Volume 2
Número 3

20 de dezembro de 2005
 
 * Edição atual    

          Comendo mal, informando pior

          Pautada pelos grandes interesses, a mídia tem se ocupado, muitas vezes, de temas distantes, ainda que jornalisticamente relevantes, como a gripe aviária ou a febre aftosa, esquecendo-se de lidar com os problemas do dia-a-dia dos brasileiros.

          Pesquisas realizadas por universidades brasileiras ou pela ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária têm evidenciado, ao longo do tempo, a qualidade precária dos alimentos que são consumidos pela população, seja pelas condições inadequadas de conservação e de manipulação (como ocorre na maioria dos restaurantes e bares do País), seja pela incidência alarmante de agrotóxicos, resultado da falta de conscientização dos produtores e da ação agressiva de representantes da indústria agroquímica.

          A rotulagem de transgênicos, uma exigência legal, continua sendo negligenciada pelos órgãos de fiscalização, e a entrada de produtos transgênicos contrabandeados se acelera no sul do País, numa tentativa afrontosa de desrespeito à ordem vigente. Repete-se, agora, com o milho, o que já ocorreu com a soja, o que, certamente, favorece empresas multinacionais, como a Monsanto, que vê facilitado o seu intento de fazer-nos engolir os seus produtos e de faturar royalties com a sua malfadada (cuidado com o glifosato!) e lucrativa tecnologia "round-up".

          A estrutura governamental é deficiente e a repressão é frouxa, o que estimula empresas e comerciantes inescrupulosos a insistirem neste processo nocivo de degradação da saúde dos brasileiros. Além disso, as estatísticas não registram, adequadamente, os casos de contaminações alimentares, o que contribui para mascarar o problema , absolutamente sério.

          O Governo precisa urgentemente definir uma política de segurança alimentar e passar do discurso à prática, garantindo a todos nós alimentos mais saudáveis.

          O consumidor, evidentemente, precisa também fazer a sua parte, buscando denunciar os abusos, informando-se adequadamente e cobrando das autoridades ações enérgicas para minorar esta situação.

          A qualidade de vida está associada à qualidade dos alimentos que ingerimos e da água que bebemos e, portanto, é fundamental que o acesso a produtos saudáveis seja garantido a todos.

          A mídia (ah, a mídia!) bem que poderia colaborar mais, pautando esta temática, exercitando a sua capacidade investigativa (que anda meio em baixa) e contribuindo, decisivamente, para o processo global de educação para a saúde. Se ela agisse assim, não continuaria, por exemplo, fazendo a apologia do "sanduba matador" do McDonald´s, ícone de uma infância e juventude obesas e doentes. Será pedir muito?

 

 
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