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A
mão que afaga: o acordo antifumo no Senado Federal
Henrianne Barbosa*
Toma um fósforo. Acende
teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Augusto dos Anjos (1)
Cigarro
e lucro exorbitante, cigarro e miséria, cigarro e cinema,
cigarro e religião, cigarro e saúde, cigarro e morte.
Cigarro e política: até novembro de 2005, o Senado
Federal vai decidir se ratifica ou não o primeiro tratado
internacional de saúde pública, a Convenção-Quadro
para o Controle do Tabaco (2). Desde o ano passado, os senadores
estão promovendo audiências públicas para
discutir o assunto. Os plantadores e indústrias tabagistas
estão fazendo um forte "lobby" no Congresso e
a Convenção corre o risco de não ser validada,
ou ter apenas algumas de suas proposições aceitas.
Precisamos nos posicionar. Mas antes de mostrar a importância
da participação, volto-me a Augusto dos Anjos. Indago:
há alguém ainda causa pena a nossa chaga? O número
de fumantes no Brasil diminuiu. A legislação antitabagista
no país é bastante avançada. É realmente
necessário envolver-se nessa luta? Inicio a resposta com
o cigarro e três homens. Prossigo, a vasculhar as junções
entre nicotina e vida - associação espúria
-, entre nicotina e poder, no Senado Federal.
Cigarros
acessos
Cigarro
e três homens: letras presas à nicotina; escrita
a serviço do cigarro; palavra que se liberta, em desenhos.
Em comum, o vício: consumindo a vida, que para ser vida,
respira a morte; propagando a morte, em dependência venal;
há também, homem que rompe com o fôlego cinzento
e esfumaçado, de uma vez por todas.
Primeiro,
o médico João Guimarães Rosa, mais conhecido
na sua função de escritor, fumou, e muito, assim
como tantos "Joões" do Brasil continuam fazendo.
A fumaça o pegou por dentro, nas fibras mais íntimas,
intimidando-o. Dependia dela, enfraqueceu-se. Pressão alta,
problemas cardiovasculares, "fome-e-sede tabágica",
na tentativa de se ver livre dos maços.
... também estive mesmo doente, com apertos de alergia
nas vias respiratórias; daí, tive de deixar de fumar
(coisa tenebrosa!) e, até hoje (cabo de 34 dias!), a falta
de fumar me bota vazio, vago, incapaz de escrever cartas, só
no inerte letargo árido dessas fases de desintoxicação.
Oh coisa feroz. Enfim, hoje, por causa do Natal chegando e de
mais mil-e-tantos motivos, aqui estou eu, heróico e pujante,
desafiando a fome-e-sede tabágica das pobrezinhas das células
cerebrais. Não repare (3).
Tentativas
trágicas, sofridas; mas sabia-se: necessárias. E,
por fim, malogradas: Guimarães Rosa não conseguiu
se livrar do vício fosfórico. "A gente vai
vivendo, vai empurrando, vai rezando e agüentando",
disse em carta escrita aos pais, em 1964, ao relatar seu difícil
estado de saúde. Compreensível, pois "nenhuma
droga causa mais crises de abstinência que o cigarro. É
mais fácil largar a cocaína do que parar de fumar",
afirmou o médico Dráuzio Varella (4). Segundo a
Organização Mundial de Saúde (OMS), 80% das
pessoas que fumam querem parar, mas apenas 5% conseguem. Dependência
tenebrosa!
Fernando
Morais, autor de best seller. Fuma, quer continuar fumando, e
estende a mão à indústria tabagista. Convidado
a escrever um livro sobre a indústria Souza Cruz, aceitou,
sem hesitações, assim como fazem diversos sites
e instituições no país, para financiar suas
próprias atividades. Conta: "eu estava precisando
de dinheiro, e a Souza Cruz estava fazendo cem anos, mais ou menos
na mesma época. Eles me perguntaram se eu faria o livro,
e eu disse que não teria problema, já que eu sou
um tabagista militante" (5). Não que esse seja o caso,
mas não é incomum encontrar amantes do cigarro que
também são voluptuosos amantes do dinheiro. Não
é para menos. A indústria do cigarro é uma
verdadeira máquina de fazer fortuna. Um dólar de
investimento rende em média 60 dólares. "Então
se é um absurdo, segundo alguns analistas, o lucro do setor
bancário, o lucro do setor fumageiro é um absurdo
multiplicado por quatro (sic)", afirmou Albino Guever, da
Central Única dos Trabalhadores, em audiência pública
sobre a Convenção-Quadro (6). É a indústria
que mais lucra no Brasil.
