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Marketing
de Relacionamento em serviços de saúde: comunicação
entre o profissional da saúde e o cliente
Danielle Maestri*
João Carissimi*
Resumo
O artigo aborda o marketing de relacionamento para organizações
de saúde, tendo como pano de fundo os campos da Comunicação,
Marketing e Saúde. Apresenta o pensamento de alguns autores
que estudam estas áreas. Aborda as possibilidades do marketing
de relacionamento entre o profissional da saúde e o cliente.
A partir de entrevista em profundidade com profissionais da Saúde
pretende-se responder como a comunicação está
acontecendo entre profissionais da saúde-pacientes, no
cenário das cidades de Balneário Camboriú
e Itajaí. Outras questões deste trabalho visam responder
se aquisição de softwares de relacionamento dá
retorno e o grau de importância das relações
para aquisição de novos consumidores. Conclui evidenciando
a importância da comunicação verbal nos relacionamentos
profissional-paciente, sendo o diferencial nos serviços,
apesar dos avanços tecnológicos, que melhor planejados
podem interferir nos resultados esperados por ocasião da
implantação do conceito de marketing de relacionamento
em organizações de saúde.
Palavras-chave:
Marketing de Relacionamento. Saúde. Comunicação,
Relações Públicas.
1.
Introdução
Al Ries criou polêmica ao afirmar que a Propaganda está
em queda. Ries esteve, abril de 2003, em São Paulo e fez
uma palestra sobre o livro: "A queda da propaganda e a ascensão
das Relações Públicas", cujo título
em português ficou: "A queda da propaganda: da mídia
paga à mídia espontânea" - Ed. Campus,
Rio de Janeiro, 2002. O citado livro expõe que a propaganda
serve apenas para lembrar o consumidor que a organização
existe. Pois, durante trinta anos houve "endeusamento"
da mesma, mas são práticas mais baratas e menos
chamativas que mantém o cliente utilizando os serviços,
por isso o foco em Relações Públicas que
cuidam do contato/relacionamento com o público.
Em
realidade, com a evolução dos meios de comunicação
a tendência é o redirecionamento das atividades em
profissões que atuam na mesma área. Os produtos
chegaram a um ponto que a tecnologia os deixa igual, a diferença
está no relacionamento originado com os consumidores e
a propaganda apenas recordará a marca.
Para
inúmeros profissionais, independente da área de
atuação, o Marketing de Relacionamento se tornou
praticamente uma aquisição de software. Na era da
informática armazena-se dados de clientes, mas poucos utilizam
os mesmos para transformá-los em informação,
analisando-os e criando estratégias para manter e atrair
novos consumidores.
Os
bancos de dados de clientes são uns processos e não
um objetivo, os clientes devem ser identificados como indivíduos.
As informações devem proporcionar um conhecimento
das necessidades e expectativas, mensurarem a satisfação
e, depois fornecer canais de comunicação para demonstrar
um sentimento de reconhecimento pelos clientes. Por isso, inúmeros
destes "milagreiros" softwares são adquiridos
e não se vêem mudanças significativas nos
relacionamentos ou lucros das empresas, porque no processo o quê
continua importante é a forma como as pessoas são
atendidas e o formato dos contatos pós-atendimento. A época
das "massas" já passou, com o excesso de informações
gerado na mente do consumidor, os indivíduos cada vez mais
querem ser valorizados, reconhecidos e atendidos de forma personalizada.
As
pessoas estão constantemente sendo bombardeadas de informações,
não suportam mais a sobrecarga (televisão, rádio,
correio, telefone fixo, celular, e-mail, intranet, sites, chats)
porque o desenvolvimento dos últimos 50 anos permite que
elas sejam encontradas em qualquer lugar, às 24 horas do
dia. Esta mesma tecnologia está criando bloqueios e desvios
para que se possa ter um limite mínimo de privacidade.
Os indivíduos querem mensagens simples, as quais passem
segurança, sem muita diversidade. Pois, a mudança
também é um fator assustador para a maioria e, sem
a predisposição para modificar não é
uma mensagem específica que alterará seus conceitos
pessoais.
Receber
informação, bom atendimento e respeito é
apenas sine qua non para se manter consumindo determinado produto/serviço.
As pessoas querem o diferencial, sentirem-se únicas. Na
Saúde, uma preocupação real do profissional
que as está atendendo. Ninguém mais dispõe
de horas para esperar ou ir a determinado local para não
ser diagnosticado, é essencial ser amparado e ter segurança
em relação aos procedimentos numa época de
mudanças.
Não
existem mais profissionais que se aproximam dos consumidores da
área de Saúde, a história de ser quase da
família está ultrapassada, o quê permaneceu
foi transformado em programas com uma equipe para implantar. Porém,
nas consultas individuais existe pouco contato. O ser humano não
tem mais tempo para encontrar o outro. Com a tecnologia todos
estão conectados, porém cada um numa localidade,
dissemina-se à informação e também
à distância do tato, esfriam-se as relações.
Com
a evolução dos meios de comunicação
nas últimas décadas, a velocidade do acesso à
informação e a constante adaptação
dos profissionais ao mercado, ainda há áreas que
não incorporaram as vantagens das atividades de comunicação
aos seus negócios. A Saúde é uma delas, continua
tratando seus pacientes como pessoas a serem curadas, doenças
com resoluções imediatas, quando seus clientes estão
dispostos a consumir seus serviços a longo prazo.
Neste
trabalho, as palavras paciente, cliente, público, usuário
e consumidor são utilizadas como sinônimas. Os termos
publicidade e propaganda possuem diversas definições.
Livros técnicos trazem o conceito de seus autores e dicionários
específicos da área também. Existem profissionais
de comunicação que acreditam que publicidade é
institucional e a propaganda é comercial, também
há aqueles que pensam que a diferença está
em ser paga ou não. Este artigo não pretende defender
uma linha de pensamento ou outra, pois o foco está no relacionamento
entre os profissionais da Saúde e seu público, os
pacientes. Por isso, os dois termos serão utilizados como
sinônimos. Segundo Teixeira (1996, p. 216) publicidade e/ou
propaganda é:
a ação de propagar, espalhar, tornar público,
dar conhecimento, disseminar idéias, teorias ou fatos.
Os termos são sinônimos e representam a arte de exercer
uma ação psicológica influenciadora sobre
o público com fins comerciais ou políticos.
