diferentes amostras (ou universos,
em alguns casos) foi o da análise de conteúdo (3).
De acordo com Hansen et. al (op. cit., p. 123), o método
da análise de conteúdo:
[...]
follows a clearly defined set of steps, one of its attractive
features, but is also vulnerable to abuse. Fundamentally, those
choosing to use content analysis for the study of media content
should recognize that content analysis is little more than a set
of guidelines about how to analyze and quantify media content
in a systematic and reliable fashion.
Neste sentido, os passos observados foram: definição
do universo ou amostra a serem pesquisados, definição
de um instrumento para análise das matérias, classificação
dos textos jornalísticos segundo este instrumento, inserção
no banco de dados, produção dos resultados agregados,
análise dos resultados.
A.
Saúde da Criança
Esta
pesquisa analisou uma amostra de 993 (4) matérias (12,33%
das 8051 publicadas durante todo o ano de 2001) sobre saúde
da criança e publicadas pelos 47 (5) principais veículos
de mídia impressa do país. Estas matérias
tinham como foco a saúde de crianças até
12 anos, questões sobre embriões e fetos e questões
sobre a maternidade adulta. Para que a pesquisa se debruçasse
sobre um determinado foco da saúde infantil não
foram analisados os seguintes temas os quais têm uma interface
direta ou indireta com a saúde: drogas, sexualidade, meio
ambiente, violência, AIDS e DSTs.
Com
a amostra definida, passou-se a elaboração do instrumento
de pesquisa, o qual, procurou permitir a coleta de dados para
a análise futura de dois grandes conjuntos de questões:
o primeiro relativo aos temas conectados à saúde
infantil per se, o outro relativo aos problemas e assuntos que
pudessem identificar se as matérias estavam levando em
consideração o contexto maior no qual as questões
de saúde estão inseridas, fundamentalmente podemos
resumir este contexto maior como sendo a estratégia de
desenvolvimento de país nos quais as questões de
saúde estão inseridas. Quanto aos temas ligados
à saúde o instrumento de pesquisa permitia analisar
as seguintes questões:
1) Foco central - qual era a
principal preocupação da matéria?
2) Enquadramento: como a matéria enquadrava (tratava)
o tema principal abordado? De forma individualizada, de uma
perspectiva de política pública, de uma perspectiva
do terceiro setor, de uma perspectiva do setor privado ou de
uma perspectiva temática/conceitual.
3) Para todas as matérias verificamos se elas traziam
discussões sobre: causas, soluções, prevenção,
serviços, atores mencionados, tratamento dispensado à
população.
4) Questões jornalísticas.
Nas
etapas seguintes a pesquisa seguiu o formato geral anteriormente
apresentado.
B.
Saúde do Adolescente
Já
a investigação que buscou entender melhor a cobertura
sobre a Saúde do Adolescente contou com dois universos
distintos, um se refere aos 48 jornais diários da grande
mídia, os quais, durante o ano de 2001, publicaram 670
matérias sobre a saúde do adolescente. O outro se
refere a 23 veículos de mídia jovem, os quais, também
durante o ano de 2001, publicaram 201 matérias sobre a
saúde do adolescente. Sublinhamos que não trabalhamos
aqui com uma amostra, como foi o caso da pesquisa sobre Saúde
da Criança, mas sim com o total de matérias publicado
no período. Estas matérias tinham como foco a saúde
de adolescentes de 12 a 17 anos. Para que a pesquisa se debruçasse
sobre um determinado foco da saúde do adolescente não
foram analisados os seguintes temas os quais têm uma interface
direta ou indireta com a saúde: drogas, sexualidade (do
ponto de vista comportamental), meio ambiente, violência,
AIDS e DSTs.
O
instrumento, ainda que com diferença nas categorias por
motivos óbvios, apresentou a mesma estrutura conceitual
daquele desenvolvido para a pesquisa de Saúde da Criança,
até mesmo para permitir comparação. As demais
etapas também apresentam a mesma concepção.
C.
A Mídia como Consultório?
Esta
investigação analisou, em média, sete edições
de 35 colunas de diferentes veículos de mídia adulta
e mídia jovem veiculadas entre os meses de setembro de
2001 e março de 2002 (6).
Destas
edições foram extraídas 1326 perguntas e
respostas sobre os seguintes temas:
a) AIDS/DSTs;
b) Drogas;
c) Família;
d) Gravidez;
e) Saúde em Geral;
f) Saúde reprodutiva e sexual;
g) Sexualidade;
h) Educação sexual;
i) Orientação sexual;
j) Questões psicológicas e de relacionamento;
l) Violência.
