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Os
tentáculos asfixiantes da Big Pharma
Os
dados costumam ser estarrecedores e algumas situações
e crises apontam para a necessidade de uma ação
planetária urgente contra os monopólios da indústria
da saúde.
Vejamos
alguns casos recentes.
A
Novartis, com o apoio de outras empresas farmacêuticas e
do próprio Governo Bush (já conhecido por todos
nós pela sua atuação contra a saúde
, o meio ambiente e a favor da guerra), está tentando a
todo custo modificar a lei que regula a patente de medicamentos
na Índia. O que quer a gigante farmacêutica? Impedir
que milhões de indianos contaminados pela Aids possam receber
drogas genéricas mais baratas, fabricadas na Índia,
submetendo-se aos preços abusivos do laboratório.
Sob a alegação de que precisa proteger as suas patentes,
busca condenar à morte milhões de pessoas. E mais
do que isso: quer tentar sustar, com a vitória nesse caso,
processos semelhantes desencadeados em outros países que,
em nome da vida, questionam o poder da indústria farmacêutica.
A Tailândia acaba de tomar medida similar para produzir
cópias de um medicamento barato para o coração.
O Brasil, em alguns momentos, tem ameaçado fazer o mesmo.
Aqui
no Brasil a Novartis repete o discurso de apoio à pesquisa
brasileira. Mas se envolveu recentemente no caso da BioAmazônia,
com acusações pesadas (inclusive do ministro do
meio ambiente à época e de cientistas de prestígio)
de biopirataria, de tentativa de ataque à biodiversidade.
Na verdade, está implantando por aqui um centro de distribuição
para venda internacional de genéricos (o negócio
é ganhar dinheiro de todo o lado!). Quem se dispuser a
resgatar o caso BioAmazônia, basta colocar a palavra BioAmazônia
seguida de Novartis como palavra chave nos principais sistemas
de busca como o Google. É cada vez mais difícil
apagar a história, particularmente a recente. Não
há programa de limpeza de imagem que consiga isso, felizmente
para todos nós.
A
Abbot, um grande laboratório norte-americano, segundo reportagem
recente do The Wall Street Journal (que cita e-mails internos
trocados por seus executivos), quintuplicou em 2003 os preços
do Novir, uma droga mais antiga e utilizada junto com outras para
afugentar rivais do mercado e permitir o crescimento de vendas
do Kaletra, outra de suas drogas modernas. Quem perdeu? O consumidor
certamente, obrigado a pagar mais caro pelo novo remédio
contra Aids. O Governo brasileiro andou também tendo um
problema com a Abbot por causa do Kaletra, mas aceitou um acordo.
Foi bom para o País e para os cidadãos brasileiros?
O
Cade está tentando, há algum tempo, punir a Basf,
a Aventis e a Roche, outros 3 gigantes da área, pela formação
de um cartel de vitaminas que também impôs preços
abusivos para os cidadãos. Nos Estados Unidos e Europa,
as empresas já foram condenadas, mas aqui, graças
aos lobbies, às relações com autoridades
e à frouxidão da Justiça, lenta e injusta,
continuam impunes. As subsidiárias devem estar alegando
que só as matrizes são irresponsáveis, que
nada têm a ver com a história. E talvez tenham razão:
não têm mesmo autonomia alguma, são apenas
prepostos do poder central, não definem política
de preços, apenas cumprem ordens.
Há
denúncias de pressões sobre o FDA para liberação
cada vez mais rápida de medicamentos, mesmo numa época
em que tantos deles têm se mostrado prejudiciais à
saúde, com retiradas sucessivas de mercado após
a comprovação de milhares de mortes ( o caso Vioxx,
da Merck, repercute ainda hoje depois que a empresa, de forma
irresponsável, tentou ludibriar a opinião pública,
mesmo após evidências dos riscos para os pacientes).
Tem perdido e ganho processos nos EUA, alguns de doer no bolso.
A
literatura no mundo sobre a ação nefasta da Big
Pharma tem aumentado bastante (você, leitor, pode consultar
a Amazon que traz vários títulos sobre a Big Pharma,
eles é a chamam assim por lá). O lobby da poderosa
indústria farmacêutica pressiona fortemente o Governo
brasileiro para que arque com os custos de medicamentos que os
brasileiros individualmente não podem pagar. a Big Pharma
não pesquisa ou investe em medicamentos para doenças
de gente pobre, seu foco é apenas os que podem pagar e
caro pelas suas pílulas mágicas. Você já
ouviu falar de doenças negligenciadas? Para quem vive ferozmente
para o lucro, a saúde não é compromisso,
apenas um grande negócio.