Stanton
(1980, p. 05) define marketing como "um sistema global de
atividades comerciais interatuantes destinadas a planificar, calcular
o preço de venda, promover e distribuir produtos e serviços
que satisfaçam a uma necessidade de compradores atuais
e futuros". Quatorze anos depois Kotler (1994, p. 24) amplia
esta definição, numa tentativa de indicar o caminho
para os profissionais, com "análise, planejamento,
implementação e controle de programas cuidadosamente
formulados para causar trocas voluntárias de valores com
mercados-alvo e alcançar os objetivos institucionais"
e que o mesmo abrange a programação das ofertas
da organização de forma a atender as necessidades
e desejos do público - utilizando preço, comunicação
e distribuição para informar/motivar/atender esse
mercado. Atualmente, lembra Teixeira (1996, p. 23) a definição
mais aceita, domínio público, é: "conjunto
de atividades coordenadas que visam facilitar e realizar trocas
atendendo necessidades legítimas de consumo".
A
Era do "sou o melhor, descubra-me", "Consuma-me,
mesmo que não precise", ficou para trás, agora,
os serviços têm um objetivo real - servir os consumidores.
Com o marketing surge a Era do "Quem é você?
O que precisa? Quanto pode pagar? Qual a melhor maneira de chegar
até você?". Os profissionais atuais estão
preocupados com a manutenção da clientela e esse
processo não deve ignorar o marketing, independente da
área de atuação, pois a pesquisa assume um
papel fundamental quando formula perguntas e obtém soluções,
que orientam a ação e direção a ser
tomada para com o público, este diagnóstico é
primordial para confecção de um planejamento que
gere resultados.
Berry
(1996) foi um dos primeiros autores a utilizar a expressão
marketing de relacionamento e a definiu como a atração,
manutenção e ênfase nos relacionamentos com
os clientes. Sustentou que a atração de novos clientes
deveria ser vista como um passo intermediário, pois solidificar
relacionamentos, transformar clientes indiferentes em leais e
os servir deveria ser a inspiração das atividades
de marketing. E, podem-se incluir profissões em geral,
pois não há sobrevivência para os que acreditam
que oferecer o serviço é a única ação
necessária.
Cardoso
e Gonçalves Filho (2001, p. 23) expõem que
marketing de relacionamento focaliza principalmente a satisfação/relação
com cliente, permite descobrir suas expectativas e necessidades
individuais, atuando de maneira administrativa e, conseqüentemente,
permite aperfeiçoar seus produtos e melhorar seus serviços
de maneira que se possa atender os clientes de forma personalizada,
fazendo assim crescer a lealdade e respeito do cliente junto à
empresa.
O
Marketing de relacionamento é um conjunto de atividades
que desenvolvem um relacionamento entre quem oferece um serviço
e quem consome o mesmo desde o primeiro contato. Em teoria, o
mesmo deve estar atrelado a um banco de dados eletrônicos
onde as informações são armazenadas para
que o "disponibilizador" de serviços acesse e
crie estratégias para conquistar aqueles que precisam de
seu trabalho.
O
marketing foi dividido entre de produtos e serviços. A
definição de "marketing de serviços"
- cuida dos aspectos relacionados a um serviço desde a
concepção até a realização
objetivando a obtenção da satisfação
e preferência do cliente - não é mais necessária,
pois ela surgiu em uma época de revalorização
do cliente, enquanto o "marketing de relacionamento"
apareceu na inovação informacional, servindo apenas
para um ajuste das táticas já utilizadas aos meios
tecnológicos. Hoje em dia, consumidores são a razão
de um serviço existir. Tecnologia, informações,
manter/conquistar clientes é uma obrigação
para sobrevivência no mercado.
Apostou-se
em uma estratégia unânime e, no mínimo ingênua,
abandonando-se a multiplicidade e complexidade humana. Para simplificar
processos e acompanhar tendências mercadológicas,
os profissionais investiram em propaganda massiva e "padronizaram"
o atendimento. Ao implantar a tecnologia, o subjetivo foi colocado
para segundo plano, vontades particulares dos consumidores foram
abandonadas e os prestadores de serviços não se
deram conta que a longo prazo estariam cometendo suicídio
profissional.
Muitas
teorias surgiram em relação a estratégias
e ferramentas de comunicação, bem como as qualidades
no relacionamento. Posteriormente, foram revistas, pois estavam
direcionadas apenas a produtos, como os tão alardeados
4 P's (Produto - características físicas; Ponto
- distribuição do mesmo; Preço - planejado
e imposto ao consumidor; e, Promoção - propaganda).
Dos 4 P's se originou os 4 C's (Cliente - ao invés de produto;
Custo - possível e aceitável por este cliente; Conveniência
- para melhor atender, entregar e conquistar; e, Comunicação
- contatos contínuos) - Lauterborn apud Rabaça e
Barbosa, 1996, p. 51 - O quê demonstra que as teorias não
devem mais permear tangebilidade ou não do que é
oferecido, independente de ser classificado como produto ou serviço,
o foco de qualquer atividade é e sempre será o cliente.
Gusso
(2004, p. 18) explana que
o perfil do envolvimento pode ser considerado a partir de
cinco dimensões independentes: o interesse pessoal de um
consumidor por uma categoria específica de produtos, seu
significado ou importância pessoal; a importância
percebida das conseqüências negativas potenciais associadas
com uma má escolha de produto (risco percebido elevado);
a probabilidade de se fazer uma má compra; o valor do prazer
da categoria do produto; e o valor do sinal da categoria do produto.
O
que Gusso explica no periódico acima ilustrado é
o comportamento do dia-a-dia do consumidor. O cliente toma suas
decisões por meio dos níveis de envolvimento com
o serviço - quanto mais o interessa pessoalmente, maior
será seu esforço na busca de informações
sobre o serviço; quanto mais influenciar no seu cotidiano,
maior será o interesse em contra argumentar e coletar conhecimento
para compreensão dos fatos; quanto mais o consumidor puder
se arrepender em relação à compra, maior
será a disposição para processar em estágios
sua decisão; quanto mais os consumos anteriores deram certo,
maior será a dificuldade para mudar os hábitos;
quanto mais cara a compra, maior será à vontade
de entrar em contato com o público que já consumiu
o serviço.
Em contra partida Kotler (1998) antecipa tendências, distinguindo
cinco níveis de relacionamento do profissional com o cliente:
| Relacionamento |
Postura do prestador de serviço |
| Básico |
Realiza o serviço e não
faz acompanhamento; |
| Reativo |
Realiza o serviço e incentiva
o consumidor a manter contato (dúvidas, problemas);
|
| Confiável |
Após o serviço entra
em contato para conhecer as "impressões"
do cliente e receber sugestões para implantar melhorias;
|
| Pró-Ativo |
O Profissional ou alguém
ligado a ele entra em contato de tempos em tempos para conhecer
a realidade do paciente e aconselhar; |
| Parceria |
O Profissional seleciona seus
melhores "críticos" para participarem de
técnicas de comunicação que resultarão
em projetos e estratégias para benefício de
todos os consumidores. |
Quadro 1. Níveis de
Relacionamento
Fonte adaptada pela autora: KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios
de Marketing. 7. ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil,
1998.