De
posse da amostra se deu a elaboração do instrumento
de pesquisa que foi, então, utilizado para a classificação
de cada uma das perguntas/respostas veiculadas no período.
Ou seja, ao contrário de outras análises de mídia
realizadas pela ANDI a pesquisa criou um instrumento de análise
de perguntas/respostas e não de textos jornalísticos.
Tal novidade trouxe novos desafios, pois era necessário
aproveitar ao máximo as informações contidas
em, às vezes, cinco linhas publicadas. Neste sentido, buscou-se
saber, para cada conjunto de pergunta/reposta:
a)
a idade, sexo, cidade e identificação (ou não)
dos consulentes e consultores (além da especialidade destes);
b) o foco da pergunta; c) o tipo de enfoque das respostas; d)
se a resposta indicava serviços; e) se mencionava protagonismo;
f) se falava em prevenção; g) se apresentava conseqüências;
i) se apresentava mais de um caminho a ser seguido diante da dúvida
apresentada; j) se era normativa; k) se discutia gênero;
dentre outras questões.
A seqüência da análise é semelhante ao
que foi já discutido para as outras pesquisas.
D. Tabaco e Álcool
Para
este trabalho empírico levou-se em conta o período
entre janeiro e dezembro de 2001. Foram avaliados 303 textos (universo
publicado no período): 239 matérias veiculadas em
49 jornais e mais 64 publicadas em 30 veículos direcionados
aos jovens - 26 suplementos de jornais e quatro revistas de circulação
nacional. Nesta pesquisa foi possível analisar aspectos
muito próximos aos já mencionados anteriormente.
E.
Exploração e Abuso Sexual
A
amostra desta pesquisa foi selecionada durante os 18 meses compreendidos
entre o primeiro semestre de 2000 e o primeiro semestre de 2001.
Dada a impossibilidade da realização de um censo,
isto é, da análise de todo o universo de inserções,
lançou-se mão, como já ocorreu em outras
pesquisas da ANDI, de uma adaptação da metodologia
do mês composto para a elaboração da amostra
que foi utilizada para a presente pesquisa. Com os dias da amostra
construídos foram selecionadas 718 inserções,
o que perfaz cerca de 20% do universo.
Evidentemente
esta pesquisa contou com um instrumento de pesquisa mais abrangente,
no qual, as questões de saúde apareceram de maneira
lateral.
F.
Mídia e Diversidade
Por
fim, estabeleceremos algumas comparações com a pesquisa
que teve como foco central as questões relacionadas às
pessoas com deficiência. A investigação analisou
uma amostra de 1192 matérias publicadas ao longo do ano
de 2002. Duas foram as metodologias utilizadas para a definição
dos dias que comporiam a amostra: 1) primeiro foi sorteado um
mês composto, ou seja, foram escolhidos aleatoriamente 31
dias ao longo do ano de 2002, os quais procuram representar a
formatação dos meses e dos dias da semana ao longo
do ano, por este método foram selecionadas 747 matérias;
2) decidiu-se também realizar uma análise acerca
dos dias do ano que representam datas comemorativas ligadas ao
tema das deficiências, assim foram selecionadas 445 matérias
nestes dias. Escolhidos os dias, as matérias foram selecionadas,
eletronicamente, a partir de uma lista de palavras-chave.
Diferentemente da maioria das pesquisas já realizadas pela
ANDI, a amostra selecionada não está restrita ao
universo de matérias que citam crianças, adolescentes
e jovens, mas sim ao total de matérias que continham uma
das palavras-chave escolhidas; daí a discrepância
entre o número de matérias analisadas por esta pesquisa
e o número de matérias clipadas pela ANDI ao longo
do ano de 2002 acerca do tema deficiências: 909.
Efetivamente,
a temática da deficiência não deve ser tratada
preferencialmente sob a ótica da saúde, ao contrário.
Havia questões no instrumento, entretanto, que nos permitiram
identificar o quanto os jornais adotam esta perspectiva - no fundo,
tratar as deficiências como doenças, quando não
são.
3.
Discussões
Como
deve ter sido possível notar pelas breves descrições
do que foi analisado em cada uma das pesquisas, muitas seriam
as possibilidades de estabelecermos comparações
entre estas diferentes coberturas da imprensa nacional.