Vício
repleto de venalidade: cigarro e fortuna. Mas há também
o outro lado da moeda, sua face miserável, seca, sem viço:
cigarro e miséria. Viciados em nicotina, por vezes, deixam
de comprar comida, para comprar a droga. De acordo com estudos,
apresentados pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, em
um país pobre como Bangladesh, se as pessoas deixassem
de fumar haveria 10 milhões a menos de desnutridos, por
conta do desvio do recurso que sai do consumo alimentar para a
aquisição de cigarros (7). No Brasil, onde o preço
do cigarro é o sexto mais barato do mundo, a situação
não é muito diferente.
O
cigarro e o terceiro homem. O articulista e jornalista Ziraldo
fumou por 37 anos e chegava a consumir mais de 60 cigarros por
noite, enquanto trabalhava. "Eu era um escravo dessa porcaria.
E de manhã o estúdio tinha um odor fétido,
minha boca estava um horror, eu estava liquidado" (8). Mesmo
após fazer uma campanha para o Ministério da Saúde
contra o hábito de fumar, ele persistiu nas tragadas. Parou
com o vício, em uma madrugada, em que pintava, quando se
deu conta de que seis cigarros estavam acessos, em cinzeiros espalhados
pelo seu estúdio, até que um toco esfumaçado
estragou o seu desenho.
Ziraldo
foi um símbolo da luta contra o tabaco na década
de 80 - verdadeira guerra que começou com o médico
José Rosemberg, autor do primeiro livro científico
sobre o tabagismo, "Tabagismo: Sério Problema de Saúde
Pública", publicado em 1979. Segundo Rosemberg, as
primeiras pesquisas internacionais começaram na década
de 50, e as decisões antitabagistas por parte do governo
tiveram início em 1970. Antes disso, existiram apenas algumas
vozes isoladas, mas sensatas, como o da escritora norte-americana
Ellen G. White (9), que falou dos males do tabaco já no
século 19, enquanto médicos acreditavam que o fumo
podia até mesmo ser usado como remédio. "O
Brasil é o país mais atrasado. Há dez anos,
praticamente ninguém falava dos perigos do tabaco. Hoje
a própria mídia vem falando. Há um artigo
sobre o tabaco uma vez por semana" (10), afirmou Rosemberg,
em entrevista concedida em 27 de maio de 2005.
Sim,
fala-se muito contra o cigarro. Contudo, a indústria tabagista
está firme no seu objetivo de transformar consumidores
em escravos. Expulso das telas televisivas e de "outdoors",
o cigarro tem invadido o cinema. De acordo pesquisa feita nos
Estados Unidos, em 2003, com 2.603 jovens, o fumo nos filmes é
responsável por cerca de 52% da iniciação
do vício, na faixa etária de 10 a 14 anos. Jovens
que assistem a cenas com cigarro têm até três
vezes mais chances de dar sua primeira baforada. Desde a década
de 50, os filmes aumentaram a propagação de imagens
ligadas ao fumo. "O cigarro, que no passado esteve associado
à imagem de sensualidade, poder e rebeldia, voltou a estar
presente, e de forma cada vez mais freqüente, nas cenas dos
filmes contemporâneos" (11). Além da indústria
cinematográfica, o cigarro ainda conta com o apoio de muitos
profissionais de saúde pelo mundo. Em cerca de 70% dos
países, mais de 20% dos profissionais de saúde fumam.
"Profissionais da área da saúde estão
na linha de frente. Eles precisam ter a habilidade de ajudar as
pessoas a pararem de fumar. Por isso, precisam dar o exemplo e
também abandonar o cigarro", disse o diretor-geral
da OMS, Lee Jong-wook (12). Cigarro e saúde, definitivamente,
não combinam. Mas o cigarro também se associa com
a religião, de diferentes formas. De acordo com a matéria
"Cardeais apreciam conhaque e tabaco nos intervalos do conclave"
(13) publicada pela Folha de S. Paulo, no conclave que elegeu
o papa Bento 16, os cardeais puderam fumar e beber.
Mas
nem tudo é tabaco. A religiosa Lourdes Maria Dill, responsável
pelo Projeto Co-Esperança, da Diocese de Santa Maria, no
Rio Grande do Sul (RS), ajuda agricultores na substituição
do cultivo do fumo por outras atividades - projeto que comento
mais adiante, neste artigo. Além do envolvimento de indivíduos
e organizações, temos várias conquistas no
campo político, tais como: legislação que
estabelece a segregação de fumantes em bares e restaurantes,
fotos desagradáveis estampadas na carteira de cigarros,
proibição de anúncios que ligam o hábito
de fumar a esportes, regulamentos para as propagandas que proíbe
mensagens em jornais, rádio, TV e "outdoors".