O
quadro acima assinala o nível de aproximação
dos pacientes e incluí uma escala para análise,
assim o profissional da saúde pode visualizar em que patamar
está os relacionamentos com seus clientes e traçar
metas para atingir o nível de parceria, pois "planejar
a estratégia de marketing significa levantar, organizar
e sistematizar o maior número de fatores que possam interferir
no sucesso do empreendimento" (Rabaça e Barbosa, 1996,
p. 43), este procedimento consome tempo e requer atualização
constante.
O
profissional não conseguirá percorrer sozinho as
etapas de relacionamento e para isso necessitará de uma
equipe que visualize as ações e esteja interada
das estratégias. Miranda (1994, p. 47-8), explana sobre
os 7 Pilares (Orientação - posicionamento estratégico
do negócio; Informação - captação
de dados e processamento de informações para alimentar
os outros pilares; Planejamento - decisão e orientação
estratégica de objetivos; Organização - mobilização
de recursos para execução do planejamento; Comunicações
- troca de informações e coordenação
dessas para assegurar a fluência dos processos; Motivação
- ações adequadas à movimentação
dos processos de conscientização, envolvimento e
comprometimento; e, Liderança - acionamento, monitoração,
controle, capacitação contínua e progressiva)
que representam um programa completo com gestão a longo
prazo, mas com resultados duradouros.
Os
7 pilares foram escolhidos como exemplo, pois apresentam as etapas
necessárias para iniciar o processo de comunicação
voltado para o cliente. Deve-se destacar no processo da implantação
de marketing de relacionamento com os clientes: Informação,
pois a alimentação incorreta deste sistema implicaria
em danos irreparáveis para a organização;
e, Comunicações, pois depende da análise
do que deve ser comunicado e de que forma, senão houver
um gerenciamento adequado o resultado será oposto do que
inicialmente foi pensado e proposto pela instituição/profissional.
Chaston
(1992, p. 190) lembra que
embora a integração das atividades gerenciais
pareça ser um objetivo relativamente simples, a concretização
desse objetivo com freqüência é difícil.
Em grande parte isto acontece porque a integração
de qualquer função ou processo só pode acontecer
se ele for percebido como compatível com o sistema de valores
da organização. As normas e atitudes que, coletivamente,
formam a base dos valores de uma organização são
conhecidos como cultura organizacional. Essa cultura fornece o
significado e a direção que mobiliza a organização
para a ação. O fato dessa ação ser
benéfica ou prejudicial vai depender da cultura prevalecente
ser compatível com a missão da organização
e com o estilo de liderança fornecido pela equipe gerencial.
Por
isso, aqueles que realmente se interessarem em originar um relacionamento
sincero com seus consumidores terão que percorrer um longo
caminho que começa com a mudança de postura/cultura/crença/valor
direcionando a equipe para o cliente. Os funcionários deverão
ter certa autonomia para tomar decisões, o trabalho em
grupo terá que ser enaltecido, programas para contratar
as pessoas certas e treinamento para as mesmas precisarão
ser implantados, bem como recompensas pelo bom desempenho. Pois,
este novo século, procura observar, adquirir dados, estudá-los,
convertê-los em estratégias/táticas individualizadas,
obter feedback e reanalisá-los para atingir objetivos/metas
e continuar a relação cíclica de comunicação
com o cliente. Os serviços de Saúde devem repensar
sua visão e incluir planejamentos estratégicos de
comunicação organizacional nas atividades dos profissionais
deste ramo para que os estudos em relação ao paciente
evoluam.
Toda
a equipe entra em contato com o paciente, não apenas o
médico que o está acompanhando, é ela que
dará o retorno do que o cliente comunicou e, estando instruída
e motivada poderá monitorar a qualidade da experiência
do consumidor. Normalmente, das pessoas contratadas para "linha
de frente" não se exigi muita experiência ou
conhecimento na área de Comunicação, o que
é um grande erro, pois estes indivíduos podem coletar
informações preciosas no momento da inserção
das mesmas em um banco de dados e mesmo por meio de pesquisa de
observação.
Os
pacientes em geral querem atenção e acreditam que
a organização ao contatá-los para responder
enquetes/pesquisas quer realmente conhecê-los e solucionar
seus problemas. A única forma disto acontecer é
fornecendo dados sobre si mesmo, assim suas necessidades poderão
ser satisfeitas, além da vaidade natural do ser humano
que adora falar sobre si mesmo, o que ajuda a instituição,
bastando que ela disponibilize um funcionário treinado
para se comunicar com o cliente.
Vavra
(1993, p. 130) expõem que um diálogo com o consumidor
propícia um processo de quatro passos (os quatro A's do
pós-marketing): estabelecer um procedimento para Aceitar
a correspondência do cliente - combinar com o público
interessado como deve ser a comunicação com o profissional;
empregar especialistas para Analisar esta correspondência
- contar com equipe que analise as entrelinhas do que foi comunicado
para não haver ruídos na interpretação
e resposta; assegurar os Agradecimentos aos mesmos - toda informação
passada será utilizada de uma forma ou de outra, por isso
aqueles que dispuseram de tempo para comunicar o quê está
certo/errado merecem o respeito da resposta; e, propiciar Ação
sobre as informações coletadas - de nada adiantaria
acumular um conhecimento que não é colocado em prática
para benefício da população e da reputação
do profissional.
Epstein
(2001, p. 174-5) lembra que existem obstáculos à
comunicação e os seis mais freqüentes são:
Envolvimento emocional - O estado do paciente ao tomar conhecimento
da sua realidade e a crença do distanciamento do profissional
por estar em uma posição de autoridade; Diferença
de status - A distância social (educação,
renda, posição) como barreira para compreensão,
pois o vocabulário difere causando interpretações
divergentes; Tempo - Não a duração da consulta,
mas a compreensão da linguagem e atitude amigável
do profissional que somam para a credibilidade; Diferença
de conhecimento - Situação incômoda de dependência
do paciente para com o profissional por desconhecer o tema; Comunicação
unilateral - Só o profissional explana, não deixando
o paciente interagir, o que pode distorcer o sentido; Dificuldades
lingüísticas - Linguagem técnica se torna incompreensível
para a maioria das pessoas.