Não
obstante, pelas limitações de escopo deste paper,
concentraremos nossa análise em quatro conjuntos de aspectos:
1) a abordagem das questões
de saúde sob uma perspectiva da doença;
2) os enquadramentos das matérias, especialmente as políticas
públicas;
3) e questões jornalísticas propriamente ditas.
Antes,
contudo, de adentramos em cada um destes aspectos achamos relevante
tecer alguns comentários sobre a evolução
mais geral da cobertura da imprensa em relação às
temáticas da saúde infantil e da adolescência
e em relação à saúde enquanto uma
política pública de alta relevância.
As
teorias do agendamento nos ensinam que as políticas públicas
caminham pari passu com as temáticas que são privilegiadas
pelos meios de comunicação. Neste sentido, em termos
quantitativos, para as temáticas relevantes para a infância
e adolescência, os meios de comunicação têm,
ao longo dos últimos seis anos, dado destaque para três
importantes questões públicas ainda por resolver
no Brasil e em boa parte do planeta: educação, violência
e saúde. Os dados sobre os temas mais abordados pelos 50
jornais analisados diariamente pela Andi no período 1996-2002
mostram que a temática saúde é o terceiro
tema mais abordado pela imprensa e pode mudar de posição
se a ela somarmos irmãos naturais como drogas e mortalidade
infantil (para não falarmos da violência e da exploração
e abuso sexual).
Quando
olhamos para o mundo real sem as lentes da imprensa, percebemos
que há uma correlação nesta preocupação
com a temática da saúde, em particular. Em 1996,
as taxas de imunização de crianças e adolescentes
brasileiros, de acordo com os World Development Indicators do
Banco Mundial, eram inferiores a 80%, em 2002 eram superiores
a 95%. Houve melhoras importantes nas taxas de mortalidade infantil
e de expectativa de vida.
Na
negociação das chamadas Metas do Milênio -
acordo assinado por chefes de Estado de todos os países
membros das Nações Unidas através do qual
foram estabelecidas metas efetivas a serem cumpridas por estes
países até 2015 - nada menos do que 3 das 8 metas
acordas estão relacionadas diretamente às questões
de saúde. Não nos parece irrealista supor que o
destaque dado pelos meios de comunicação às
questões de saúde foi importante para que esta discussão
ganhasse tanta relevância entre os tomadores de decisão.
Quadro
1 - Metas relacionadas diretamente à área da saúde
Reduzir a mortalidade infantil
Reduzir em dois terços as taxas de mortalidade infantil
e de crianças abaixo de 5 anos de idade
Melhorar a saúde materna
Reduzir a taxa de mortalidade materna em três quartos
Combater o HIV/Aids, Malária
e outras doenças
Estancar e começar a reverter a propagação
do HIV/Aids
Estancar e começar a reverter a incidência da malária
e outras doenças
Contudo,
conforme ressaltamos, esta não desprezível presença
da temática saúde no bojo da cobertura sobre infância
e adolescência (foram 10310 textos jornalísticos
em 2003) não implica, necessariamente, em uma cobertura
de qualidade. Estaremos apontando alguns pontos referentes a este
desafio nas próximas subseções.
A.
Saúde ou doença?
Uma
das mais contundentes constatações nestas diferentes
pesquisas é a de que a mídia cobre preferencialmente
as doenças que afetam população infanto-juvenil
e as formas de superá-las. Não há, na mesma
proporção, uma cobertura que privilegie a qualidade
de vida, a prevenção a estes mesmos males, isto
é, uma cobertura mais pró-ativa, mais contextualizada
e, logo, mais completa.
Este
é um debate conceitual importante. Seria a saúde
tão somente, ou até mesmo principalmente, a ausência
de doenças? A mesma pergunta foi colocada por Johan Galtung
(1990) em relação à paz: seria a paz a ausência
de violência? A resposta para Galtung é evidentemente
negativa, a paz implica em muito mais do que a ausência
de violência. Caso caminhemos com nossa reflexão
na mesma direção de Galtung, teremos que aceitar
que a cobertura é parcial, devendo avançar mais.
Por
que, afinal, afirmamos que a perspectiva da cobertura é
a doença e não a saúde? Alguns são
os dados que nos permitem chegar a esta conclusão. Um dos
mais contundentes está na pesquisa "A mídia
como consultório?". Pelo levantamento feito 6% das
respostas que tratavam de temas relativos à saúde
tocaram em questões relativas à qualidade de vida,
as demais se limitavam a tentar apontar caminhos pragmáticos
para os problemas também pragmáticos colocados por
que eles que fizeram consultas às colunas.