Com as medidas, o número de fumantes caiu e há quem
se sinta tentado a não repetir: o cigarro mata, a indústria
tabagista avança. Mas não se pode esquecer: somos
também o maior exportador de cigarro do mundo, com 90%
das exportações, e o segundo maior produtor. Acuadas
em países ricos, as indústrias têm migrado
para os países em desenvolvimento, onde encontram, em geral,
mão de obra barata, legislação menos rígida,
um público consumidor jovem e subsídios do poder
público. 82% da produção de tabaco do mundo
está nesses países. O ministro Humberto Costa afirmou:
Hoje,
a OMS estima que, com a ampliação de consumo de
tabaco em termos internacionais, concentrada nos países
em desenvolvimento, daqui a 10 anos, deveremos dobrar o número
de pessoas mortas anualmente por doenças geradas pelo consumo
do tabaco; portanto, 10 milhões de mortes ao ano e 70%
delas concentradas nos países em desenvolvimento (sic)
(14).
Desnecessário
falar? Em média, só no Brasil, morrem mais de 16
mil pessoas por mês em decorrência do tabagismo. São
cinco milhões de mortes em todo mundo. Quando comparado
com outros países, sobretudo da América Latina,
o percentual de fumantes no país continua alto: 1/3 da
população adulta fuma, e a dependência da
nicotina se dá entre os cinco e 19 anos de idade, caracterizando-se
como uma doença pediátrica. No mundo, 100 mil jovens
começam a fumar diariamente, sendo que 80% deles estão
em países em desenvolvimento. Estima-se que entre a população
rural brasileira - onde o hábito de fumar é maior
do que na urbana, devido a fatores como pobreza e desinformação
- existam mais de 30 mil crianças fumantes, na faixa etária
de até 10 anos de idade (15). Desnecessário lutar?
Além de causar doenças e mortes, o consumo do tabaco
faz mal à economia dos países. Segundo o Banco Mundial,
o prejuízo é de 200 bilhões de dólares
anualmente (16). Mais e pior: segundo a OMS, o número de
fumantes subirá de 1,3 bilhões para 1,7 bilhões
até 2025. A indústria tabagista está vencendo
a guerra?
A
pergunta acima é especialmente importante para o Brasil,
nesse ano de 2005. Em 1999, a OMS iniciou a criação
do primeiro acordo internacional de saúde pública
da história da humanidade: a Convenção-Quadro
para o Controle do Tabaco, um instrumento legal de combate ao
fumo. Em 2003, após quatro anos de estudos e discussões,
todos os Estados membros da OMS redigiram o documento final da
Convenção. Até outubro de 2004, 168 países
assinaram o acordo (17), que foi ratificado por 40 países
em novembro do mesmo e entrou em vigor em 27 de fevereiro de 2005.
O acordo antifumo foi ratificado, no Brasil, pela Câmara
dos Deputados em 13 de maio de 2004. Mas só entra em vigor
se for ratificado pelo Senado Federal, onde deve ser votado até
o final do ano. Contudo, o "lobby" das indústrias
tabagistas tem influenciado os rumos das discussões. É
preciso estar atento às negociações no Senado,
acompanhar a tramitação da Convenção-Quadro,
posicionar-se. O combate ao fumo começa com a conscientização.
O
que significa a Convenção-Quadro?
A Convenção-Quadro é composta por 38 artigos
e prevê a regulação da propaganda, combate
ao fumo em locais públicos, e um de seus aspectos mais
controvertidos, sobretudo para a indústria, é a
adoção de uma política de preços e
aumento de impostos incidentes sobre o cigarro, para desestimular
o consumo da droga, além de restrições aos
subsídios relativos à produção e manufatura
do tabaco. O acordo determina a regulamentação dos
conteúdos e emissões dos produtos derivados do tabaco,
campanhas educacionais, implementação de programas
de tratamento para os dependentes, substituição
da cultura do tabaco, elaboração de pesquisas para
estudar o impacto do tabagismo sobre a saúde pública,
estudos sobre os ingredientes tóxicos e divulgação
dos resultados, proibição da venda de tabaco aos
menores de 18 anos, combate ao contrabando.
Os
países podem acatar um ou outro ponto da Convenção-Quadro.
É importante estar atento a isso, sempre investigando.
Quais os pontos do acordo que serão aceitos pelo Brasil?
Ratificar a Convenção não significa necessariamente
aceitá-la por completo - o que seria o ideal -, a exemplo
do que fizeram com o Conselho Nacional de Justiça, que
foi aceito no Senado Federal, porém com modificações
comprometedoras, que em geral não chegaram ao conhecimento
da sociedade, tais como a negação de sua competência
correcional (18). Segundo o Ministério da Saúde,
o Brasil precisa avançar nos seguintes aspectos:
Aumento de preços como uma medida efetiva para a redução
da demanda. Isso aconteceria principalmente nos estratos de renda
mais baixos e entre crianças e adolescentes, e aumentaria
a arrecadação fiscal.
