
A
humanização do cuidar e a ética
Helena de Fátima Bernardes
Millani*
Resumo
A Humanização Hospitalar nos faz refletir sobre
o cuidado humano diante da complexidade das ações
profissionais de enfermagem. Somos orientados pela Ética
que norteia nossos valores e normas, direcionando-nos para o exercício
da humanização nos hospitais.
Palavras-chave: Humanização, Cuidar, Ética.
Resumen
La humanización hospitalar nos hace reflejar acerca del
cuidado humano, delante de la complejidad de las acciones de los
profesionales de la enfermagem. Somos orientados por la ética
que dirige nuestros valores y normas, direccionandos para el yjercicio
de la humanización en los hospitales.
Palabras llaves: humanización, cuidar, ética
A Humanização hospitalar é um tema inesgotável,
representa um processo interminável, ainda mais diante
dos avanços tecnológicos e da multiplicidade cultural
que compõe as instituições de saúde.
Podemos considerar alguns pontos que contribuem com o nosso olhar
sobre humanização nos hospitais como: a globalização;
o processo da medicalização; as tecnologias diagnósticas;
a formação dos profissionais; a reengenharia; a
terceirização; a complexidade das ações
dos profissionais para o cuidar; entre outros.
Enquanto profissionais da saúde no exercício de
cuidar somos orientados pela ética que norteia nossos valores
e normas para delinear nosso comportamento com direitos e deveres;
sendo que a ética não se preocupa tanto em saber
como as coisas são, mas como as coisas podem ser e devem
ser.
Percebemos que a ética direciona a humanização,
é uma alavanca para alterar os padrões de comportamentos
profissionais e institucionais, bem como a necessidade presente
de mudança nos centros formadores, para criar uma nova
cultura.
Algumas instituições de saúde podem ter como
fim a cura, acentuando o uso da medicina tecnocientífica,
outras têm como meta o cuidado do ser humano doente e a
promoção da saúde de forma holística,
neste cenário está a humanização,
que temos como objetivo tecer algumas considerações.
Acreditamos que o maior valor para exercer o cuidar é o
princípio do respeito pela dignidade do ser humano. A autonomia,
a beneficência, a não maleficência, e a justiça
são desdobramentos deste princípio, como também
é o princípio da solidariedade que vai além
da igualdade nas relações interpessoais.
Ao considerar estes princípios constatamos com maior clareza
a contribuição da ética ao processo de humanização
hospitalar, no que tange aos direitos e deveres dos profissionais
de saúde.
A Constituição Federal, em seu artigo 196 estabelece:
"A saúde é direito de todos e dever do Estado,
garantindo mediante políticas sociais e econômicas
que visem à redução do risco de doença
e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário
às ações e serviços para sua promoção,
proteção e recuperação".
O direito de todos e dever do Estado alicerça o direito
à assistência digna e às diretrizes políticas
organizacionais necessárias para promovê-la.
Quando está assegurado o direito à assistência,
já dentro das instituições de saúde,
um outro direito que cabe às pessoas doentes é o
direito a cuidados personalizados, solidários e acolhedores.
Os profissionais de saúde têm papel preponderante,
pois buscam promover o bem-estar do ser humano, considerando sua
liberdade, unicidade e dignidade, atuando na promoção
da saúde, na prevenção de enfermidades, no
transcurso de doenças e agravos, nas incapacidades e no
processo de morrer.
O ser humano integra espaços, condições e
expressões singulares que permitem reafirmar sua unidade,
insuficiente, inacabada e, por natureza, incompreendida por ele
mesmo.
Assim, os profissionais da saúde devem valorizar todos
os aspectos presentes na vida humana, relacionando-os ao significado
por quem os vivencia, especialmente no momento da doença,
da dor e do sofrimento. Ao buscar compreensão do significado
da vida no processo de cuidar, há necessidade de ultrapassar
as atribuições técnicas do profissional,
mas desenvolver a capacidade de perceber e compreender o ser humano,
como é sua história de vida, seus sentimentos e
seu sentir. Uma vez que a vida é movimento, o seu significado
passa necessariamente pelos valores e princípios que nos
guiam no cuidar e também pelas necessidades de quem é
cuidado.
Apenas quando formos capazes de compreender, de ultrapassar o
reconhecimento e a valorização do significado da
nossa vida e da vida daqueles que cuidamos, seremos capazes de
construir um novo momento ético de referência para
as relações do cuidar.
A compreensão da diminuição da vida passa
pelas relações decorrentes das experiências
e vivências com os outros, devendo ser discutidas, analisadas,
pensadas e exercidas com ética por aqueles que cuidam da
vida do ser humano.
O cuidado com a vida dos doentes, não pode estar desvinculado
e descontextualizado do significado da vida e da ética,
pois apenas poderá exercer o processo de cuidar aquele
que compreender o ser humano em sua totalidade, nas suas diferenças,
nas adversidades e pautar suas ações de cuidados
pela ética.
Segundo Pessini e Bertachini (2000, p. 91):
[...] quem cuida se deixa
tocar pelo sofrimento humano, torna-se um radar de alta sensibilidade,
se humaniza no processo e, para além do conhecimento
científico tem a preciosa chance e o privilégio
de crescer com sabedoria. Esta sabedoria nos coloca na rota
da valorização e descoberta de que a vida não
é um bem a ser privatizado, muito menos um problema a
ser resolvido nos circuitos digitais e eletrônicos da
informática, mas um dom, a ser vivido e partilhado solidariamente
como os outros [...].
Desta forma, acreditamos que a humanização das ações
cuidativas passa pelo significado da vida, pelos alicerces éticos
de cada profissional, por aspectos culturais, econômicos,
sociais.
A busca pela humanização das relações
de cuidado deve promover e permear a cada momento o sentido intrínseco
e talvez oculto do cuidado dos profissionais de saúde.
Não podemos humanizar as instituições de
saúde sem referência ao humano e não se pode
falar do humano sem referencia à ética (MARTIN,
2004).
Referências
PESSINI, Leo; BERTACHINI, Luciana.
Humanização e Cuidados Paliativos. São Paulo:
Loyola, 2004.
MARTIN, Leonard.
A Ética médica diante do paciente terminal: leitura
ético-teológica da relação médico-paciente
terminal nos Códigos Brasileiros da ética médica.
Aparecida-SP: Santuário, 2004.
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Enfª Ms. Helena de Fátima
Bernardes Millani
Formada pela UNIMAUÁ de Ribeirão Preto, SP.
Especialista em: Didática e Metodologia do Ensino Superior;
Administração Hospitalar e Saúde Pública;
Enfermagem do Trabalho; Desenvolvimento Gerencial e Gestão
de Qualidade. Mestre em Psicologia-Área Subjetividade e
Saúde Coletiva. Exerce suas funções nas instituições:
Grupo Nova América-Açucar e Álcool e Faculdades
Integradas de Ourinhos.
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