Outra
constatação importante vem da pesquisa de Exploração
e Abuso Sexual. Nesta há uma perspectiva total de se relatar
a violência sofrida pelas vítimas, entretanto, não
se aproveita o ensejo para trabalhar questões como a saúde
mental de vítimas e agressores (1,4% e 0% das matérias,
respectivamente, o fazem).
Na
investigação sobre a cobertura de Deficiência
também temos um processo semelhante. Em muitas matérias
as deficiências são encaradas como doença,
um mal que precisa ser resolvido. Com este tipo de perspectiva
se perde a oportunidade de se abordar os direitos das pessoas
com deficiências, as formas necessárias para aumentar
a sua qualidade de vida na condição de cidadãos.
A caracterização da deficiência como doença
pode ser verificada por diferentes dados da pesquisa: 19,5% das
matérias se ocupam centralmente das novas tecnologias biomédicas
e tratamentos desenvolvidos para as pessoas com deficiência;
27,5% dos textos apresentam causas biológicas para os problemas
relacionados às pessoas com deficiência; 28,3% apresentam
conseqüências físicas nos textos sobre deficiências;
19,1% apresentam cuidados médicos e clínicos como
solução.
Duas
outras questões, através das quais poderemos comparar
diferentes pesquisas, nos permitem verificar mais de perto esta
perspectiva de doença na cobertura de saúde. A primeira
delas é a prevenção: em nenhuma das sondagens
feitas a discussão de prevenção nas matérias
superou os 50% - em muitos casos está bem distante disso,
como pode ser verificado na tabela 1 abaixo. As discussões
sobre prevenção, evidentemente, assumem uma perspectiva
mais voltada à saúde do que a doença, a cobertura
se dá em outra linguagem, busca ao mesmo tempo cobrar políticas
preventivas dos governos e apresentar serviços aos leitores,
indicando como adotar práticas preventivas. Entretanto,
esta ainda não é a regra na imprensa.
Tabela 1: Percentagem de matérias que apresentaram uma
perspectiva preventiva*
| Pesquisa |
Apresentou uma perspectiva de prevenção
(%) |
Não apresentou uma perspectiva de prevenção
(%) |
| Saúde da Criança |
41,55 |
58,45 |
| Saúde do Adolescente |
32,3 |
67,7 |
| Tabaco e Álcool |
39,3 |
60,7 |
| A Mídia como Consultório |
22,0 |
78,0 |
*
A pergunta foi feita apenas para as matérias nas quais
se aplicava falar de prevenção, no caso da pesquisa
"A Mídia como Consultório?" foram consideradas
especificamente a prevenção às DST/Aids e
à Gravidez.
Um
outro comportamento da imprensa que indicaria uma postura de entender
a Saúde de forma mais ampla e não como a ausência
de doença é a identificação das populações
relacionadas à temática como detentores de direitos.
Esta perspectiva de sujeitos de direitos implementada pela Constituição
de Federal de 1988 e consolidada pelo Estatuto da Criança
e do Adolescente é central para compreendermos as políticas
públicas, no caso a de saúde, como algo além
do atendimento direto, como algo além de "favores"
do Estado. A qualidade de vida, no seu sentido mais amplo, e,
portanto, a saúde são direitos dos cidadãos
e, quando entendidas e divulgadas nesta perspectiva, tenderão
a formar cidadãos (e eleitores) mais críticos e
conscientes daquilo que podem cobrar ativamente do Estado. A tabela
2 compara a abordagem centrada no entendimento de crianças,
adolescentes e pessoas com deficiência como sujeitos de
direitos:
Tabela
2: Percentagem de matérias que apresentaram crianças,
adolescentes, pessoas com deficiência e demais pessoas como
sujeitos de direitos
| Pesquisa |
Tratou a população como detentora
dos direitos (%) |
Não apresentou uma perspectiva de prevenção
(%) |
| Saúde da Criança |
1,8 |
98,2 |
| Saúde do Adolescente |
3,1 |
96,9 |
| Mídia e deficiência |
14,1 |
85,9 |
Portanto,
com estes indicadores podemos apontar a tendência dos meios
de comunicação em trazerem uma abordagem da saúde
mais identificada com a doença (e a superação
da mesma) e menos identificada com uma perspectiva mais ampla
de direito social da população e de garantia da
qualidade de vida. É preciso avançar nesta direção.
