Volume 3
Número 5

20 de dezembro de 2006
 
 * Edição atual    

          A humanização do cuidar e a ética

Helena de Fátima Bernardes Millani*

           Resumo

           A Humanização Hospitalar nos faz refletir sobre o cuidado humano diante da complexidade das ações profissionais de enfermagem. Somos orientados pela Ética que norteia nossos valores e normas, direcionando-nos para o exercício da humanização nos hospitais.

           Palavras-chave: Humanização, Cuidar, Ética.

           Resumen

           La humanización hospitalar nos hace reflejar acerca del cuidado humano, delante de la complejidad de las acciones de los profesionales de la enfermagem. Somos orientados por la ética que dirige nuestros valores y normas, direccionandos para el yjercicio de la humanización en los hospitales.

           Palabras llaves: humanización, cuidar, ética

           A Humanização hospitalar é um tema inesgotável, representa um processo interminável, ainda mais diante dos avanços tecnológicos e da multiplicidade cultural que compõe as instituições de saúde. Podemos considerar alguns pontos que contribuem com o nosso olhar sobre humanização nos hospitais como: a globalização; o processo da medicalização; as tecnologias diagnósticas; a formação dos profissionais; a reengenharia; a terceirização; a complexidade das ações dos profissionais para o cuidar; entre outros.

           Enquanto profissionais da saúde no exercício de cuidar somos orientados pela ética que norteia nossos valores e normas para delinear nosso comportamento com direitos e deveres; sendo que a ética não se preocupa tanto em saber como as coisas são, mas como as coisas podem ser e devem ser.

           Percebemos que a ética direciona a humanização, é uma alavanca para alterar os padrões de comportamentos profissionais e institucionais, bem como a necessidade presente de mudança nos centros formadores, para criar uma nova cultura.

           Algumas instituições de saúde podem ter como fim a cura, acentuando o uso da medicina tecnocientífica, outras têm como meta o cuidado do ser humano doente e a promoção da saúde de forma holística, neste cenário está a humanização, que temos como objetivo tecer algumas considerações.

           Acreditamos que o maior valor para exercer o cuidar é o princípio do respeito pela dignidade do ser humano. A autonomia, a beneficência, a não maleficência, e a justiça são desdobramentos deste princípio, como também é o princípio da solidariedade que vai além da igualdade nas relações interpessoais.

           Ao considerar estes princípios constatamos com maior clareza a contribuição da ética ao processo de humanização hospitalar, no que tange aos direitos e deveres dos profissionais de saúde.

           A Constituição Federal, em seu artigo 196 estabelece: "A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação".

           O direito de todos e dever do Estado alicerça o direito à assistência digna e às diretrizes políticas organizacionais necessárias para promovê-la.

           Quando está assegurado o direito à assistência, já dentro das instituições de saúde, um outro direito que cabe às pessoas doentes é o direito a cuidados personalizados, solidários e acolhedores.

           Os profissionais de saúde têm papel preponderante, pois buscam promover o bem-estar do ser humano, considerando sua liberdade, unicidade e dignidade, atuando na promoção da saúde, na prevenção de enfermidades, no transcurso de doenças e agravos, nas incapacidades e no processo de morrer.

           O ser humano integra espaços, condições e expressões singulares que permitem reafirmar sua unidade, insuficiente, inacabada e, por natureza, incompreendida por ele mesmo.

           Assim, os profissionais da saúde devem valorizar todos os aspectos presentes na vida humana, relacionando-os ao significado por quem os vivencia, especialmente no momento da doença, da dor e do sofrimento. Ao buscar compreensão do significado da vida no processo de cuidar, há necessidade de ultrapassar as atribuições técnicas do profissional, mas desenvolver a capacidade de perceber e compreender o ser humano, como é sua história de vida, seus sentimentos e seu sentir. Uma vez que a vida é movimento, o seu significado passa necessariamente pelos valores e princípios que nos guiam no cuidar e também pelas necessidades de quem é cuidado.

           Apenas quando formos capazes de compreender, de ultrapassar o reconhecimento e a valorização do significado da nossa vida e da vida daqueles que cuidamos, seremos capazes de construir um novo momento ético de referência para as relações do cuidar.

           A compreensão da diminuição da vida passa pelas relações decorrentes das experiências e vivências com os outros, devendo ser discutidas, analisadas, pensadas e exercidas com ética por aqueles que cuidam da vida do ser humano.

           O cuidado com a vida dos doentes, não pode estar desvinculado e descontextualizado do significado da vida e da ética, pois apenas poderá exercer o processo de cuidar aquele que compreender o ser humano em sua totalidade, nas suas diferenças, nas adversidades e pautar suas ações de cuidados pela ética.

           Segundo Pessini e Bertachini (2000, p. 91):

[...] quem cuida se deixa tocar pelo sofrimento humano, torna-se um radar de alta sensibilidade, se humaniza no processo e, para além do conhecimento científico tem a preciosa chance e o privilégio de crescer com sabedoria. Esta sabedoria nos coloca na rota da valorização e descoberta de que a vida não é um bem a ser privatizado, muito menos um problema a ser resolvido nos circuitos digitais e eletrônicos da informática, mas um dom, a ser vivido e partilhado solidariamente como os outros [...].

           Desta forma, acreditamos que a humanização das ações cuidativas passa pelo significado da vida, pelos alicerces éticos de cada profissional, por aspectos culturais, econômicos, sociais.

           A busca pela humanização das relações de cuidado deve promover e permear a cada momento o sentido intrínseco e talvez oculto do cuidado dos profissionais de saúde.

           Não podemos humanizar as instituições de saúde sem referência ao humano e não se pode falar do humano sem referencia à ética (MARTIN, 2004).

           Referências

PESSINI, Leo; BERTACHINI, Luciana. Humanização e Cuidados Paliativos. São Paulo: Loyola, 2004.

MARTIN, Leonard. A Ética médica diante do paciente terminal: leitura ético-teológica da relação médico-paciente terminal nos Códigos Brasileiros da ética médica. Aparecida-SP: Santuário, 2004.

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Enfª Ms. Helena de Fátima Bernardes Millani
Formada pela UNIMAUÁ de Ribeirão Preto, SP. Especialista em: Didática e Metodologia do Ensino Superior; Administração Hospitalar e Saúde Pública; Enfermagem do Trabalho; Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Qualidade. Mestre em Psicologia-Área Subjetividade e Saúde Coletiva. Exerce suas funções nas instituições: Grupo Nova América-Açucar e Álcool e Faculdades Integradas de Ourinhos.

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