Volume 2
Número 2

20 de julho de 2005
 
 * Edição atual    

          A cobertura sobre saúde coletiva à infância e a adolescência: uma análise comparativa do material veiculado por 50 jornais brasileiros (1)

Guilherme Canela de Souza Godoi*

          Resumo

          Os temas relacionados à saúde de crianças e adolescentes são diversos e multifacetados, especialmente em uma nação como a brasileira com carências em distintas áreas. Com o objetivo de mapear como a mídia impressa cobre diferentes assuntos sob este guarda-chuva da saúde, a Agência de Notícias dos Direitos da Infância, sob nossa coordenação de pesquisa e metodologia, produziu distintos mapeamentos relacionados ao tema. Foi avaliado como 50 jornais de grande circulação, suplementos e revistas para jovens veiculam as notícias que estão correlacionadas à saúde materno-infantil, à saúde dos adolescentes e jovens e às questões relativas ao tabaco e álcool. Também foi realizado um amplo levantamento acerca das colunas de consulta, as quais trazem os questionamentos de adolescentes acerca de temáticas variadas, dentre elas a saúde. Nossa proposta de trabalho é apresentar um estudo comparativo entre os dados já coletados por estas diferentes pesquisas empíricas, apontando pontos convergentes e divergentes entre estas distintas coberturas.

          Palavras-chave: 1) Mídia impressa; 2) Infância e Adolescência; 3) Saúde

          1. Introdução

          O que é saúde? Que temas devem ser considerados por uma análise que busca falar sobre saúde? Por certo, não haveria dificuldades em responder que não poderiam ficar de fora os diferentes tipos de enfermidades e as técnicas relacionadas à cura (ou não) destas mesmas enfermidades. Pesquisas científicas, tudo aquilo que envolve a medicina, os indicadores correlacionados aos mais diferentes tipos de doenças e taxas de mortalidade acabam por fazer parte deste rol de questões que, sem dúvida, são inegavelmente relacionados à saúde.

          Entretanto, é possível argumentar que muitos outros temas estão alojados sob este extenso guarda-chuva da saúde: saneamento básico, meio ambiente, lazer e qualidade de vida em geral, drogas, fome, miséria, organismos geneticamente modificados, violência. Violência? Sim, um dos maiores problemas de saúde pública do século passado e deste.

          E as dificuldades em se delimitar uma pesquisa sobre saúde não param por aí. Tendo escolhido o recorte temático, resta ainda definir o que será analisado. Perfil das doenças, perfil dos doentes, qualidade de vida, prevenção, novos medicamentos, políticas públicas para área, questões profissionais são algumas das possibilidades.

          Esta pequena digressão que envolveu apenas as dificuldades em se delimitar as fronteiras de um estudo sobre saúde teve por objetivo determinar a complexidade da temática. Complexidade esta que é acentuada pelo, não raro, caráter extremamente técnico do tema. Linguagem dura, conceitos muito próprios do setor.

          Tal complexidade deve ser vista, portanto, como um elemento que traz dificuldades para a cobertura jornalística acerca desta seara. O reconhecimento da existência de tais dificuldades não tem por objetivo servir como álibi para os deslizes de qualidade encontrados nesta cobertura com alguma freqüência. Ao contrário, nossa proposta é que somente tendo consciência deste caráter multifacetado das questões que se encontram dentro desta grande rubrica da saúde é que os meios de comunicação conseguirão avançar consistentemente na cobertura cotidiana que fazem do tema.

          Nossa proposta no presente artigo é analisar e ressaltar as principais características de uma parte desta relação entre mídia e saúde. Nas próximas páginas estaremos comparando, com riqueza de detalhes, a cobertura jornalística de quatro importantes temáticas que estão diretamente relacionadas ao mundo da saúde.

          Analisaremos as semelhanças e diferenças entre a cobertura, ao longo de um ano, de temáticas que podem ser concebidas como "Saúde da Criança" (da concepção até os 11 anos), "Saúde do Adolescente" (dos 11 aos 17 anos), as matérias sobre Tabaco e Álcool (como foco na criança e no adolescente) e uma análise das colunas de consulta de veículos da grande imprensa e de veículos segmentados para adolescentes e jovens, as quais se ocupam, em grande parte do tempo, em responder questões relacionadas à saúde dos mesmos. Para enriquecer o debate, aqui e acolá, traremos as considerações de duas outras pesquisas correlacionadas ao tema da saúde: uma sobre a cobertura de Exploração e Abuso Sexual e outra sobre a cobertura de Pessoas com Deficiência. (2)

          O texto que se segue está distribuído da seguinte maneira: de início traremos os principais aspectos metodológicos empregados na construção destas diferentes pesquisas, na seqüência apresentaremos uma discussão dos resultados e, por fim, teceremos algumas conclusões.