B.
Políticas Públicas - cobertura natural?
Entender a Saúde como uma Política Pública
parece ser o caminho natural da cobertura sobre a temática,
entretanto não é isto o que ocorre em boa parte
do trabalho jornalístico da mídia impressa brasileira.
As histórias individualizadas e os trabalhos científicos
(para ficarmos em dois outros enquadramentos possíveis)
têm espaço cativo nas páginas dos jornais
e, não raro, superam a abordagem da Saúde como uma
política pública que deveria ser universal e proporcionada
a toda a população. A tabela 3 ilustra estes resultados.
Tabela
3: Como as diferentes pautas são enquadradas pelos jornais
(em %)*
| Pesquisa |
Individualizado |
Política Pública |
Setor Privado |
Sociedade Civil |
Temático# |
| Saúde da Criança |
8,8 |
47 |
2,1 |
11,4 |
30,7 |
| Saúde do Adolescente |
19,4 |
30 |
1,6 |
6,6 |
38,5 |
| Tabaco e Álcool |
6,7 |
28,9 |
0,8 |
13,4 |
50,2 |
| Mídia e Deficiência |
12,2 |
26,3 |
8,8 |
21 |
31,7 |
| Exploração e Abuso Sexual |
9,9 |
- |
- |
- |
- |
*
Para a Pesquisa de Exploração e Abuso Sexual só
foi verificado se havia um enquadramento de política pública
ou não. Na pesquisa de Saúde do Adolescente foi
considerado um outro enquadramento chamado de Intersetorial (quando
dois ou mais setores apareceriam juntos), este enquadramento foi
responsável por 3,9% das matérias.
# No enquadramento temático estão aquelas matérias
mais conceituais, por exemplo, as que falam dos efeitos do álcool
no cérebro, sem, contudo, associar a uma pessoa ou a um
tipo de ator social específico (Estado, Mercado ou Sociedade
Civil).
Tomemos
o caso da exploração e do abuso sexual: 9,9% das
matérias apresentam uma perspectiva de política
pública. O restante, fundamentalmente, está centrado
no relato dos crimes cometidos e sofridos, ou seja, nas histórias
individuais. A pergunta que fica, e ela pode ser estendida às
outras temáticas, é em que medida este tipo de cobertura
colabora efetivamente para pautar o Estado no sentido de que adote
uma política efetiva de enfrentamento da questão?
O
mesmo vale para a questão temática. Não podemos
deixar de reconhecer a relevância de mais uma matéria
sobre os efeitos do álcool no desempenho sexual dos camundongos.
Contudo, em que medida estes achados serão transformados
em políticas efetivas de saúde pública? Aliás,
quais são as políticas de saúde pública
para a questão do Álcool e do Cigarro?
Neste
sentido, questões importantes como orçamento, alterações
legislativas, programas governamentais existentes e que deveriam
existir, acompanhamento das metas que deveriam estar sendo cumpridas
e muitas outras são deixadas de lado. Poderíamos
avançar mais se contássemos com outro enquadramento?
C.
Questões jornalísticas
Dentre as muitas questões jornalísticas analisadas
pelas pesquisas, duas nos parecem de maior relevância neste
momento: a pluralidade de vozes e opiniões e a profundidade
de discussão das temáticas.
Nestes
dois casos também encontramos a necessidade de avançarmos
mais consistentemente com vistas a melhorarmos qualitativamente
a cobertura. São poucos os materiais que dão voz
à população (crianças, adolescentes,
familiares e pessoas em geral), interessada última nas
discussões sobre saúde (cf. tabela 4). Não
são poucos os textos jornalísticos que apresentam
mais de uma fonte de informação, contudo, é
muito pequeno o número daqueles que apresentam opiniões
divergentes (tabela 5).
