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Fumo
e álcool: por que a mídia não joga duro com
eles?
A
constatação é triste: a mídia tem
sido, quase sempre, cúmplice da indústria tagabista
e de bebidas alcoólicas, exaltando os seus lançamentos
ou fazendo a apologia de seu marketing cínico, que identifica
meras ações mercadológicas como programas
de responsabilidade social.
Falta,
infelizmente, à imprensa brasileira espírito crítico,
quando se trata de divulgar produtos que lesam a sociedade, sobretudo
quando as mensagens que os promovem insistem em mascarar ou omitir
seus efeitos colaterais nocivos , respaldados por milionárias
campanhas publicitárias, geralmente destinadas ao público
jovem.
No
caso da indústria tabagista, cerceada pela legislação,
outras alternativas têm sido empreendidas, como o patrocínio
de shows musicais ou espetáculos esportivos, com o objetivo
explicito de angariar novos usuários e manter a fidelidade
daqueles que já foram seduzidos por suas mensagens (subliminares
ou não) que associam o cigarro a sucesso ou bem estar.
Enquanto isso, milhões de pessoas morrem anualmente em
todo o mundo e os serviços públicos de saúde
são onerados brutalmente pelas doenças causadas
pelo tabaco.
Para
a indústria de bebidas alcoólicas, a imprensa e
o Governo têm sido irresponsavelmente tolerantes. Apesar
de iniciativas no sentido de restringir a propaganda destes produtos,
eles ocupam o horário nobre da TV e, em ano de Copa do
Mundo, disputam as celebridades com o objetivo de aumentar os
seus lucros, já exorbitantes. Pouco importa, como sabemos,
se o que prevalece é a chamada "ética do Zeca
Pagodinho", já que, na verdade, de há muito
o cinismo vigora na comunicação do setor. No caso
da TV, fica fácil perceber o interesse das emissoras, já
que particularmente as fabricantes de cervejas são grandes
anunciantes e, a exemplo do que aconteceu com o cigarro, os veículos,
nesta hora, estão mais preocupados com os seus bolsos do
que com a saúde dos cidadãos.
O
que fica mais difícil entender é porque a adesão,
sem espírito crítico, a estes segmentos também
ocorre nas seções editoriais dos principais jornais
do País, portanto fora do universo (nesse caso contaminado)
da Propaganda. Matérias tipo monofonte (apenas uma fonte
da indústria é ouvida, sem qualquer contestação)
são publicadas com frequência, contribuindo para
reforçar o marketing agressivo dos produtos.
A
imprensa brasileira permanece refém dos grandes interesses,
pela falta de conscientização e espírito
cívico de seus empresários e profissionais, deixando
de cumprir à risca o papel que dela se espera, particularmente
no campo da educação para a saúde. A mesma
situação se repete na cobertura da indústria
farmacêutica e da indústria agroquímica e,
mais recentemente, da indústria da biotecnologia, com lobbies
poderosos buscando a todo custo manipular a opinião pública.
Está
na hora de abrir o olho. A sociedade exige vigilância ética
e compromisso.
O Editor
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