          2. Aspectos metodológicos

          Todas as pesquisas empíricas supramencionadas contaram com uma metodologia muito semelhante no tocante à coleta do material de pesquisas (as matérias ou as perguntas e respostas no caso da pesquisa "A mídia como consultório?"), na sistematização deste material (classificação das matérias e construção de um banco de dados) e na análise destes mesmos resultados. As diferenças estarão assinaladas no momento apropriado.

          Em todos os casos foi realizada uma clipagem pelo setor responsável da Agência de Notícias dos Direitos da Infância com o intuito de se separar o material que seria efetivamente analisado em cada uma das investigações realizadas.

          O método de análise de mídia utilizado para a sistematização e classificação do material que fez parte das diferentes amostras (ou universos, em alguns casos) foi o da análise de conteúdo (3). De acordo com Hansen et. al (op. cit., p. 123), o método da análise de conteúdo:

          [...] follows a clearly defined set of steps, one of its attractive features, but is also vulnerable to abuse. Fundamentally, those choosing to use content analysis for the study of media content should recognize that content analysis is little more than a set of guidelines about how to analyze and quantify media content in a systematic and reliable fashion.

           Neste sentido, os passos observados foram: definição do universo ou amostra a serem pesquisados, definição de um instrumento para análise das matérias, classificação dos textos jornalísticos segundo este instrumento, inserção no banco de dados, produção dos resultados agregados, análise dos resultados.

          A. Saúde da Criança

          Esta pesquisa analisou uma amostra de 993 (4) matérias (12,33% das 8051 publicadas durante todo o ano de 2001) sobre saúde da criança e publicadas pelos 47 (5) principais veículos de mídia impressa do país. Estas matérias tinham como foco a saúde de crianças até 12 anos, questões sobre embriões e fetos e questões sobre a maternidade adulta. Para que a pesquisa se debruçasse sobre um determinado foco da saúde infantil não foram analisados os seguintes temas os quais têm uma interface direta ou indireta com a saúde: drogas, sexualidade, meio ambiente, violência, AIDS e DSTs.

          Com a amostra definida, passou-se a elaboração do instrumento de pesquisa, o qual, procurou permitir a coleta de dados para a análise futura de dois grandes conjuntos de questões: o primeiro relativo aos temas conectados à saúde infantil per se, o outro relativo aos problemas e assuntos que pudessem identificar se as matérias estavam levando em consideração o contexto maior no qual as questões de saúde estão inseridas, fundamentalmente podemos resumir este contexto maior como sendo a estratégia de desenvolvimento de país nos quais as questões de saúde estão inseridas. Quanto aos temas ligados à saúde o instrumento de pesquisa permitia analisar as seguintes questões:

1) Foco central - qual era a principal preocupação da matéria?
2) Enquadramento: como a matéria enquadrava (tratava) o tema principal abordado? De forma individualizada, de uma perspectiva de política pública, de uma perspectiva do terceiro setor, de uma perspectiva do setor privado ou de uma perspectiva temática/conceitual.
3) Para todas as matérias verificamos se elas traziam discussões sobre: causas, soluções, prevenção, serviços, atores mencionados, tratamento dispensado à população.
4) Questões jornalísticas.

          Nas etapas seguintes a pesquisa seguiu o formato geral anteriormente apresentado.

          B. Saúde do Adolescente

          Já a investigação que buscou entender melhor a cobertura sobre a Saúde do Adolescente contou com dois universos distintos, um se refere aos 48 jornais diários da grande mídia, os quais, durante o ano de 2001, publicaram 670 matérias sobre a saúde do adolescente. O outro se refere a 23 veículos de mídia jovem, os quais, também durante o ano de 2001, publicaram 201 matérias sobre a saúde do adolescente. Sublinhamos que não trabalhamos aqui com uma amostra, como foi o caso da pesquisa sobre Saúde da Criança, mas sim com o total de matérias publicado no período. Estas matérias tinham como foco a saúde de adolescentes de 12 a 17 anos. Para que a pesquisa se debruçasse sobre um determinado foco da saúde do adolescente não foram analisados os seguintes temas os quais têm uma interface direta ou indireta com a saúde: drogas, sexualidade (do ponto de vista comportamental), meio ambiente, violência, AIDS e DSTs.

          O instrumento, ainda que com diferença nas categorias por motivos óbvios, apresentou a mesma estrutura conceitual daquele desenvolvido para a pesquisa de Saúde da Criança, até mesmo para permitir comparação. As demais etapas também apresentam a mesma concepção.

          C. A Mídia como Consultório?

          Esta investigação analisou, em média, sete edições de 35 colunas de diferentes veículos de mídia adulta e mídia jovem veiculadas entre os meses de setembro de 2001 e março de 2002 (6).