Até
o momento foram expostos definições, históricos,
planejamentos, procedimentos e dificuldades. Quando a necessidade
da troca de informações, conhecimentos, e relacionamentos
torna-se urgente o profissional, independente do conhecimento
da área de Comunicação, deve ter noção
que precisa se aproximar dos consumidores. Idéias e mudanças
de posturas tradicionais são necessárias.
O novo modelo de marketing reflete uma mudança do monólogo
para o diálogo no trato com os clientes. O resultado é
uma inversão dos papéis tradicionais de consumidor
e produtor, onde o consumidor dita exatamente como gostaria de
ser servido. Os novos consumidores esperam que lhes perguntem
sobre as suas preferências individuais e lhes tratem - tanto
quanto possível - como se essas preferências estivessem
sendo respeitadas. (McKenna, 1998, p. 39).
As
formas de obter dados para novos formatos de relacionamento precisarão
ser mais bem elaboradas, destas devem constar: exames minuciosos
dos convênios, seguros e planos de saúde; dados disponíveis
nos mercados nacionais e internacionais; informações,
sugestões e reivindicações colhidas pela
equipe diretamente com o paciente e ainda, "discussões
de grupos" formadas por clientes e não-clientes dos
profissionais da Saúde. Há urgência na retomada
do relacionamento e comunicação, principalmente
para área de saúde. Nela os consumidores estão,
na maioria das vezes, em um momento delicado e, um diagnóstico
ou a forma de transmiti-lo, pode influenciar e mudar a vida do
mesmo e de toda a comunidade a que pertence. Os pacientes nestas
condições dependem de profissionais que valorizem
a humanidade dos relacionamentos e conheçam comunicação.
As empresas mal orientadas para o mutável terreno
comportamental dos consumidores afinados com a tecnologia quase
sempre descrevem suas preferências em termos aparentemente
inteligentes extraídos de interpretações
de pesquisas, e não de informações interativas.
Mas a empresa corretamente orientada imporá a si mesma
a meta de compreender o consumidor por meio do diálogo.
Ela sabe que os clientes bombardeados com propostas de vendas
que não refletem a capacidade de atendimento às
suas necessidades reagirão cada vez mais com fúria
procrustiana ou, o que é pior, com fatal indiferença.
(McKenna, 1998, p. 42).
A
sociedade atual é moderna, veloz e exigente em relação
às novas tecnologias implantadas. Um profissional que prometa
uma comunicação rápida e não cumpra
será a longo prazo excluído do mercado. Ele pode
interpretar as pesquisas, informar-se interativamente, mas terá
que dialogar com seu paciente que está pautado em informações,
argumentos, estudos na net e, outros meios disponíveis.
Com as novas tecnologias outros desafios surgiram, pois os consumidores
necessitam de apoio e informações em tempo real,
querem ser parte integrante do desenvolvimento e aprimoramento
dos serviços. Por isso os profissionais que almejam continuar
no mercado devem ter disposição para acompanhar
as mudanças e perceber os novos papéis a serem desempenhados
através do marketing.
Um
bom exemplo desta modernização, lembrado por McKenna
(1998, p. 43-4), é o Endocrine Metabolic Medical Centre
(EMMC) que contratou uma empresa, Caresoft, para desenvolver um
software de "gerenciamento de problemas" no qual um
subgrupo de pacientes com diabete e dificuldades em manter os
níveis de glicose no sangue dentro das faixas desejadas
é assistido por funcionários da clínica de
forma direta e proativa através da Internet. Os diabéticos
fornecem os dados extraídos de seus dispositivos digitais
para o monitoramento de glicose e os transmitem para os atendentes,
recebendo como resposta através do sistema recomendações
e lembretes, além de um feedback instantâneo do atendente
sobre as providências a serem tomadas. Embora o número
de pacientes deste projeto-piloto seja pequeno, os resultados
preliminares revelaram uma sensível melhoria na capacidade
de controlar o seu sofrimento.
Alguns
profissionais colocarão que não dispõem de
número de funcionários suficiente ou que desconhecem
as ferramentas tecnológicas para o desenvolvimento de tal
nível de relacionamento. Porém, o exemplo acima
deve funcionar como lembrete que na atualidade a tendência
é se adaptar às inovações e que cada
vez mais as pessoas realizam um trabalho "virtual",
o que poderia diminuir consideravelmente as filas de espera, pois
a maioria dos pacientes agenda consultas para tirar dúvidas
em relação ao tratamento proposto pelo médico.
Eventos
são outra alternativa para aproximar os pacientes. O profissional
pode instituir uma data (mensal, semestral, anual) ou calendário,
que servirá de momento de encontro com seus clientes. Esses
clientes poderão se conhecer e levar seus familiares, o
que aumentará o ciclo de consumidores propagando os serviços
prestados e atrairá por meio de "boca-a-boca"
novos usuários.
Gracioso
(1995, p. 76) destaca que certa dose de previsibilidade nos procedimentos
se transformou em um atributo indispensável, pois o povo
brasileiro está farto de sobressaltos e surpresas, prefere
confiar em homens e empresas que transmitam segurança,
serenidade e estabilidade. Essas três últimas características
apresentadas são essenciais na escolha, da maioria dos
pacientes, de um profissional para interagir e cuidar da saúde.
Na verdade, a administração do relacionamento
com o cliente é tão importante quanto o próprio
serviço que oferecemos. A longo prazo, só teremos
êxito se conseguirmos compreender e até antecipar
as necessidades e expectativas do nosso cliente. Além desse
interesse sincero pelo seu cliente, o vendedor de serviços
deve ser também hábil negociador, capaz de informar
corretamente, enfrentar objeções, evitar (ou resolver)
conflitos e chegar enfim a um desfecho favorável.
(Gracioso, 1992, p. 87).
Seria
perigoso afirmar que não existem mais consumidores ingênuos
que desconhecem termos ou direitos, pois num país tão
amplo não podemos cair em tal ignorância. Porém,
o reconhecimento do saber do outro é necessário
em qualquer profissão, à humildade de aprender deverá
ser sempre considerada. Os últimos 10 anos proporcionaram
um acesso à informação, que apesar de enlouquecer
alguns, tornou mais justa a aquisição de serviços
por outros e, aqueles profissionais que estão seguros em
relação ao seu conhecimento podem negociar com estes
clientes bem informados o tratamento de seus infortúnios
sem se sentirem ameaçados. Pois, Hansen (2004, p. 62) defende
que assim como há campanhas nos meios de comunicação
para prevenção de doenças, estas deveriam
acontecer também para profissionais de saúde, independente
dos órgãos que patrocinem e profissionais que direcionem.
