|

Comendo
mal, informando pior
Pautada
pelos grandes interesses, a mídia tem se ocupado, muitas
vezes, de temas distantes, ainda que jornalisticamente relevantes,
como a gripe aviária ou a febre aftosa, esquecendo-se de
lidar com os problemas do dia-a-dia dos brasileiros.
Pesquisas
realizadas por universidades brasileiras ou pela ANVISA - Agência
Nacional de Vigilância Sanitária têm evidenciado,
ao longo do tempo, a qualidade precária dos alimentos que
são consumidos pela população, seja pelas
condições inadequadas de conservação
e de manipulação (como ocorre na maioria dos restaurantes
e bares do País), seja pela incidência alarmante
de agrotóxicos, resultado da falta de conscientização
dos produtores e da ação agressiva de representantes
da indústria agroquímica.
A
rotulagem de transgênicos, uma exigência legal, continua
sendo negligenciada pelos órgãos de fiscalização,
e a entrada de produtos transgênicos contrabandeados se
acelera no sul do País, numa tentativa afrontosa de desrespeito
à ordem vigente. Repete-se, agora, com o milho, o que já
ocorreu com a soja, o que, certamente, favorece empresas multinacionais,
como a Monsanto, que vê facilitado o seu intento de fazer-nos
engolir os seus produtos e de faturar royalties com a sua malfadada
(cuidado com o glifosato!) e lucrativa tecnologia "round-up".
A
estrutura governamental é deficiente e a repressão
é frouxa, o que estimula empresas e comerciantes inescrupulosos
a insistirem neste processo nocivo de degradação
da saúde dos brasileiros. Além disso, as estatísticas
não registram, adequadamente, os casos de contaminações
alimentares, o que contribui para mascarar o problema , absolutamente
sério.
O
Governo precisa urgentemente definir uma política de segurança
alimentar e passar do discurso à prática, garantindo
a todos nós alimentos mais saudáveis.
O
consumidor, evidentemente, precisa também fazer a sua parte,
buscando denunciar os abusos, informando-se adequadamente e cobrando
das autoridades ações enérgicas para minorar
esta situação.
A
qualidade de vida está associada à qualidade dos
alimentos que ingerimos e da água que bebemos e, portanto,
é fundamental que o acesso a produtos saudáveis
seja garantido a todos.
A
mídia (ah, a mídia!) bem que poderia colaborar mais,
pautando esta temática, exercitando a sua capacidade investigativa
(que anda meio em baixa) e contribuindo, decisivamente, para o
processo global de educação para a saúde.
Se ela agisse assim, não continuaria, por exemplo, fazendo
a apologia do "sanduba matador" do McDonald´s,
ícone de uma infância e juventude obesas e doentes.
Será pedir muito?
|