          Destas edições foram extraídas 1326 perguntas e respostas sobre os seguintes temas:

a) AIDS/DSTs;
b) Drogas;
c) Família;
d) Gravidez;
e) Saúde em Geral;
f) Saúde reprodutiva e sexual;
g) Sexualidade;
h) Educação sexual;
i) Orientação sexual;
j) Questões psicológicas e de relacionamento;
l) Violência.

          De posse da amostra se deu a elaboração do instrumento de pesquisa que foi, então, utilizado para a classificação de cada uma das perguntas/respostas veiculadas no período. Ou seja, ao contrário de outras análises de mídia realizadas pela ANDI a pesquisa criou um instrumento de análise de perguntas/respostas e não de textos jornalísticos. Tal novidade trouxe novos desafios, pois era necessário aproveitar ao máximo as informações contidas em, às vezes, cinco linhas publicadas. Neste sentido, buscou-se saber, para cada conjunto de pergunta/reposta:

          a) a idade, sexo, cidade e identificação (ou não) dos consulentes e consultores (além da especialidade destes); b) o foco da pergunta; c) o tipo de enfoque das respostas; d) se a resposta indicava serviços; e) se mencionava protagonismo; f) se falava em prevenção; g) se apresentava conseqüências; i) se apresentava mais de um caminho a ser seguido diante da dúvida apresentada; j) se era normativa; k) se discutia gênero; dentre outras questões.

           A seqüência da análise é semelhante ao que foi já discutido para as outras pesquisas.

           D. Tabaco e Álcool

          Para este trabalho empírico levou-se em conta o período entre janeiro e dezembro de 2001. Foram avaliados 303 textos (universo publicado no período): 239 matérias veiculadas em 49 jornais e mais 64 publicadas em 30 veículos direcionados aos jovens - 26 suplementos de jornais e quatro revistas de circulação nacional. Nesta pesquisa foi possível analisar aspectos muito próximos aos já mencionados anteriormente.

          E. Exploração e Abuso Sexual

          A amostra desta pesquisa foi selecionada durante os 18 meses compreendidos entre o primeiro semestre de 2000 e o primeiro semestre de 2001. Dada a impossibilidade da realização de um censo, isto é, da análise de todo o universo de inserções, lançou-se mão, como já ocorreu em outras pesquisas da ANDI, de uma adaptação da metodologia do mês composto para a elaboração da amostra que foi utilizada para a presente pesquisa. Com os dias da amostra construídos foram selecionadas 718 inserções, o que perfaz cerca de 20% do universo.

          Evidentemente esta pesquisa contou com um instrumento de pesquisa mais abrangente, no qual, as questões de saúde apareceram de maneira lateral.

          F. Mídia e Diversidade

          Por fim, estabeleceremos algumas comparações com a pesquisa que teve como foco central as questões relacionadas às pessoas com deficiência. A investigação analisou uma amostra de 1192 matérias publicadas ao longo do ano de 2002. Duas foram as metodologias utilizadas para a definição dos dias que comporiam a amostra: 1) primeiro foi sorteado um mês composto, ou seja, foram escolhidos aleatoriamente 31 dias ao longo do ano de 2002, os quais procuram representar a formatação dos meses e dos dias da semana ao longo do ano, por este método foram selecionadas 747 matérias; 2) decidiu-se também realizar uma análise acerca dos dias do ano que representam datas comemorativas ligadas ao tema das deficiências, assim foram selecionadas 445 matérias nestes dias. Escolhidos os dias, as matérias foram selecionadas, eletronicamente, a partir de uma lista de palavras-chave.

           Diferentemente da maioria das pesquisas já realizadas pela ANDI, a amostra selecionada não está restrita ao universo de matérias que citam crianças, adolescentes e jovens, mas sim ao total de matérias que continham uma das palavras-chave escolhidas; daí a discrepância entre o número de matérias analisadas por esta pesquisa e o número de matérias clipadas pela ANDI ao longo do ano de 2002 acerca do tema deficiências: 909.

          Efetivamente, a temática da deficiência não deve ser tratada preferencialmente sob a ótica da saúde, ao contrário. Havia questões no instrumento, entretanto, que nos permitiram identificar o quanto os jornais adotam esta perspectiva - no fundo, tratar as deficiências como doenças, quando não são.

          3. Discussões

          Como deve ter sido possível notar pelas breves descrições do que foi analisado em cada uma das pesquisas, muitas seriam as possibilidades de estabelecermos comparações entre estas diferentes coberturas da imprensa nacional.

          Não obstante, pelas limitações de escopo deste paper, concentraremos nossa análise em quatro conjuntos de aspectos:

1) a abordagem das questões de saúde sob uma perspectiva da doença;
2) os enquadramentos das matérias, especialmente as políticas públicas;
3) e questões jornalísticas propriamente ditas.

          Antes, contudo, de adentramos em cada um destes aspectos achamos relevante tecer alguns comentários sobre a evolução mais geral da cobertura da imprensa em relação às temáticas da saúde infantil e da adolescência e em relação à saúde enquanto uma política pública de alta relevância.