Campanhas que humanizem, sem procedimentos ou engenhocas tecnológicas,
apenas o "curador" percebendo o humano à sua
frente. Pois, "o mais difícil da saúde na comunicação
é, infelizmente, o homem!".
2.
Objetivo geral
Mostrar que marketing de relacionamento se faz antes, durante
e depois do atendimento, mesmo em serviços de saúde.
2.1. Objetivos específicos
- Verificar como a Área
de Saúde se comunica com seus clientes;
-Analisar se a aquisição de softwares de "relacionamento"
está trazendo retorno aos profissionais;
-Investigar se o relacionamento humano é diferencial
para aquisição de consumidores de serviços.
3.
Metodologia
De
nada adiantaria imaginar como o relacionamento profissional da
Saúde - paciente está ocorrendo senão fosse
indagada diretamente a um dos envolvidos sua impressão
sobre o assunto, como a maioria das pesquisas é realizada
com os consumidores de serviços, nesta o foco é
o profissional que os presta. Optou-se pela escolha de cinco profissionais
entre as 15 profissões da Área de Saúde,
um de cada especialidade (Enfermagem, Fisioterapia, Medicina,
Odontologia e Psicologia), para entrevista. A pesquisa tem o formato
de entrevista, com roteiro de 35 perguntas abertas, foi realizada
por meio de encontro pessoal com cinco profissionais da Saúde
- Enfermagem, Fisioterapia, Medicina, Odontologia e Psicologia.
Os mesmos foram escolhidos de maneira aleatória, cada especialidade
recebia o convite pessoalmente ou por telefone. Os cinco profissionais
têm entre 25 e 60 anos, do sexo feminino e masculino, trabalharam
ou trabalham na área pública e privada. Foram contatados
no mês de abril e início de maio e, entrevistados
de 10 a 21 de maio - dois em seus horários de almoço,
dois após o expediente semanal e um no plantão de
sábado.
A
pesquisa foi dividida em cinco partes (Formação,
tecnologia e conceitos; Nível de envolvimento; Nível
de relacionamento; Alternativas de ação; e, Futuro)
de forma generalizada para que os entrevistados se sentissem à
vontade e fosse contado um pouco do seu dia-a-dia. Pois, desta
forma poderia ser avaliado o grau de envolvimento e disposição
para mudança do quadro atual. Cada parte da mesma esta
buscando respostas sobre o relacionamento destes disponibilizadores
de serviços com seus clientes. Lembrando que, no caso de
enfermagem, alguns dados são da instituição
para qual o profissional trabalha, pois esta especialidade não
possui local próprio para atendimento.
4.
Resultados
4.1 Formação, tecnologia e conceitos
Esta
parte da pesquisa busca os meios que estes profissionais estão
se comunicando; estudaram e/ou atualmente se informam sobre comunicação;
dificuldades nesta área; se já utilizaram ajuda
de profissional de comunicação/marketing; seu conceito
sobre lealdade de pacientes; adquiriram e fazem uso de softwares
de "relacionamento"; e, a importância que dão
ao relacionamento no tratamento de seus clientes.
Quanto
aos meios os mesmos se comunicam oralmente nas consultas e por
telefone no local em que atendem. Desses, três disponibilizam
celular e e-mail e, um quarto além do celular repassa o
telefone domiciliar. Nenhum deles na graduação teve
matérias que tratassem da área de comunicação
e dois lembraram de ter visto algo sobre relacionamento na disciplina
de psicologia.
Dos
entrevistados dois entraram em contato com a área de comunicação
em especializações, um em outra graduação,
um é autodidata e um não se informa sobre o assunto.
Quanto a dificuldades de comunicação com o paciente,
três não as sentem, um apresenta em marketing pessoal
e um acredita estar melhorando com a prática. Quanto a
se aliar a um profissional de comunicação/marketing
dois encomendaram peças gráficas e um anunciou em
listas telefônicas.
Quanto
à lealdade os mesmos acreditam que um paciente é
leal quando: procura você onde estiver porque confia em
você; faz propaganda boca-a-boca dos seus serviços;
os profissionais que o tratam se relacionam bem com ele; é
franco e direto na comunicação; é verdadeiro
com ele mesmo (marca e comparece, desmarca quando não quer,
avisa o quê está ocorrendo); segue suas orientações;
te escuta; e, tira dúvidas contigo.
Quanto
a softwares de "relacionamento" três possuem algum
tipo de banco de dados eletrônicos, porém as informações
adicionadas são básicas (dados pessoais, patologia
e tratamento) e destes dois têm arquivos manuscritos, ou
seja, a tecnologia é utilizada apenas no primeiro contato.
Quanto à influência do relacionamento no tratamento
os entrevistados foram unânimes em afirmar que é
o principal fator, pois "sem empatia o tratamento não
flui", "auxilia a adesão ao tratamento",
"é o quê cria vínculos".
Esta
primeira parte indica como está o mercado de saúde
em Balneário Camboriú e Itajaí. Os profissionais
se comunicam pouco antes e depois de prestados seus serviços
e por meios convencionais, não utilizando a tecnologia
disponível atualmente. As faculdades não proporcionam
a interdisciplinaridade e não preparam os mesmos para se
relacionar com seus futuros clientes, àqueles que sentem
dificuldades e se preocupam em proporcionar melhor qualidade no
atendimento buscam cursos para se aperfeiçoarem ou estudam
individualmente.
Os
profissionais de comunicação/marketing são
requisitados apenas para propaganda (folders, cartões e
anúncios de listas), outras atividades como planejamento,
pesquisas (de opinião, satisfação, organizacionais,
focus groups) ou assessorias de comunicação não
são conhecidas. Ou, como um dos entrevistados colocou faltam
no estado de Santa Catarina profissionais da área de comunicação
e marketing habilitados para lidar com esta interdisciplinaridade.
Expuseram que a relação é fundamental para
que o serviço seja bem prestado e haja empatia. Todos sabem
as ações geradas por clientes leais, porém
deve ser lembrado que estas atitudes são um feedback de
como os mesmos são tratados, no sentido de relacionamento,
por este profissional. Afinal, consumidor que não recebe
resposta adequada de um prestador de serviços não
se torna leal.
Em
termos de tecnologia os profissionais formados na década
de 90 têm softwares, porém subutilizados apenas com
cadastramento de dados pessoais (nomes, endereços, entre
outros). Assim, poderiam realizar fichamento manual já
que os mesmos raramente voltam a ser acessados e não são
programados para individualizações, lembretes ou
usados em pesquisa para proporcionar melhorias. Também
há um agravante lembrado por um dos entrevistados, não
existem funcionários que saibam trabalhar de uma forma
mais aprofundada com estes softwares.