Tabela 4: Percentual de matérias nas quais a fonte principal
é um cidadão sem vínculos institucionais
(crianças, adolescentes, pais, familiares, pessoas com
deficiência, usuários do sistema de saúde).
| Pesquisa |
% |
| Saúde da Criança |
10,4 |
| Saúde do Adolescente |
15,7 |
| Tabaco e Álcool |
15,8 |
| Mídia e Deficiência |
20,9 |
| Exploração e Abuso Sexual |
6,3 |
Tabela
5: Percentual de matérias nos quais há mais de uma
fonte e percentual de matérias nos quais há opiniões
divergentes
| Pesquisa |
% Com mais de uma fonte |
% Com opiniões divergentes |
| Saúde da Criança |
41 |
3,7 |
| Saúde do Adolescente |
41,5 |
5,2 |
| Tabaco e Álcool |
49,8 |
6,7 |
| Mídia e Deficiência |
40,1 |
4,2 |
| A Mídia como Consultório |
- |
58,5# |
#
Para a pesquisa A Mídia como Consultório, na verdade,
a pergunta era se a resposta indicava mais de um caminho a ser
seguido por aquela pessoa que estava em dúvida.
Dar voz aos usuários do sistema de saúde e àqueles
diretamente atingidos pelas questões que estão na
pauta da imprensa é fundamental para que o agendamento
do setor público também se dê segundo as perspectivas
daqueles que vão estar na ponta final das políticas
públicas. Em uma sociedade democrática, na qual
há conflitos de interesses e diferentes visões sobre
os melhores cursos de ação, é central que
as matérias tragam as mais amplas reflexões possíveis,
para que a agenda pública não seja monopolizada
por uma ou outra discussão. Se é verdade que muitas
matérias trazem mais de uma fonte de informação,
é igualmente verdade, segundo os dados acima, que estas
fontes são chamadas a apresentar o mesmo discurso. Segundo
Porto (2003, p. 156):
A
presença do contraditório na cobertura da mídia
é essencial porque tem reflexos diretos na formação
da opinião pública. Quando as mensagens sobre um
tema se caracterizam pela ausência de diversidade de interpretações,
os cidadãos têm menos recursos para pensar criticamente
sobre a questão. A falta de diversidade na comunicação
não contribui para estabelecer um processo democrático
de deliberação política.
Por
fim, quando olhamos para dados que remetem ao aprofundamento jornalístico
das matérias, verificamos que há amplos espaços
para a melhora da qualidade da cobertura. A tabela 6 mostra que,
em geral, as matérias são estritamente factuais
- que aqui quer dizer, avançar pouco na contextualização
- ou, quando muito, avançam um pouco mais e trazem uma
contextualização simplista, lançando mão
de uma ou outra fonte e um ou outro dado. Matérias explicativas,
com mais fontes, dados estatísticos contextualizando o
problema e as legislações que trazem o marco legal
da questão são mais raras e fazem falta quando queremos
agendar com qualidade as pautas da Saúde. Tomemos o exemplo
dos marcos legais, eles estão intrinsecamente ligados ao
entendimento da Saúde enquanto direito do cidadão,
é somente apresentando a fonte deste direito (a legislação)
que esta perspectiva poderá ficar mais evidente. Por outro
lado, também não são comuns os textos que
se arriscam a propor novas configurações para as
questões que estão sendo abordadas e menos ainda
aqueles que buscam avaliar (de maneira opinativa) as temáticas
em pauta. Ainda que estes dois formatos não possam ser
o centro da atividade jornalística, eles são relevantes
para fomentar e estimular o debate.
Tabela
6: Aprofundamento jornalístico da cobertura (% do total
de textos)
| Pesquisa |
Cobertura Factual |
Cobertura Contextual Simples |
Cobertura Contextual Explicativa |
Cobertura Avaliativa |
Cobertura Propositiva |
Menciona Estatísticas |
Menciona Legislação |
| Saúde da Criança |
57 |
29,2 |
7,3 |
2,5 |
3,2 |
39,4 |
5,1 |
| Saúde do Adolescente |
47,7 |
37,8 |
8,7 |
2,7 |
5,2 |
34,5 |
3 |
| Tabaco e Álcool |
- |
- |
- |
- |
- |
55,2 |
- |
| Mídia e Deficiência |
29 |
54,6 |
6,1 |
2,3 |
8 |
15,3 |
19,1 |
| A Mídia como Consultório |
- |
- |
- |
- |
- |
1,9# |
- |
#
Na pesquisa A Mídia como Consultório? a pergunta
era se a matéria utilizava recursos, dentre os quais principalmente
as pesquisas científicas e os dados, para corroborar o
que estava sendo dito ao leitor.
Conclusão
A despeito do crescimento quantitativo da cobertura de saúde
sobre infância e adolescência e dos prováveis
impactos desta cobertura no agendamento das ações
públicas nos últimos anos, há ainda muito
por se fazer no sentido de aprofundar a consistência qualitativa
desta cobertura.