          As teorias do agendamento nos ensinam que as políticas públicas caminham pari passu com as temáticas que são privilegiadas pelos meios de comunicação. Neste sentido, em termos quantitativos, para as temáticas relevantes para a infância e adolescência, os meios de comunicação têm, ao longo dos últimos seis anos, dado destaque para três importantes questões públicas ainda por resolver no Brasil e em boa parte do planeta: educação, violência e saúde. Os dados sobre os temas mais abordados pelos 50 jornais analisados diariamente pela Andi no período 1996-2002 mostram que a temática saúde é o terceiro tema mais abordado pela imprensa e pode mudar de posição se a ela somarmos irmãos naturais como drogas e mortalidade infantil (para não falarmos da violência e da exploração e abuso sexual).

          Quando olhamos para o mundo real sem as lentes da imprensa, percebemos que há uma correlação nesta preocupação com a temática da saúde, em particular. Em 1996, as taxas de imunização de crianças e adolescentes brasileiros, de acordo com os World Development Indicators do Banco Mundial, eram inferiores a 80%, em 2002 eram superiores a 95%. Houve melhoras importantes nas taxas de mortalidade infantil e de expectativa de vida.

          Na negociação das chamadas Metas do Milênio - acordo assinado por chefes de Estado de todos os países membros das Nações Unidas através do qual foram estabelecidas metas efetivas a serem cumpridas por estes países até 2015 - nada menos do que 3 das 8 metas acordas estão relacionadas diretamente às questões de saúde. Não nos parece irrealista supor que o destaque dado pelos meios de comunicação às questões de saúde foi importante para que esta discussão ganhasse tanta relevância entre os tomadores de decisão.

          Quadro 1 - Metas relacionadas diretamente à área da saúde

Reduzir a mortalidade infantil
Reduzir em dois terços as taxas de mortalidade infantil e de crianças abaixo de 5 anos de idade

Melhorar a saúde materna
Reduzir a taxa de mortalidade materna em três quartos

Combater o HIV/Aids, Malária e outras doenças
Estancar e começar a reverter a propagação do HIV/Aids
Estancar e começar a reverter a incidência da malária e outras doenças

          Contudo, conforme ressaltamos, esta não desprezível presença da temática saúde no bojo da cobertura sobre infância e adolescência (foram 10310 textos jornalísticos em 2003) não implica, necessariamente, em uma cobertura de qualidade. Estaremos apontando alguns pontos referentes a este desafio nas próximas subseções.

          A. Saúde ou doença?

          Uma das mais contundentes constatações nestas diferentes pesquisas é a de que a mídia cobre preferencialmente as doenças que afetam população infanto-juvenil e as formas de superá-las. Não há, na mesma proporção, uma cobertura que privilegie a qualidade de vida, a prevenção a estes mesmos males, isto é, uma cobertura mais pró-ativa, mais contextualizada e, logo, mais completa.

          Este é um debate conceitual importante. Seria a saúde tão somente, ou até mesmo principalmente, a ausência de doenças? A mesma pergunta foi colocada por Johan Galtung (1990) em relação à paz: seria a paz a ausência de violência? A resposta para Galtung é evidentemente negativa, a paz implica em muito mais do que a ausência de violência. Caso caminhemos com nossa reflexão na mesma direção de Galtung, teremos que aceitar que a cobertura é parcial, devendo avançar mais.

          Por que, afinal, afirmamos que a perspectiva da cobertura é a doença e não a saúde? Alguns são os dados que nos permitem chegar a esta conclusão. Um dos mais contundentes está na pesquisa "A mídia como consultório?". Pelo levantamento feito 6% das respostas que tratavam de temas relativos à saúde tocaram em questões relativas à qualidade de vida, as demais se limitavam a tentar apontar caminhos pragmáticos para os problemas também pragmáticos colocados por que eles que fizeram consultas às colunas.

          Outra constatação importante vem da pesquisa de Exploração e Abuso Sexual. Nesta há uma perspectiva total de se relatar a violência sofrida pelas vítimas, entretanto, não se aproveita o ensejo para trabalhar questões como a saúde mental de vítimas e agressores (1,4% e 0% das matérias, respectivamente, o fazem).

          Na investigação sobre a cobertura de Deficiência também temos um processo semelhante. Em muitas matérias as deficiências são encaradas como doença, um mal que precisa ser resolvido. Com este tipo de perspectiva se perde a oportunidade de se abordar os direitos das pessoas com deficiências, as formas necessárias para aumentar a sua qualidade de vida na condição de cidadãos. A caracterização da deficiência como doença pode ser verificada por diferentes dados da pesquisa: 19,5% das matérias se ocupam centralmente das novas tecnologias biomédicas e tratamentos desenvolvidos para as pessoas com deficiência; 27,5% dos textos apresentam causas biológicas para os problemas relacionados às pessoas com deficiência; 28,3% apresentam conseqüências físicas nos textos sobre deficiências; 19,1% apresentam cuidados médicos e clínicos como solução.