Fortalecimento da fiscalização e monitoramento das
diferentes regiões do país que são rotas
de distribuição ilegal de produtos derivados do
tabaco.
Atenção especial a países fumicultores como
o Brasil para que, através da obtenção de
recursos técnicos e financeiros, possa-se investir em pesquisas
destinadas a apoiar segmentos sociais que dependem da fumicultura
(19).
Outro
ponto importante previsto na Convenção-Quadro é
o apoio a campanhas adaptadas ao público que se pretende
alcançar. Segundo um estudo feito pela Faculdade de Ciências
Médicas da Santa Casa de São Paulo, com 678 jovens,
entre 11 e 18 anos, as campanhas que alertam sobre os riscos de
saúde causados pelo tabaco não os impressionam.
Para essa faixa etária, as estratégias antitabagistas
devem focar os danos estéticos, por exemplo (20).
Além de considerar atentamente a dependência do fumo
por parte de grupos específicos, é preciso analisar
com cuidado a dependência do cultivo da droga. De acordo
com estudos conduzidos pelo Banco Mundial e a OMS, o sul do país
está dependente do fumo. Segundo pesquisa publicada pelo
jornal "O Estado de São Paulo" (OESP), o governo
do Rio Grande do Sul deu, nos anos 90, incentivos fiscais a empresas
bilionárias, como a Souza Cruz, Universal Leaf e Phillip
Morris. Só a primeira empresa recebeu US$ 900 milhões
na década analisada, para investir em Santa Cruz do Sul
e Cachoeirinha. A situação, porém, não
é irreversível. Tem cura e o remédio deve
ser buscado ativamente pelo poder público em discussões
com a sociedade, principalmente nas audiências públicas
promovidas pelo Congresso. "Apesar dos obstáculos,
o estudo aponta que a substituição da produção
é ainda viável. Os exemplos vêm de Santa Cruz
(RS) e de Schroeder e Santa Rosa de Lima, cidades de Santa Catarina,
onde iniciativas para diversificar a produção foram
lançadas" (21). Alternativas que não foram
citadas na reportagem e deveriam ter sido, considerada a importância
de tais informações para a condução
dos debates públicos.
O
que acontece se o Brasil não assinar a Convenção?
O país ficará fora das decisões internacionais
e perderá o apoio de institutos financeiros, como o Banco
Mundial, para implementar medidas de combate ao fumo.
Tramitação
do acordo antifumo no Senado Federal
A
Convenção-Quadro está no Senado Federal (Projeto
de Decreto Legislativo nº 602/04), sob a relatoria do senador
Fernando Bezerra (PTB-RN), na Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional (CRE), presidida pelo senador Eduardo
Suplicy (PT-SP). Embora os meios de comunicação
não estejam dando a atenção necessária
ao acordo, é possível acompanhar seus trâmites
acessando o site do Senado Federal (http://www2.senado.gov.br)
- iniciativa que, por si só, já significa um grande
avanço para a democracia.
Ao
comentar sobre o aumento de consumo de cigarros entre a classe
mais pobre, o senador Valmir Amaral (PMDB - DF) fez a seguinte
afirmação:
Vários
fatores contribuem para tal discrepância. A falta de informação
e educação e o baixo preço do cigarro em
nosso país são os mais importantes - declarou o
senador, ao acrescentar que, apesar de colocar-se "na vanguarda
do controle do tabaco, com uma legislação dura e
responsável", o Brasil precisa continuar a batalha
contra o tabagismo (sic) (22).
Realmente, o vício cresce nos países em desenvolvimento
e entre as camadas mais pobres e iletradas, para alcançá-las
seria necessário repensar estratégias de comunicação
e campanhas educacionais. Mas infelizmente, nem todos pensam da
mesma forma. Um dos senadores que mais se manifestou em Plenário
em relação ao assunto, em defesa dos plantadores
de fumo do Rio Grande do Sul, foi Paulo Paim (PT-RS). Para o senador,
o Estado não deve restringir a plantação
de fumo, pois seria um ato incoerente, afinal enquanto o Ministério
da Saúde apóia a Convenção, o Ministério
da Agricultura abre crédito em torno de R$ 500 milhões
ao setor, via o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) (23).
Tanto no Brasil quanto em outros países, como os Estados
Unidos, o governo é o grande financiador da cultura do
fumo, o que não significa que deva continuar sendo. A incoerência
termina com o fim dos subsídios não com o apoio
incondicional à indústria da fumaça. Segundo
o programa "Sem Fronteiras", exibido pela Globo News,
por trás de associações de plantadores está
a indústria tabagista. João Paulo Gava, diretor
da Souza Cruz, admitiu: "nada mais justo que os setores envolvidos
nesse processo, que são os produtores e os fabricantes,
discutam o assunto, em cima dos riscos que essa Convenção
pode ter para o setor. Não se discute a saúde, mas
como o Brasil deve gerenciar essa Convenção tanto
para o setor social, financeiro, cultural (...)" (24).