4.2
Nível de envolvimento
Esta
parte analisa o nível alto ou baixo de: interesse pessoal;
importância percebida no serviço; probabilidade de
frustração; prazer; e, disposição
financeira para aquisição destes serviços.
Em relação aos pacientes dos profissionais entrevistados,
três possuem pacientes que buscam ativamente informações
- um têm clientes que contra-argumentam e os dois outros,
menos de 10% dos consumidores realizam a contra-argumentação.
No momento de tomar suas decisões seguidas de vários
estágios de aprofundamento em relação ao
seu quadro clínico, dois profissionais lidam com pacientes
que agem desta forma. Nas perguntas em relação à
desistência - retorno de consultas, antes da primeira consulta
ou mesmo na sala de espera - três profissionais coletam
estes dados e um não. Em enfermagem a pergunta não
se aplica, pois os pacientes estão internados, as raras
ocorrências podem acontecer para profissionais que atendem
em domicílio.
A
indicação destes profissionais para prestação
de serviços é feita por clientes satisfeitos. Todos
os profissionais entrevistados foram unânimes em afirmar
que são descobertos por novos consumidores por meio de
outras pessoas com as quais mantiveram contato - pacientes, ex-pacientes,
familiares dos mesmos, amigos e conhecidos de seu público,
bem como outros profissionais da área. Numa primeira análise
poderia ser confundido com interesse pessoal baixo dos pacientes
o fato de buscarem poucas informações, porém
este nível deve ser avaliado juntamente com o valor do
sinal, ou seja, disposição financeira para aquisição
dos serviços, que tem um nível altíssimo
já que todos utilizam outras pessoas como fontes de informação
ou imitação pessoal. Sendo assim, o nível
de interesse pessoal é alto, pois apesar dos clientes não
buscarem ativamente informações sobre o tratamento
em si, adquirem sobre o profissional antes de marcar uma consulta.
O disponiblizador de serviços neste caso é o produto
comprado e a garantia de pesquisar com consumidores que já
tenham utilizado seus serviços demonstra o alto grau de
importância desta escolha.
As
contra-argumentações são um indicador do
nível de importância percebida nos serviços,
nesta pesquisa o índice foi baixíssimo e, a profundidade
de estágios para adquirir informações indica
a probabilidade de frustração, que também
apresentou níveis muito baixos. Poderia-se pensar que estes
clientes não estão interessados nos serviços
de saúde ou que não se preocupam com o tratamento
dar certo ou errado.
Porém,
deve-se avaliar o fator cultural embutido nestes dados, tal como
as idéias disseminadas em relação a estes
profissionais - "autoridade no assunto", "eu sou
leigo, o profissional é você" - que fazem com
que muitos pacientes não contra-argumentem. E, também
a realidade da educação voltada para consumo de
produtos, pois aquilo que é palpável se pensa a
qualidade como obrigação, mas para serviços
os clientes ainda não estão acostumados a reivindicar
seus direitos. Tanto que os consumidores citados como utilizando
vários estágios para processar informações
foram os profissionais da saúde, pacientes com doenças
crônicas ou com grau de instrução elevado.
Ou seja, pessoas que estão habituadas a contra-argumentam
em outras áreas, escolhendo o quê é melhor
e mais confortável para elas, quando os serviços
são de Saúde não o fazem.
A
maioria dos entrevistados tem clientes leais, pois o nível
de valor do prazer em relação ao serviço
é alto, ou seja, a não mudança de profissional
durante o tratamento e a baixa desistência apresentada.
Estes dados mudaram ao longo dos anos por atitudes destes profissionais
que começaram a interagir com o paciente: ligar comunicando
atrasos; negociar novas datas quando a espera será desconfortável;
educar o cliente - quando ele atrasa espera um horário
que dê para o encaixar e não o atender de forma que
atrase o horário de todos.
Outro
dado interessante que a entrevista revelou é que entre
o público que não comparece as consultas a grande
maioria utiliza convênios ou planos de saúde. O que
demonstra que, mesmo em uma área tão delicada como
a saúde, os indivíduos continuam dando menos valor
ao que é "gratuito", mais um indício da
educação em nosso país.
4.3
Nível de relacionamento
Esta
parte traz em que etapa do relacionamento (básico, reativo,
confiável, pró-ativo ou parceria) os profissionais
da Saúde estão com seus clientes. Além de
analisar como está à busca de informações
sobre estes consumidores e as comunicações com os
mesmos, pois estes pilares alimentaram todo o planejamento do
disponibilizador de serviços. Bem como, se utilizam os
4 A's com o público e individualizam os tratamentos. Quanto
ao acompanhamento dos pacientes durante o tratamento dois entrevistados
acompanham pelo telefone, dois acompanham somente em casos de
risco - um deles por telefone e o outro visitando - e, um acompanha
por meio de visitas no local de trabalho. Quanto ao incentivo
para contato, um se coloca à disposição,
porém não disponibiliza meios para isso, um passa
o número telefônico para casos extremos e três
entregam seus telefones e incentivam a ligar.
Quanto
às "impressões" do cliente sobre os serviços,
dois perguntam no primeiro contato, um no segundo e dois não
se informam sobre o assunto. Os profissionais foram unânimes
ao afirmar que administram bem sugestões e críticas,
refletem sobre o quê foi exposto e caso seja pertinente
implantam.
Quanto
a procurar saber o quê está acontecendo com o cliente
de tempos em tempos, três entram em contato por telefone,
um liga em quadros graves e um atende apenas emergências,
por isso não se aplica a pergunta. Se o paciente utilizar
outro meio que não seja pessoalmente para se aconselhar,
todos orientam, desses três encaminham pelo telefone e dois
deixam claro que a opinião deve ser avaliada pessoalmente.
O
resultado demonstra que os profissionais da saúde estão
na etapa do Relacionamento Confiável - Após o serviço
entra em contato para conhecer as "impressões"
do cliente e receber sugestões para implantar melhorias.
Apesar de alguns estarem prestando um serviço diferenciado
a iniciativa ainda parte do paciente, por isso os mesmos não
iniciaram a fase do Relacionamento Pró-ativo. Mesmo assim,
deve-se analisar o fator financeiro e cultural, bem como o quê
é considerado ética ou não de acordo com
cada profissão.