          Duas outras questões, através das quais poderemos comparar diferentes pesquisas, nos permitem verificar mais de perto esta perspectiva de doença na cobertura de saúde. A primeira delas é a prevenção: em nenhuma das sondagens feitas a discussão de prevenção nas matérias superou os 50% - em muitos casos está bem distante disso, como pode ser verificado na tabela 1 abaixo. As discussões sobre prevenção, evidentemente, assumem uma perspectiva mais voltada à saúde do que a doença, a cobertura se dá em outra linguagem, busca ao mesmo tempo cobrar políticas preventivas dos governos e apresentar serviços aos leitores, indicando como adotar práticas preventivas. Entretanto, esta ainda não é a regra na imprensa.

           Tabela 1: Percentagem de matérias que apresentaram uma perspectiva preventiva*

Pesquisa Apresentou uma perspectiva de prevenção (%) Não apresentou uma perspectiva de prevenção (%)
Saúde da Criança 41,55 58,45
Saúde do Adolescente 32,3 67,7
Tabaco e Álcool 39,3 60,7
A Mídia como Consultório 22,0 78,0

          * A pergunta foi feita apenas para as matérias nas quais se aplicava falar de prevenção, no caso da pesquisa "A Mídia como Consultório?" foram consideradas especificamente a prevenção às DST/Aids e à Gravidez.

          Um outro comportamento da imprensa que indicaria uma postura de entender a Saúde de forma mais ampla e não como a ausência de doença é a identificação das populações relacionadas à temática como detentores de direitos. Esta perspectiva de sujeitos de direitos implementada pela Constituição de Federal de 1988 e consolidada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente é central para compreendermos as políticas públicas, no caso a de saúde, como algo além do atendimento direto, como algo além de "favores" do Estado. A qualidade de vida, no seu sentido mais amplo, e, portanto, a saúde são direitos dos cidadãos e, quando entendidas e divulgadas nesta perspectiva, tenderão a formar cidadãos (e eleitores) mais críticos e conscientes daquilo que podem cobrar ativamente do Estado. A tabela 2 compara a abordagem centrada no entendimento de crianças, adolescentes e pessoas com deficiência como sujeitos de direitos:

          Tabela 2: Percentagem de matérias que apresentaram crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e demais pessoas como sujeitos de direitos

Pesquisa Tratou a população como detentora dos direitos (%) Não apresentou uma perspectiva de prevenção (%)
Saúde da Criança 1,8 98,2
Saúde do Adolescente 3,1 96,9
Mídia e deficiência 14,1 85,9

          Portanto, com estes indicadores podemos apontar a tendência dos meios de comunicação em trazerem uma abordagem da saúde mais identificada com a doença (e a superação da mesma) e menos identificada com uma perspectiva mais ampla de direito social da população e de garantia da qualidade de vida. É preciso avançar nesta direção.

          B. Políticas Públicas - cobertura natural?

           Entender a Saúde como uma Política Pública parece ser o caminho natural da cobertura sobre a temática, entretanto não é isto o que ocorre em boa parte do trabalho jornalístico da mídia impressa brasileira. As histórias individualizadas e os trabalhos científicos (para ficarmos em dois outros enquadramentos possíveis) têm espaço cativo nas páginas dos jornais e, não raro, superam a abordagem da Saúde como uma política pública que deveria ser universal e proporcionada a toda a população. A tabela 3 ilustra estes resultados.

          Tabela 3: Como as diferentes pautas são enquadradas pelos jornais (em %)*

Pesquisa Individualizado Política Pública Setor Privado Sociedade Civil Temático#
Saúde da Criança 8,8 47 2,1 11,4 30,7
Saúde do Adolescente 19,4 30 1,6 6,6 38,5
Tabaco e Álcool 6,7 28,9 0,8 13,4 50,2
Mídia e Deficiência 12,2 26,3 8,8 21 31,7
Exploração e Abuso Sexual 9,9 - - - -

          * Para a Pesquisa de Exploração e Abuso Sexual só foi verificado se havia um enquadramento de política pública ou não. Na pesquisa de Saúde do Adolescente foi considerado um outro enquadramento chamado de Intersetorial (quando dois ou mais setores apareceriam juntos), este enquadramento foi responsável por 3,9% das matérias.

           # No enquadramento temático estão aquelas matérias mais conceituais, por exemplo, as que falam dos efeitos do álcool no cérebro, sem, contudo, associar a uma pessoa ou a um tipo de ator social específico (Estado, Mercado ou Sociedade Civil).