A
crise experimentada por muitas destas empresas as impele para
ações deletérias contra a humanidade para
preservar os seus altos lucros. Andam desesperadas com o fim de
algumas de suas patentes, maqueiam novos produtos para parecerem
novos , buscam estender o tempo dos monopólios, enfim jogam
com todas as armas.
A
Pfizer (está na mídia nacional, pode consultar)
pretende demitir 10 mil funcionários e fechar fábricas
em todo o mundo para recuperar a sua saúde financeira,
abalada também no Brasil com a perda do mercado do Viagra.
Parece que, com a concorrência, as próprias finanças
da empresa sofreram de uma particular "síndrome da
disfunção", ou seja murcharam.
A
ação da Big Pharma é conhecida: além
de campanhas de mídia, age nos bastidores (por que não
se fala mais do processo contra dezenas de laboratórios
que se uniram no Brasil para boicotar os genéricos?), transita
com desenvoltura pelos corredores do Parlamento (gasta mais em
marketing do que em pesquisa, você sabia disso?) e assedia
médicos e entidades profissionais para empurrar seus medicamentos.
É uma das maiores patrocinadoras das campanhas presidenciais
nos EUA e usa , sem escrúpulos, de chantagem (sair do país,
não produzir medicamentos, contra os impostos etc) para
fazer valer os seus grandes interesses.
Certamente
há exceções, mas a maioria destas corporações,
multinacionais ou não, precisa ser fiscalizada melhor,
merecer a atenção das autoridades, da sociedade
civil, da Justiça, dos cidadãos em geral. Elas agem
contra a saúde e não a favor dela.
É
fundamental que os jornalistas e comunicadores se dêem conta
de que a Big Pharma tem como objetivo principal o lucro e não
a saúde e que é muito sensível às
oscilações do mercado. Por isso, muitas das organizações
que a integram estão dispostas a qualquer coisa para continuarem
crescendo e distribuindo lucros para os seus investidores. Por
isso, ao tomá-las como fontes, devem ter presente de que,
na maioria dos casos, não estão diante de benfeitores
da humanidade, como costuma ser o seu discurso hipócrita
de responsabilidade social, mas de vilões na verdadeira
acepção da palavra.
É
preciso separar o joio do trigo, mas sobretudo ficar com os olhos
bem abertos. Por aqui, a crítica a elas tem sido bastante
atenuada, mas é ilustrativo consultar organizações
independentes e mesmo profissionais ou representantes de entidades
científicas lá de fora (sabia que pesquisadores
receberam dinheiro da Big Pharma para assumirem a autoria de artigos
encaminhados a revistas científicas que nen mesmo tiveram
o trabalho de ler? Lógico, artigos produzidos por elas!).
Basta colocar Big Pharma como palavra chave no Google para recuperar
um conjunto formidável de denúncias e processos
que a envolvem no mundo todo.
Olho
vivo e mão no bolso. A Big Pharma tem tentáculos
poderosos. Ela costuma matar por asfixia.
Em tempo 1: todas os casos
citados aqui têm sido relatados pela imprensa brasileira
ou internacional. É fácil ter acesso a este material.
Não são novidade portanto. Apenas trouxemos para
um único texto para que você, leitor, possa contextualizá-los,
juntar os pedaços. A Big Pharma sabe disso e tem sido acusada
de processar jornalistas, ameaçar médicos e cientistas
para sufocar as vozes contrárias. Nem sempre tem dado certo
e por isso sua imagem é tão ruim. Convenhamos, ela
merece a fama. A ânsia voraz pelo lucro deixa muitas empresas
com a cara suja no filme. Não há agência de
propaganda ou de comunicação que consiga limpá-la,
embora muitas agências se esforcem e ganhem muito dinheiro
para isso.
Em tempo 2: No livro Crimes
Corporativos, que saiu por aqui e anda com a edição
esgotada, há inúmeros capítulos sobre a Big
Pharma. Num deles, que vem a calhar em função deste
editorial, o pai do presidente Bush também comparece com
desenvoltura comprometido com os interesses dos gigantes farmacêuticos.
Você não se surpreende com isso, não é
verdade?
Em tempo 3: Algumas empresas
farmacêuticas também atuam na indústria agroquímica,
de biotecnologia e de sementes. Sempre com a mesma disposição
para o monopólio e a mesma prática lesiva aos interesses
de países e de cidadãos.
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