Quanto
a coletar dados e processar informações, três
dos entrevistados vão além das informações
básicas, porém os dados são manuscritos e
raramente analisados. Nesta pergunta foi avaliada a profundidade
de captação de dados para alimentar o planejamento
de procedimentos utilizados, a maneira arcaica de armazenamento
de dados, quando estes são coletados, demonstra que muitas
informações que seriam revertidas em ações
são perdidas.
Quanto
ao pilar da Comunicação, todos estão preocupados
e tentam adequar a linguagem para que esta não seja técnica,
tornando-a acessível aos consumidores. Quanto a se corresponder
com os clientes por outros meios, três profissionais utilizam
e-mail - um para divulgar cursos que interessem aos mesmos e dois
para assuntos não relacionados à área - ou
seja, em relação aos 4 A's do pós-marketing,
só três profissionais os utilizam e mesmo assim apenas
na primeira etapa que é a aceitação da correspondência.
A
individualização dos serviços é um
marco da nossa era, porém os profissionais da saúde
ainda não se atentaram para isso. Quanto a levantar preferências
para individualizar o tratamento, quatro coletam estes dados -
três costumam adequar em casos específicos e um apesar
de considerar difícil está sempre buscando novas
alternativas. Aquele que não o faz prefere não criar
expectativas que não pode colocar em prática, o
quê transmite bom senso, pois não há nada
pior para perder consumidores do que lançar idéias
ou indagar sobre preferências e depois, não conseguir
colocar em prática. Por isso, é melhor não
apresentar "novidades" mal planejadas e guardar futuros
projetos para uma implantação organizada, assim
a credibilidade do profissional é resguardada.
As
três etapas da pesquisa analisadas acima dizem respeito
a teorias das áreas de Administração, Comunicação
e Marketing de: Chaston, Epstein, Gusso, Kotler, Miranda e Vavra.
Algumas tiveram que ser adaptadas para serviços já
que foram criadas para produto. A quarta etapa da entrevista foi
inspirada em Gracioso e McKenna para uma busca de novas alternativas
no relacionamento profissional-cliente e adaptada pela Autora
para um verdadeiro marketing de relacionamento.
4.4
Alternativas de ação
Esta
parte da pesquisa analisa o interesse do profissional em adquirir
dados sobre seu público e novidades em sua área
de atuação. Até que ponto querem se aproximar
dos clientes - por meio de realização de pesquisas
para conhecimento de sua realidade e busca de melhorias; promoção
de eventos para os mesmos; e, transformação de seu
papel, incutido pela sociedade, de "superior" para estar
lado-a-lado como "negociador" de serviços.
Quanto
a obter dados de convênios, seguros e planos de saúde,
os entrevistados foram unânimes ao afirmar que não
ocorre este levantamento. Todos pesquisam o mercado nacional e
internacional para crescimento pessoal e profissional. Alguns
acreditam ser difícil à implantação
de alternativas já utilizadas em outros países ou
estados devido à realidade nacional e local, por exemplo,
ampliar o conforto disponibilizando produtos para os consumidores,
as tentativas resultaram em desperdício ou furto.
Quanto
à realização de pesquisa para coleta de informações,
sugestões e reivindicações dos consumidores,
apenas dois profissionais o fizeram e destes, só um implantou
melhorias após os resultados. As pesquisas de satisfação
foram avaliadas como de pouca profundidade, com questões
fechadas, interpretadas pelos próprios aplicadores e nos
moldes das utilizadas em redes hoteleiras. O quê pode ser
um indício da pouca credibilidade das mesmas.
Quanto
às "discussões de grupo", reunião
em que os pacientes falam o quê necessitam e como os serviços
poderiam ser melhorados, um profissional está implantando
a técnica, incluindo seus funcionários, com a ajuda
de um profissional de psicologia. O quê demonstra um primeiro
passo no sentido de tornar o relacionamento de parceria - última
etapa nas relações profissional-consumidor.
Quanto
à promoção de eventos para os consumidores,
dois entrevistados já realizaram - um no formato de encontro/workshop
e um no formato de reunião para sugestões, juntamente
com uma associação de doentes crônicos. Todos
os profissionais responderam que agem com seus clientes como negociadores,
porém respeitam os limites técnicos, o tratamento
e o bom andamento da organização previamente estipulado
por eles.
Vê-se
que os profissionais da Saúde ainda não estão
preparados para serem inovadores. Buscam poucas informações
sobre os consumidores de serviços e pesquisam suas áreas
mais para interesse pessoal do que para implantar novos formatos
de comunicação e procedimentos. Não realizam
pesquisas qualitativas com seus clientes e aqueles que o fazem
não adotam como um comportamento freqüente, não
analisam os dados dos softwares, desta forma contam apenas com
suas próprias idéias e a relação se
torna unilateral.
Os
mesmos não promovem eventos que aproximem seus clientes
e gerem novos consumidores, alguns sendo proibidos pelos Conselhos.
Estas associações deveriam repensar o quê
consideram publicidade, pois muitas vezes trabalhos que contribuiriam
para o profissional/consumidor/área, como campanhas preventivas
e de conscientização, deixam de ser realizados por
não haver aprofundamento de conceitos em outras áreas,
agindo de uma forma generalista e proibindo aquilo que desconhecem.
Um profissional de comunicação/marketing poderia
ajudar na delimitação dos termos e atividades.
Apesar
de todos os entrevistados se colocarem como negociadores abertos
às sugestões e implantação das mesmas,
proporcionando o diálogo com seus consumidores. Apenas
um se aliou a outro profissional de sua área para iniciar
reuniões de forma a gerar mudanças no seu ambiente
por meio da opinião de pacientes e funcionários.
O quê fica aquém de iniciativas de "negociadores"
para com seus clientes.
4.5
Futuro
Esta
parte da entrevista foi criada para que os profissionais deixassem
suas impressões sobre a interdisciplinaridade das áreas,
refletissem sobre o relacionamento com seus pacientes e deixassem
suas sugestões. Assim, as informações deste
trabalho para estudos posteriores serão democratizadas
e a discussão de Saúde e Comunicação
apresentará as duas visões. Os profissionais foram
indagados: como poderia ser melhorado o relacionamento profissional
da saúde-cliente; fez ou participou de projeto e/ou produção
científica na área de Saúde e Comunicação;
como imagina o futuro para cinco ou dez anos, consultas e tratamentos;
acredita que pesquisas nas duas áreas contribuam para aquisição
de conhecimento na área de Saúde.