          Tomemos o caso da exploração e do abuso sexual: 9,9% das matérias apresentam uma perspectiva de política pública. O restante, fundamentalmente, está centrado no relato dos crimes cometidos e sofridos, ou seja, nas histórias individuais. A pergunta que fica, e ela pode ser estendida às outras temáticas, é em que medida este tipo de cobertura colabora efetivamente para pautar o Estado no sentido de que adote uma política efetiva de enfrentamento da questão?

          O mesmo vale para a questão temática. Não podemos deixar de reconhecer a relevância de mais uma matéria sobre os efeitos do álcool no desempenho sexual dos camundongos. Contudo, em que medida estes achados serão transformados em políticas efetivas de saúde pública? Aliás, quais são as políticas de saúde pública para a questão do Álcool e do Cigarro?

          Neste sentido, questões importantes como orçamento, alterações legislativas, programas governamentais existentes e que deveriam existir, acompanhamento das metas que deveriam estar sendo cumpridas e muitas outras são deixadas de lado. Poderíamos avançar mais se contássemos com outro enquadramento?

          C. Questões jornalísticas

           Dentre as muitas questões jornalísticas analisadas pelas pesquisas, duas nos parecem de maior relevância neste momento: a pluralidade de vozes e opiniões e a profundidade de discussão das temáticas.

          Nestes dois casos também encontramos a necessidade de avançarmos mais consistentemente com vistas a melhorarmos qualitativamente a cobertura. São poucos os materiais que dão voz à população (crianças, adolescentes, familiares e pessoas em geral), interessada última nas discussões sobre saúde (cf. tabela 4). Não são poucos os textos jornalísticos que apresentam mais de uma fonte de informação, contudo, é muito pequeno o número daqueles que apresentam opiniões divergentes (tabela 5).

           Tabela 4: Percentual de matérias nas quais a fonte principal é um cidadão sem vínculos institucionais (crianças, adolescentes, pais, familiares, pessoas com deficiência, usuários do sistema de saúde).

Pesquisa %
Saúde da Criança 10,4
Saúde do Adolescente 15,7
Tabaco e Álcool 15,8
Mídia e Deficiência 20,9
Exploração e Abuso Sexual 6,3

          Tabela 5: Percentual de matérias nos quais há mais de uma fonte e percentual de matérias nos quais há opiniões divergentes

Pesquisa % Com mais de uma fonte % Com opiniões divergentes
Saúde da Criança 41 3,7
Saúde do Adolescente 41,5 5,2
Tabaco e Álcool 49,8 6,7
Mídia e Deficiência 40,1 4,2
A Mídia como Consultório - 58,5#

          # Para a pesquisa A Mídia como Consultório, na verdade, a pergunta era se a resposta indicava mais de um caminho a ser seguido por aquela pessoa que estava em dúvida.

           Dar voz aos usuários do sistema de saúde e àqueles diretamente atingidos pelas questões que estão na pauta da imprensa é fundamental para que o agendamento do setor público também se dê segundo as perspectivas daqueles que vão estar na ponta final das políticas públicas. Em uma sociedade democrática, na qual há conflitos de interesses e diferentes visões sobre os melhores cursos de ação, é central que as matérias tragam as mais amplas reflexões possíveis, para que a agenda pública não seja monopolizada por uma ou outra discussão. Se é verdade que muitas matérias trazem mais de uma fonte de informação, é igualmente verdade, segundo os dados acima, que estas fontes são chamadas a apresentar o mesmo discurso. Segundo Porto (2003, p. 156):

          A presença do contraditório na cobertura da mídia é essencial porque tem reflexos diretos na formação da opinião pública. Quando as mensagens sobre um tema se caracterizam pela ausência de diversidade de interpretações, os cidadãos têm menos recursos para pensar criticamente sobre a questão. A falta de diversidade na comunicação não contribui para estabelecer um processo democrático de deliberação política.

          Por fim, quando olhamos para dados que remetem ao aprofundamento jornalístico das matérias, verificamos que há amplos espaços para a melhora da qualidade da cobertura. A tabela 6 mostra que, em geral, as matérias são estritamente factuais - que aqui quer dizer, avançar pouco na contextualização - ou, quando muito, avançam um pouco mais e trazem uma contextualização simplista, lançando mão de uma ou outra fonte e um ou outro dado. Matérias explicativas, com mais fontes, dados estatísticos contextualizando o problema e as legislações que trazem o marco legal da questão são mais raras e fazem falta quando queremos agendar com qualidade as pautas da Saúde. Tomemos o exemplo dos marcos legais, eles estão intrinsecamente ligados ao entendimento da Saúde enquanto direito do cidadão, é somente apresentando a fonte deste direito (a legislação) que esta perspectiva poderá ficar mais evidente. Por outro lado, também não são comuns os textos que se arriscam a propor novas configurações para as questões que estão sendo abordadas e menos ainda aqueles que buscam avaliar (de maneira opinativa) as temáticas em pauta. Ainda que estes dois formatos não possam ser o centro da atividade jornalística, eles são relevantes para fomentar e estimular o debate.