É
justo e necessário que se discuta a situação
dos plantadores de fumo, e que todos participem democraticamente
da discussão. Como foi visto, a própria Convenção-Quadro
determina a substituição do plantio do fumo por
outra atividade, de modo que aqueles que dependem dessa indústria
tenham condições de sobrevivência. Contudo,
sobreviver significa, antes de qualquer coisa, combater uma indústria
cujo objetivo é o enriquecimento, por meio de um produto
que aprisiona as pessoas e rouba-lhes a vida. "Estamos falando
do consumo de um produto que mata pelo menos metade dos seus consumidores"
(25), alertou o médico José Gomes Temporão,
presidente do Instituto Nacional de Câncer e pesquisador
do Instituto Oswaldo Cruz.
Sobre
a situação da tramitação da Convenção-Quadro
no Senado, a Agência Senado publicou uma matéria
com a opinião da senadora Fátima Cleide (PT-RO),
para quem o oligopólio industrial fumageiro está
boicotando a Convenção.
A
senadora Fátima Cleide (PT-R0) disse que a Convenção-Quadro
para o Controle do Tabaco "jaz na Comissão de Relações
Exteriores sem o devido caráter de urgência",
depois de aprovada pelo Brasil e mais 36 países na Assembléia
Mundial de Saúde, em maio de 2003, e ratificada pela Câmara
dos Deputados em maio de 2004.
- Caso não ratifiquemos logo a Convenção
(grandes nações produtoras, como a Índia,
já o fizeram) perderemos a oportunidade de participar das
futuras discussões e acordos que definirão as formas
de apoio técnico e financeiro para a viabilização
das culturas alternativas ao tabaco - declarou a senadora.
Fátima Cleide criticou o esforço do oligopólio
industrial fumageiro em boicotar a convenção. Essa
campanha, disse a senadora, cria mitos sobre os impactos econômicos
e sociais que seriam causados pela ratificação da
Convenção.
- A Fundação de Economia e Estatística do
Rio Grande do Sul, nosso principal estado produtor, a região
do Vale do Rio Pardo, que vive basicamente da fumicultura, ocupa
a penúltima posição no índice de desenvolvimento
socioeconômico nas 22 regiões gaúchas pesquisadas
- declarou Fátima Cleide. Essa região, segundo a
senadora, precisa de apoio técnico e financeiro para investir
em culturas opcionais ao fumo (26).
Audiência pública na
terra da fumaça
Para
se ter idéia da importância concedida aos produtores
de fumo, em seis de dezembro de 2004, a CRE do Senado Federal
se deslocou de Brasília para o município de Santa
Cruz do Sul, RS - um dos principais produtores de fumo do mundo,
onde o próprio poder público chegou a investir em
um distrito industrial para multinacionais do tabaco - a fim de
realizar uma audiência pública sobre a Convenção-Quadro
(27). O relator do projeto, o senador Fernando Bezerra, depois
de mais de quatro horas de depoimentos, afirmou que seu posicionamento
está pautado pelo equilíbrio.
Ouvi
muito bem o que disseram aqueles que defendem a questão
da saúde como uma prioridade - que o Brasil subscreva na
Convenção-Quadro -, assim como ouvi com muita atenção
a área econômica, os plantadores de fumo, a sociedade
de toda essa região. Eu queria dizer que se trata de uma
situação, mas procurarei, no meu parecer, o equilíbrio,
sempre procurei ter em toda a minha vida (sic).
Mas
na audiência, o equilíbrio virou fumaça. Bezerra,
realmente, ouviu muito bem os dois lados, que, no entanto, tiveram
participação brutalmente desigual na audiência:
17 pronunciamentos a favor da indústria do fumo e apenas
quatro favoráveis à Convenção. O primeiro
a se pronunciar foi o vice-governador do Rio Grande do Sul, Antonio
Hohlfeldt, que já no início afirmou:
Somos
contrários à Convenção-Quadro, ao
menos neste momento, em especial ao seu art. 17. Unimo-nos à
voz de produtores, de entidades de classe, de operários
dessas indústrias. Unimo-nos à voz das pessoas sensatas,
dos que percebem que a estratégia posta em marcha pela
Organização Mundial da Saúde poderá
criar terríveis problemas sociais, estimular o contrabando
e enriquecer grandes produtores remanescentes.