As
respostas à questão sobre melhoria do relacionamento
foram para os profissionais: adequar-se à situação
do cliente, entender problemas de saúde, mas estar atento
para dificuldades emocionais e familiares; conversar e parar para
ouvir o quê está sendo dito pelo outro; investir
no seu crescimento pessoal. Para os pacientes sua parcela seria
buscar informações, questionar e ter poder aquisitivo
para investir em sua saúde.
A
Educação no país foi citada por todos, devido
a constante piora do quadro, com inúmeros cursos sendo
abertos a cada dia e profissionais não habilitados recendo
diplomas para entrarem no mercado. Isto é um reflexo do
ensino deficitário para a população em geral,
não só as universidades, mas a base para se chegar
nelas também, além da falta de priorização
da cultura. Em contra-partida os pacientes não possuem
o discernimento para distinguir entre o bom e o mau profissional.
Os entrevistados não participaram de projetos e/ou produções
científicas para as duas áreas. Quanto ao futuro,
três imaginam que o atendimento será realizado de
forma global (corpo e mente), bastando para isso uma reestruturação
no sistema de saúde do país e no formato de trabalho
dos planos de saúde. Acreditam também que a ampliação
da produção científica ajudará nesta
melhoria e como parcela pessoal estão passando seus conhecimentos
a futuros profissionais.
Um
dos entrevistados vê uma piora do quadro de saúde
nacionalmente, pois a população estará maior
e com menor poder aquisitivo e a saúde pública defasará
ainda mais, não atendendo a demanda. E outro, acredita
que a tendência é a mecanização, os
profissionais se dedicarão excessivamente à aquisição
de equipamentos e computadores e, esquecerão o lado humano
dos clientes, olhar no olho e tocar.
Na
indagação sobre as pesquisas de Saúde e Comunicação
contribuírem para aquisição de conhecimentos
destes profissionais, eles foram unânimes na afirmação
de que elas o fazem. Pois, "a comunicação é
fundamental na área de Saúde", "proporcionam
abertura e retiram preconceitos", "fazem o profissional
refletir", "geram informações e o profissional
poderá implantar o quê lhe é viável".
A única reclamação em relação
às pesquisas interdisciplinares é divulgação
maior em uma das áreas em detrimento da outra.
5.
Discussão dos resultados
Este
artigo mostra que os profissionais da Saúde que coletam
dados sobre seus clientes, não estão utilizando
estas informações para estreitar e personalizar
as relações com os consumidores de seus serviços,
de forma que o marketing de relacionamento ainda não iniciou
nos consultórios e instituições da saúde
em Balneário Camboriú e Itajaí.
Os pacientes são leais porque confiam na habilidade destes
disponibilizadores de serviços. Pois, seus níveis
de envolvimento em relação à saúde
são altos, porém não se pode deixar de lado
as questões financeiras, educacionais e culturais destes
consumidores, que na maioria das vezes não buscam informações.
A individualização nos tratamentos continua não
ocorrendo nesta área.
Destaca-se que é possível efetivar marketing de
relacionamento antes, durante e depois do atendimento, mas a pesquisa
revelou que os serviços de saúde ainda não
o implantaram, apesar de tentativas no intuito de agradar os clientes.
Uma boa lembrança é que o estado de Santa Catarina
não possui profissionais de comunicação/marketing
especializados em prestar assessoria para a área de Saúde,
o quê indica um novo campo de atuação para
os mesmos e para Universidades criarem cursos de especialização
interdisciplinares.
A
área da Saúde ainda se comunica de forma precária
com seus consumidores não utilizando teorias e técnicas
de Marketing, sem um planejamento prévio das ações.
Com toda tecnologia e acesso à informação
da última década as relações com os
pacientes continuam acontecendo no mesmo formato só que
com tempo reduzido.
Os
softwares de relacionamento são adquiridos, em um esforço
dispendioso de aproximação, porém não
há material humano habilitado para analisar os dados e
gerar projetos de mudança. Os profissionais não
recebem o retorno deste investimento. E pior, originam expectativas
nos clientes que não poderão ser satisfeitas.
Apesar
da consciência de que o relacionamento humano é um
diferencial para aquisição de consumidores de serviços,
tudo continua igual. Uma observação das atuais condições
do país - Saúde, Educação, Cultura
e Economia - deveria mudar as estratégias. Pois, a expectativa
de vida tem aumentado consideravelmente, assim a maior idade se
tornou um nicho de trabalho, bem como crianças e adolescentes
que com o ritmo agitado de seus pais, ou na falta deles gerada
pela violência, assumem a responsabilidade de cuidar dos
familiares.
O
apresentado acima em ampla escala demonstra a necessidade de parceria
com grupos/redes de apoio, pois não se lida apenas com
o paciente mais com seus familiares em geral. É a responsabilidade
em relação à comunidade, a responsabilidade
social que está extremamente destacada na área comercial,
porém não atingiu os serviços.
O
marketing de relacionamento, tão disseminado nas áreas
de Administração/Comunicação/Marketing,
continua uma incógnita para a Saúde. No momento
que começar a ser empregado dará um novo direcionamento
às relações, tratamentos e sensações
dos atuais clientes destes serviços, despertando a consciência
de consumidores e disponibilizadores. Que seja bem-vinda a Era
da Individualização/Personalização.
Assim,
pode-se apontar como primeiras ações: publicação
de artigos e livros que disseminem as questões levantadas;
inserção de disciplinas de Comunicação/Marketing
na área de Saúde; Cursos de especialização
que trabalhem a interdisciplinaridade; cursos de especialização
em gestão da comunicação para organizações
de saúde; revisão da atuação de profissionais
de marketing/comunicação em organizações
ligadas à Saúde (Clínicas, Hospitais, Consultórios,
Grupos/Redes de Apoio, Conselhos); preparo para assessoria às
habilitações/especialidades da saúde; divulgação
em periódicos e sites direcionados para estes disponibilizadores
de serviços; estudos que revejam as aplicações
de softwares na área, bem como a interatividade na rede;
e, pesquisa-ação do relacionamento profissional
da saúde-paciente.
6.
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Danielle Maestri
Especialista em Marketing e Propaganda (UNIVALI), Bacharel
em Comunicação Social - habilitação
em Relações Públicas (UNIVALI).
João Carissimi
Mestre em Comunicação e Informação
(UFGRS), Bacharel em Comunicação Social - habilitação
em Relações Públicas (UCS), Especialista
em Marketing (PUCRS), Especialista em Administração
em Propaganda e Publicidade e Relações Públicas
(PUCRS), Professor e pesquisador no curso de Comunicação
Social - habilitação em Relações Públicas
da Universidade do Vale do Itajaí, Professor no curso de
Especialização em Gestão em Comunicação
Empresarial (UNIVALI).
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