          Tabela 6: Aprofundamento jornalístico da cobertura (% do total de textos)

Pesquisa Cobertura Factual Cobertura Contextual Simples Cobertura Contextual Explicativa Cobertura Avaliativa Cobertura Propositiva Menciona Estatísticas Menciona Legislação
Saúde da Criança 57 29,2 7,3 2,5 3,2 39,4 5,1
Saúde do Adolescente 47,7 37,8 8,7 2,7 5,2 34,5 3
Tabaco e Álcool - - - - - 55,2 -
Mídia e Deficiência 29 54,6 6,1 2,3 8 15,3 19,1
A Mídia como Consultório - - - - - 1,9# -

          # Na pesquisa A Mídia como Consultório? a pergunta era se a matéria utilizava recursos, dentre os quais principalmente as pesquisas científicas e os dados, para corroborar o que estava sendo dito ao leitor.

          Conclusão

           A despeito do crescimento quantitativo da cobertura de saúde sobre infância e adolescência e dos prováveis impactos desta cobertura no agendamento das ações públicas nos últimos anos, há ainda muito por se fazer no sentido de aprofundar a consistência qualitativa desta cobertura.

          A saúde ainda é preferencialmente tratada como a ausência de doenças, as políticas públicas não ocupam o lugar de destaque que poderiam ocupar e os instrumentos jornalísticos para o aprofundamento conceitual do material veiculado ainda são pouco utilizados.

          Entretanto, é preciso reconhecer que um importante passo foi dado: os meios de comunicação estão discutindo mais e mais o assunto. Em 1996, todos os temas relativos à infância foram responsáveis por cerca de 10.000 matérias nos 50 jornais pesquisados pela Andi, em 2003 somente a cobertura de Saúde foi responsável por cerca de 10.000 matérias. O primeiro passo definitivamente foi dado. Por que parar por aí?

          Notas

          1) Artigo apresentado no ComSaúde, realizado em Olinda/PE, em 2004.

          2) Com a exceção da pesquisa de Saúde do Adolescente, a qual está no prelo, todas as demais foram publicadas pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância. As referências bibliográficas completas estão relacionadas ao final deste paper.

           3) Para uma definição completa deste método, cf. Hansen et. al. (cap. 5, 1998).

          4) As matérias foram selecionadas a partir da metodologia do mês composto.

          5) As pesquisas aqui mencionadas trabalharam (exceto a de Colunas de Consulta) com uma base única de 50 jornais representativos de todas as regiões do país, não obstante, alguns deles, pelo baixo número de textos sobre a temática, acabaram não tendo material incluído por força da metodologia do mês composto. A relação dos 50 jornais considerados pode ser consultada no anexo I do presente trabalho.

          6) A relação das colunas pesquisadas pode ser consultada no anexo II do presente trabalho.

          Bibliografia

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA, UNICEF, CENTRAL DE PROJETOS E COORDENAÇÃO NACIONAL DST E AIDS - MINISTÉRIO DA SAÚDE - A mídia como consultório? Uma análise técnica e jornalística das perguntas e respostas sobre saúde e comportamento veiculadas pela mídia imprensa e eletrônica. Brasília, 2002.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Saúde em pauta: doença e qualidade de vida no olhar da imprensa sobre a infância. Coordenação Veet Vivarta. São Paulo, Cortez, 2003. Série Mídia e Mobilização Social - v. 1.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Equilíbrio distante: tabaco, álcool e adolescência no jornalismo brasileiro. Coordenação Veet Vivarta. São Paulo, Cortez, 2003. Série Mídia e Mobilização Social - v. 3.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Que país é este? Pobreza, desigualdade e desenvolvimento humano e social no foco da imprensa brasileira. Coordenação Veet Vivarta. São Paulo, Cortez, 2003. Série Mídia e Mobilização Social - v. 4.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - O grito dos inocentes: os meios de comunicação e a violência sexual contra crianças e adolescentes. Coordenação Veet Vivarta. São Paulo, Cortez, 2003. Série Mídia e Mobilização Social - v. 5.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Mídia e deficiência. Veet Vivarta, coordenação. - Brasília: Andi ; Fundação Banco do Brasil, 2003.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA - Imprensa, infância e desenvolvimento humano. Brasília, 2004. No prelo.

GALTUNG, Johan - "Violência, paz e investigação sobre a paz.", in: BRAILLARD, Philippe - Teoria das relações internacionais. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1990. pp. 331-357.

HANSEN, Anders, Simon COTTLE, Ralph NEGRINE e Chris NEWBOLD. Mass communication research methods. New York: New York University Press, 1998.

PORTO, Mauro - "A importância do contraditório no conteúdo da mídia", in: ANDI - Que país é este?. São Paulo: Cortez, 2003, pp. 155-156.