Caracterizando
a Convenção como uma agressão à soberania
da Nação, e falando em defesa dos produtores, Hohlfeldt
disse que agora é hora de prudência, de "justo
discernimento", e, por isso, não se pode assinar essa
Convenção. Em relação à ratificação
do acordo afirmou: "Pois que o faça, mas solicitamos
que seja o último da lista, quando tudo estiver decidido".
O
presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil
(Afubra), Haisi Gralow, participou da audiência, e levou
depoimentos em vídeo, de plantadores de fumo. Nas gravações
está o principal argumento usado pelos fumicultores: qual
será o destino das famílias dependentes de cultivar
um produto que mata? Lauri, um plantador, disse o seguinte: "Faço
uma pergunta para os senhores: numa área tão pequena,
tão acidentada, se não fosse a cultura do fumo,
da onde tiraria o meu sustento para a minha família?".
Outros foram ainda mais dramáticos, como Renato Guerc:
"Realmente não sabemos o que fazer, inclusive a preocupação
é com as crianças que temos. Vamos poder dar estudos
para elas? Terminar com a cultura do fumo realmente termina com
a expectativa de vida". Continuar com a cultura do fumo realmente
termina com a expectativa de vida de milhões de pessoas.
Não há argumento mais forte do que esse.
As
indagações devem ser consideradas. De onde os plantadores
de fumo poderão tirar seus sustento? De outras atividades
econômicas, de outras culturas que levem saúde e
não morte às pessoas. Portanto, as audiências
públicas devem servir para se discutir alternativas de
sobrevivência para a população local e não
para ressaltar a "importância" de se manter uma
atividade que ceifa pessoas. Alcemir Bagnara, representante da
Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
da Região Sul (Fetraf-Sul), falou da existência de
agricultores que desejam abandonar o cultivo do fumo:
Quero
dizer aqui também que há posição de
agricultores, se conversarmos com um a um. Muitos deles querem
deixar da produção de fumo, mas não têm
alternativa. Então, por isso temos que dedicar um tempo
razoável de nossos debates agora para construir essas alternativas,
e a defesa dos agricultores e agricultoras familiares nos leva
aqui a sugerir para a Comissão a adoção de
algumas medidas (sic).
Contudo,
o tempo reservado na audiência para discutir alternativas
de cultivo foi extremamente diminuto. Lourdes Maria Dill, religiosa
responsável pelo Projeto Co-Esperança, da Diocese
de Santa Maria, foi a única a propor alternativas para
a cultura do fumo, chamada de "cultura de morte". "Na
Diocese, temos hoje mais de 200 grupos que são trabalhadores
urbanos e rurais que se organizam, produzem alimentos ecológicos,
sadios. E hoje são mais de 3.700 famílias que sobrevivem
desta renda". O projeto, que vem sendo desenvolvido há
quase 20 anos, merece maior atenção, assim como
outros projetos similares. Mas a audiência pública
concentrou-se, sobretudo, na defesa dos fumicultores, com a participação
de seus diversos representantes, todos contrários à
Convenção-Quadro, cujos posicionamentos oscilaram
entre a arrogância e a fraqueza argumentativa.
Para
Sálvio Tonini, da Federação da Agricultura
e Pecuária de Santa Catarina, a cultura de fumo pode ser
substituída sim, mas colocou condições: "Primeiramente,
deve-se pesquisar uma alternativa de cultura de, no mínimo,
dez anos, que, de fato, produza o mesmo retorno que dá
o fumo tanto econômico quanto social, para depois, sim,
ratificarmos a Convenção-Quadro. Se assim fizermos,
agiremos bem". Ora, a indústria do cigarro é
a que mais lucra no Brasil, mais do que os bancos, afinal transforma
consumidores em dependentes e tem um amplo apoio do próprio
Estado. Se Tonini quer continuar plantando o fumo, que continue,
mas é dever do poder público diminuir os subsídios,
aumentar os impostos e fazer com que essa indústria da
morte tenha um lucro igual, de preferência menor, do que
outras indústrias no país.
Já
Carlos Sperotto, presidente da Federação de Agricultura
do Rio Grande do Sul (Farsul), quase superou Tonini na argumentação.
Segundo ele, a Convenção-Quadro aumentará
o número de fumantes, ao provocar desempregos entre os
produtores de fumo. "Esses que não terão mais
uma atividade compensada com a sua atividade incorporar-se-ão
ao grupo dos que já fumam. O nervosismo leva a que se fume
(sic)" - fala irônica e infeliz, que arrancou aplausos
da platéia da principal cidade produtora de fumo no país.
Para Tuhtenhagem, o debate não deveria girar em torno da
saúde das pessoas - não podemos esquecer: são
cerca de dois milhões de pessoas mortas em uma década
- mas dos riscos econômicos e sociais para as cerca de 200
mil famílias que vivem do fumo que mata.