A
saúde ainda é preferencialmente tratada como a ausência
de doenças, as políticas públicas não
ocupam o lugar de destaque que poderiam ocupar e os instrumentos
jornalísticos para o aprofundamento conceitual do material
veiculado ainda são pouco utilizados.
Entretanto,
é preciso reconhecer que um importante passo foi dado:
os meios de comunicação estão discutindo
mais e mais o assunto. Em 1996, todos os temas relativos à
infância foram responsáveis por cerca de 10.000 matérias
nos 50 jornais pesquisados pela Andi, em 2003 somente a cobertura
de Saúde foi responsável por cerca de 10.000 matérias.
O primeiro passo definitivamente foi dado. Por que parar por aí?
Notas
1)
Artigo apresentado no ComSaúde, realizado em Olinda/PE,
em 2004.
2)
Com a exceção da pesquisa de Saúde do Adolescente,
a qual está no prelo, todas as demais foram publicadas
pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância.
As referências bibliográficas completas estão
relacionadas ao final deste paper.
3) Para uma definição completa deste método,
cf. Hansen et. al. (cap. 5, 1998).
4)
As matérias foram selecionadas a partir da metodologia
do mês composto.
5)
As pesquisas aqui mencionadas trabalharam (exceto a de Colunas
de Consulta) com uma base única de 50 jornais representativos
de todas as regiões do país, não obstante,
alguns deles, pelo baixo número de textos sobre a temática,
acabaram não tendo material incluído por força
da metodologia do mês composto. A relação
dos 50 jornais considerados pode ser consultada no anexo I do
presente trabalho.
6)
A relação das colunas pesquisadas pode ser consultada
no anexo II do presente trabalho.
Bibliografia
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
DOS DIREITOS DA INFÂNCIA, UNICEF, CENTRAL DE PROJETOS E
COORDENAÇÃO NACIONAL DST E AIDS - MINISTÉRIO
DA SAÚDE - A mídia como consultório? Uma
análise técnica e jornalística das perguntas
e respostas sobre saúde e comportamento veiculadas pela
mídia imprensa e eletrônica. Brasília, 2002.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Saúde em pauta: doença
e qualidade de vida no olhar da imprensa sobre a infância.
Coordenação Veet Vivarta. São Paulo, Cortez,
2003. Série Mídia e Mobilização Social
- v. 1.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Equilíbrio distante: tabaco,
álcool e adolescência no jornalismo brasileiro. Coordenação
Veet Vivarta. São Paulo, Cortez, 2003. Série Mídia
e Mobilização Social - v. 3.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Que país é este?
Pobreza, desigualdade e desenvolvimento humano e social no foco
da imprensa brasileira. Coordenação Veet Vivarta.
São Paulo, Cortez, 2003. Série Mídia e Mobilização
Social - v. 4.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - O grito dos inocentes: os meios
de comunicação e a violência sexual contra
crianças e adolescentes. Coordenação Veet
Vivarta. São Paulo, Cortez, 2003. Série Mídia
e Mobilização Social - v. 5.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Mídia e deficiência.
Veet Vivarta, coordenação. - Brasília: Andi
; Fundação Banco do Brasil, 2003.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS
DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Imprensa, infância e desenvolvimento
humano. Brasília, 2004. No prelo.
GALTUNG, Johan - "Violência,
paz e investigação sobre a paz.", in: BRAILLARD,
Philippe - Teoria das relações internacionais. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbekian, 1990. pp. 331-357.
HANSEN, Anders, Simon COTTLE, Ralph
NEGRINE e Chris NEWBOLD. Mass communication research methods.
New York: New York University Press, 1998.
PORTO, Mauro - "A importância
do contraditório no conteúdo da mídia",
in: ANDI - Que país é este?. São Paulo: Cortez,
2003, pp. 155-156.