          Anexo I: Jornais Analisados diariamente pela Andi nos períodos das pesquisas mencionadas:

A Crítica AM
A Gazeta AC
A Gazeta ES
A Gazeta MT
A Notícia SC
A Tarde BA
Correio Braziliense DF
Correio da Bahia BA
Correio da Paraíba PB
Correio de Sergipe SE
Diário Catarinense SC
Diário da Amazônia RO
Diário da Tarde MG
Diário de Cuiabá MT
Diário de Natal RN
Diário de Pernambuco PE
Diário de São Paulo SP
Diário do Nordeste CE
Diário do Pará PA
Estado de Minas MG
Folha de Londrina PR
Folha de São Paulo SP
Folha do Estado MT
Gazeta de Alagoas AL
Gazeta do Povo PR
Gazeta Mercantil SP
Hoje em Dia MG
Jornal da Cidade SE
Jornal da Tarde SP
Jornal de Brasília DF
Jornal do Brasil RJ
Jornal do Commercio PE
Jornal do Tocantins TO
Jornal o Dia PI
Meio Norte PI
O Dia RJ
O Estadão do Norte RO
O Estado de São Paulo SP
O Estado do Maranhão MA
O Globo RJ
O Imparcial MA
O Liberal PA
O Norte PB
O Popular GO
O Povo CE
Tribuna da Bahia BA
Tribuna de Alagoas AL
Tribuna do Norte RN
Valor Econômico SP
Zero Hora RS

          Anexo 2: Colunas de Consulta analisadas na pesquisa "A mídia como Consultório?", com sua respectiva periodicidade:

Caderno Dez! (A Tarde, BA) - seção "Sexo verbal" Semanal

Suplemento Azul (Diário de Cuiabá, MT) - seções "Sexo" e "Saúde" Semanal

Folhateen (Folha de São Paulo, SP) - seções "Sexo" e "Saúde" Semanal

For Teens (Meio Norte, PI) - seção "Sexo sem vergonha" Semanal

Fun (Gazeta do Povo, PR) - seção "Sexo" Semanal

Tribu (Tribuna de Santos, SP) - seção "O x do sexo" Semanal

Todateen - seções "Sexo 100 vergonha" e "Tintim por tintim" Mensal

Capricho - seções "Sexoatitude", "Sexo", "Assunto de amiga", "O especialista", "SOS auto-estima" e "SOS experiência" Quinzenal

Atrevida - seções "Sexo seguro", "Namoros e rolos" e "Entre amigos" Mensal

Meu Amor - seção "Abra o seu coração" Mensal

O Globo, caderno Jornal da Família - seção "Qual é o seu problema?", com a subseção "Medicina" Semanal

Correio Braziliense (DF) - seções "Consultório Saúde" e "Consultório Sexual" Semanal

O Dia (RJ) - seções "Sexo" e "Doutor" Semanal

Folha de S. Paulo - seções "Pergunte Aqui" Semanal

Ana Maria - seção "Consultas", dividida em subseções: "Saúde", "Sexo", "Sentimental", "Beleza" e "A dúvida da leitora" Semanal

Boa Forma - seção "Interativa - a gente responde as suas dúvidas" Mensal

Cláudia - seções "Sexo" e "Interpessoal" Mensal

Íntima - seção "Amor e Sexo" Mensal

Isto é - seção "Sua dúvida" Semanal

Malu - seção "Consulte quem entende" Mensal

Nova - seção "Conversa com o Dr. Gaudêncio" Mensal

Plástica - seção "Tire suas dúvidas", com as subseções: "Fitness", "Cabelo", "Beleza" e "Dieta" Mensal

Playboy - seções "Plantão - qual é o seu problema?" e "Divã da loura" Mensal

Saúde é Vital - seção "Correio - você pergunta" Mensal

Vip - seções "Chame a Lurdinha" e "Divã da Kika" Mensal

Viva! - seções "Relacionamento", "Consultório médico", "Saúde" e "Transas e emoções" Semanal

Note & Anote, TV Record Diário (segunda a sexta, 14 às 18h)

Peep, MTV Semanal (sexta 22 às 22h30)

MTV Erótica, MTV ---------

São Paulo Agora - Rádio Jovem Pan/ AM (transmissão nacional) Diário (segunda a sexta, 14h30 às 16h)

Plugação - Rádio Transamérica/ FM (transmissão nacional) Semanal (domingo, 20 às 22h)

Espaço informal - Rádio Eldorado/ FM (SP) Diário (segunda a sexta, 11 às 13h)

Sexo Oral - Rádio Cidade/ FM (RJ), Rádio 89/ FM (SP) Semanal (quarta, 21 às 22h)

 

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Guilherme Canela de Souza Godoi
Mestrando em Ciência Política (USP), Coordenador de Relações Acadêmicas da Andi - Agência de Notícias dos Direitos da Infância e pesquisador associado do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP-UnB).

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