É
preciso concordar com Tuhtenhagem. Uma audiência pública
em Santa Cruz do Sul não deveria se valer principalmente
de argumentos em prol da saúde, embora sejam primordiais,
mas acompanhar a linguagem local, plantada no lucro, porém
nunca em desrespeito às vidas humanas. De modo geral, faltou,
aos poucos defensores da Convenção-Quadro, a apresentação
de projetos efetivos para substituição da cultura
de fumo, como fez a irmã Dill. Se os produtores falam em
sobrevivência econômica não se pode simplesmente
enumerar as 4.700 substâncias nocivas do cigarro. É
utópico imaginar que as defesas que exaltam a vida são
mais fortes do que as que perseguem o lucro, a custo de fumaças
infernais, embora deveriam ser. A própria Convença-Quadro
determina a discussão de alternativas de cultivo, como
afirma o art. 17:
As
partes, em cooperação entre si e com as organizações
intergovernamentais, internacionais e regionais competentes, promoverão,
conforme proceda, alternativas economicamente viáveis para
os trabalhadores, os cultivadores e, eventualmente, os varejistas
de pequeno porte.
Contudo,
tais opções serão inevitavelmente menos lucrativas
do que o cigarro - que oferece um lucro absurdo, que instiga a
ganância. E é nesse ponto que deve prevalecer o valor
humano, de forma inegociável, "porque o mundo do futuro
é um mundo sem tabaco", defendeu, na audiência
pública, o médico Luiz Carlos Correia da Silva,
coordenador do "Projeto Fumo Zero" e representante da
Associação Médica do Rio Grande do Sul. Espera-se
que seja! Para tanto, é preciso um envolvimento das pessoas,
o comprometimento dos meios de comunicação. Mas,
por enquanto, isso não tem acontecido. Programas como "A
indústria do cigarro no banco dos réus", por
exemplo, transmitido pela Globo News, em canal fechado, deveriam
ser veiculados em canal aberto, pois trata da estratégia
internacional contra o tabagismo e informam da importância
da Convenção-Quadro. Entretanto, parece não
existir interesse em que esse tipo de informação
chegue à população em geral e às de
baixa renda - as principais vítimas do tabaco.
Jogue
o fósforo. Apague o cigarro!
É
possível apoiar a Convenção-Quadro, de maneira
ativa. O acordo deve ser ratificado ou rejeitado até novembro
de 2005. Para apoiá-lo envie e-mail aos senadores (para
obtê-los, acesse o endereço eletrônico: http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=cquadro&link=parcerias.htm),
assine a lista disponibilizada pelo Ministério da Saúde.
Outra opção é assinar uma carta on-line da
"Rede Tabaco Zero" (O endereço eletrônico
é: <http://www.tabacozero.net> Acessando o site,
deve-se clicar no link "Campanhas"), composta por organizações
da sociedade civil, associações médicas,
comunidades científicas, ativistas e pessoas a favor da
Convenção-Quadro. Segundo o Ministério da
Saúde, "a indústria do tabaco está se
mobilizando de forma rápida e eficiente para obstruir a
aprovação da Convenção-Quadro para
o Controle do Tabaco no Senado Federal. Ela está promovendo
um poderoso "lobby" junto aos Senadores e divulgando
informações inverídicas entre os fumicultores,
que estão preocupados com o futuro da produção
de fumo".
Além
da audiência pública analisada neste artigo, o Senado
realizou e realizará outras audiências, por isso
é importante acompanhá-las - o que pode ser feito
acessando a página eletrônica do Senado. É
indispensável compartilhar o conhecimento obtido, escrevendo
artigos, enviando e-mails, tornando conhecida essa decisiva tramitação.
O momento é de se envolver, tornando finalmente possível
o "formidável enterro" de uma indústria
que mata. Para que a mesma indústria, diante da morte de
milhares de pessoas, não continue sussurrando intimamente,
com descaso: "Vês! Ninguém assistiu ao formidável/
Enterro de tua última quimera" (28).
Notas
1) "Versos íntimos",
poema de Augusto dos Anjos (1884-1914), cujos versos uso para
iniciar e finalizar este artigo.
2) CONVENÇÃO-Quadro
para o controle do tabaco - texto final. Disponível em<
http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=cquadro&link=downloads.htm>.
Acesso em: 31 de maio de 2005.
3) ROCHA, Luiz Otávio Savassi.
João Guimarães Rosa:
sua HORA e sua VEZ. Disponível em < www.medicina.ufmg.br/cememor/rosa.htm>
Acesso em: 31 de maio de 2005.
4) VALANSI, Dominique. O cigarro
em julgamento. Disponível em <www.estacaovirtual.com/arquivo/
mat2002/eventos/cigarro/cigarro.htm> Acesso em: 31 de maio
de 2005.