Anexo
I: Jornais Analisados diariamente pela Andi nos períodos
das pesquisas mencionadas:
A Crítica AM
A Gazeta AC
A Gazeta ES
A Gazeta MT
A Notícia SC
A Tarde BA
Correio Braziliense DF
Correio da Bahia BA
Correio da Paraíba PB
Correio de Sergipe SE
Diário Catarinense SC
Diário da Amazônia RO
Diário da Tarde MG
Diário de Cuiabá MT
Diário de Natal RN
Diário de Pernambuco PE
Diário de São Paulo SP
Diário do Nordeste CE
Diário do Pará PA
Estado de Minas MG
Folha de Londrina PR
Folha de São Paulo SP
Folha do Estado MT
Gazeta de Alagoas AL
Gazeta do Povo PR
Gazeta Mercantil SP
Hoje em Dia MG
Jornal da Cidade SE
Jornal da Tarde SP
Jornal de Brasília DF
Jornal do Brasil RJ
Jornal do Commercio PE
Jornal do Tocantins TO
Jornal o Dia PI
Meio Norte PI
O Dia RJ
O Estadão do Norte RO
O Estado de São Paulo SP
O Estado do Maranhão MA
O Globo RJ
O Imparcial MA
O Liberal PA
O Norte PB
O Popular GO
O Povo CE
Tribuna da Bahia BA
Tribuna de Alagoas AL
Tribuna do Norte RN
Valor Econômico SP
Zero Hora RS
Anexo
2: Colunas de Consulta analisadas na pesquisa "A mídia
como Consultório?", com sua respectiva periodicidade:
Caderno Dez! (A Tarde, BA) - seção
"Sexo verbal" Semanal
Suplemento Azul (Diário
de Cuiabá, MT) - seções "Sexo"
e "Saúde" Semanal
Folhateen (Folha de São
Paulo, SP) - seções "Sexo" e "Saúde"
Semanal
For Teens (Meio Norte, PI) - seção
"Sexo sem vergonha" Semanal
Fun (Gazeta do Povo, PR) - seção
"Sexo" Semanal
Tribu (Tribuna de Santos, SP)
- seção "O x do sexo" Semanal
Todateen - seções
"Sexo 100 vergonha" e "Tintim por tintim"
Mensal
Capricho - seções
"Sexoatitude", "Sexo", "Assunto de amiga",
"O especialista", "SOS auto-estima" e "SOS
experiência" Quinzenal
Atrevida - seções
"Sexo seguro", "Namoros e rolos" e "Entre
amigos" Mensal
Meu Amor - seção
"Abra o seu coração" Mensal
O Globo, caderno Jornal da Família
- seção "Qual é o seu problema?",
com a subseção "Medicina" Semanal
Correio Braziliense (DF) - seções
"Consultório Saúde" e "Consultório
Sexual" Semanal
O Dia (RJ) - seções
"Sexo" e "Doutor" Semanal
Folha de S. Paulo - seções
"Pergunte Aqui" Semanal
Ana Maria - seção
"Consultas", dividida em subseções: "Saúde",
"Sexo", "Sentimental", "Beleza"
e "A dúvida da leitora" Semanal
Boa Forma - seção
"Interativa - a gente responde as suas dúvidas"
Mensal
Cláudia - seções
"Sexo" e "Interpessoal" Mensal
Íntima - seção
"Amor e Sexo" Mensal
Isto é - seção
"Sua dúvida" Semanal
Malu - seção "Consulte
quem entende" Mensal
Nova - seção "Conversa
com o Dr. Gaudêncio" Mensal
Plástica - seção
"Tire suas dúvidas", com as subseções:
"Fitness", "Cabelo", "Beleza" e
"Dieta" Mensal
Playboy - seções
"Plantão - qual é o seu problema?" e "Divã
da loura" Mensal
Saúde é Vital -
seção "Correio - você pergunta"
Mensal
Vip - seções "Chame
a Lurdinha" e "Divã da Kika" Mensal
Viva! - seções "Relacionamento",
"Consultório médico", "Saúde"
e "Transas e emoções" Semanal
Note & Anote, TV Record Diário
(segunda a sexta, 14 às 18h)
Peep, MTV Semanal (sexta 22 às
22h30)
MTV Erótica, MTV ---------
São Paulo Agora - Rádio
Jovem Pan/ AM (transmissão nacional) Diário (segunda
a sexta, 14h30 às 16h)
Plugação - Rádio
Transamérica/ FM (transmissão nacional) Semanal
(domingo, 20 às 22h)
Espaço informal - Rádio
Eldorado/ FM (SP) Diário (segunda a sexta, 11 às
13h)
Sexo Oral - Rádio Cidade/
FM (RJ), Rádio 89/ FM (SP) Semanal (quarta, 21 às
22h)
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Guilherme Canela de Souza Godoi
Mestrando em Ciência Política (USP), Coordenador
de Relações Acadêmicas da Andi - Agência
de Notícias dos Direitos da Infância e pesquisador
associado do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política
(NEMP-UnB).
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