5) DÓRIA, Carlos Alberto.
Como se faz um best-seller. Disponível em
< http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2563,1.shl>
Acesso em: 31 de abril de 2005.
6) SENADO FEDERAL. Ata da 19ª
reunião extraordinária da comissão de relações
exteriores e defesa nacional do Senado Federal, da 2ª sessão
legislativa ordinária da 52ª legislatura, realizada
no dia seis de dezembro de 2004". Disponível em <http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/Permanentes/CRE/Atas/
20041206EX019.rtf> Acesso em: 6 de jan. de 2005.
7) SENADO FEDERAL. Ata da 16ª
reunião extraordinária da comissão de relações
exteriores e defesa nacional do Senado Federal, da 2ª sessão
legislativa ordinária da 52ª legislatura, realizada
no dia 15 de setembro de 2004. Disponível em
< http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/Permanentes/CRE/Atas/20040915EX016.rtf>
Acesso em: 6 de janeiro de 2005.
8) ZIRALDO abandonou o vício
após fazer campanha. Disponível em
< http://www.prevfumo.med.br/noticias_novembro/ziraldo_exemplo.htm>
Acesso em: 31 de maio de 2005.
9) WHITE, Ellen G. Counsels on
Health. Disponível em <http://www.whiteestate.org/guides/CH.html>
Acesso em: 31 de maio de 2005. Ou em português: WHITE, Ellen
G. Conselhos sobre saúde. Tatuí: Casa Publicadora
Brasileira, 1971.
10) CASIMIRO, Vitor. Há
dez anos, praticamente ninguém falava dos perigos do tabaco
no Brasil. Disponível em< www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0037.asp
- 45k> Acesso em: 31 de maio de 2005.
11) BARATA, Germana. Cigarro no
cinema contribui para jovens começarem a fumar. Disponível
em
<http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000400012&script=sci_arttext&tlng=pt>
Acesso em: 5 de jan. de 2004.
12) Médicos devem dar exemplo
na luta contra o tabagismo, diz OMS. Disponível em
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u13258.shtml>
Acesso em: 30 de maio de 2005
13) WERNECK, Rodrigo. Cardeais
apreciam conhaque e tabaco nos intervalos do conclave. Disponível
em < http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u82950.shtml>
Acesso em: 5 de maio de 2005.
14) Audiência pública
15 de setembro. Ver nota 7.
15) GOMES, Fábio de Barros
Correia. Conseqüências do tabagismo para a saúde.
Disponível em
<http://www2.camara.gov.br/publicacoes/estnottec/tema19/pdf/309518.pdf>
Acesso em: 10 de fev. de 2005.
16) REDE TABACO ZERO. Brasil de
fora das Conferências das Partes? Convenção-Quadro
para o Controle do tabaco JÁ! Disponível em http://www.tabacozero.net/
Acesso em: 19 de maio de 2005.
17) SENADO FEDERAL. Audiência
pública debate efeitos do controle sobre o uso do tabaco.
Disponível em
<http://www2.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=41303>
Acesso em: 5 de maio de 2005.
18) BARBOSA, Henrianne. A flor
e a náusea na comunicação pública:
a reforma do judiciário. Disponível em <http://www.comtexto.com.br/convicomartigoHenrianneflorenausea.htm>
Acesso em: 31 de maio de 2005.
19) Apóie a convenção-quadro.
Disponível em
<http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=cquadro&link=faq.htm>
20) COLLUCCI, Cláudia. Dente
amarelo faz jovem rejeitar o cigarro. Disponível em
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3105200513.htm>
Acesso em: 31 de maio de 2005.
21) CHADE, Jamil. Sul do Brasil
é dependente do cultivo do fumo, aponta estudo. O Estado
de S. Paulo, São Paulo, 31 de maio de 2005. Saúde,
A15.
22) SENADO FEDERAL. Valmir Amaral
alerta para vinculação entre pobreza e hábito
de fumar. Disponível em< http://www2.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=41467>
Acesso em: 5 de maio de 2005.
23) SENADO FEDERAL. Paim registra
apreensão de agricultores com acordo internacional de plantio
de fumo. Disponível em <http://www2.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=41611>
Acesso em: 5 de maio de 2005.
24) A INDÚSTRIA do cigarro
no banco dos réus. Produtora: Globo News, 23 de set. de
2004. Programa Sem Fronteiras.
25) Ver nota 6.
26) SENADO FEDERAL. Fátima
Cleide quer ratificar convenção para controle do
tabaco. Disponível em <http://www2.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=43969>
Acesso em: 5 de maio de 2005.
27) Ver nota 6.
28) Ver nota 2.
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Henrianne Barbosa
Jornalista. Mestranda em Comunicação Pública,
na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).
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