
"VIVA
- Qualidade de Vida deve ser sua prioridade - campanha e pesquisa
desenvolvidas com funcionários de uma indústria
calçadista"
Sonia Aparecida Cabestré*
Henrique Martins de Souza Barros, Jakeline Temporim Gimenes,
Thaís Bertoldi Verdinelli eVivian Boza Hernandez*
Resumo
Com
o objetivo de despertar o interesse de dirigentes e funcionários
e difundir informações abordando questões
de qualidade de vida e obesidade realizou-se campanha e pesquisa
junto aos colaboradores de uma empresa do setor calçadista
da cidade de Jaú/SP. As ações programadas
foram desenvolvidas em duas etapas: a primeira esteve voltada
para a realização de palestras sobre nutrição,
ergonomia, elaboração de boletins sobre qualidade
de vida, obesidade e ergonomia, ginástica laboral e degustação
de um cardápio especialmente preparado para os funcionários.
Na segunda etapa desenvolveu-se pesquisa amostral com o intuito
de avaliar e identificar as expectativas e perspectivas futuras
dos participantes da campanha. Os resultados demonstram que o
tema trabalhado é muito importante para o atual contexto
de mercado que a sociedade está vivenciando e tem intima
relação com as práticas de competitividade
e produtividade do cotidiano empresarial.
Palavras-chave: qualidade de vida; competitividade; comunicação;
relacionamento interpessoal; saúde no trabalho.
Introdução
Com
o propósito de trabalhar a temática "Qualidade
de Vida e Obesidade" no âmbito de uma empresa
do segmento calçadista feminino da cidade de Jaú,
a Daleph Calçados, elaborou-se um projeto destacando-se
o desenvolvimento de duas ações - uma campanha abordando
o referido tema, direcionada aos funcionários e a aplicação
de uma pesquisa utilizando a metodologia quantitativa para avaliar
as ações empreendidas.
O
projeto, de autoria dos acadêmicos, foi elaborado na disciplina
"Planejamento em Relações Públicas I",
sob orientação da professora responsável.
Dessa maneira, a partir da escolha do tema, iniciou-se o processo
de definição da organização beneficiária
das ações, ao mesmo tempo em que efetuou-se levantamento
de informações na literatura e em documentos eletrônicos
e também planejou-se as ações relativas à
campanha e pesquisa, considerando os aspectos culturais e o repertório
dos beneficiários.
Levando-se
em conta o exposto, este artigo apresenta os principais aspectos
das ações desenvolvidas na empresa e também
destaca os fundamentos teóricos que têm intima relação
com o tema. Levantar informações, analisar as questões
referentes à qualidade de vida no ambiente de trabalho
e realizar ações no âmbito organizacional,
é o objetivo principal deste estudo.
Apresenta-se
na seqüência os fundamentos teóricos,
o planejamento e os resultados da campanha e pesquisa desenvolvidas
com os funcionários da Daleph Calçados.
I
- Fundamentos teóricos pertinentes ao estudo
1.1 Papel social do profissional de Relações
Públicas
Para apresentar os principais aspectos do papel social pertinente
ao profissional de Relações Públicas, de
relevante importância para a área, tomamos como base
os estudos realizados por Regina Célia Escudero César
e Cicília Maria Krohling Peruzzo.
Para
Escudero Cesar (1999, p.1), a teoria das Relações
Públicas é fortemente influenciada por conceitos
metodológicos positivistas e funcionais. Desde suas primeiras
elaborações busca-se legitimar e preservar o sistema
vigente, seja estando ao lado de fortes estruturas empresariais
isoladamente, seja dentro do contexto macrossocial.
De
acordo com a autora, na atualidade, a "preocupação
social" anunciada por todo lado do país, força
o profissional de Relações Públicas a adotar
posturas diferentes daquelas praticadas por Ivy Lee, que é
considerado o primeiro profissional de relacionamento com os públicos
pela literatura da área, e que no trato com a opinião
pública foi irresponsável e desumano. É conhecido
por todos estudiosos o "final feliz" dado por Lee a
um triste capítulo da história desta profissão.
Desviou-se a atenção da opinião pública
com doações de Rockfeller a casas assistenciais
e outros fins também filantrópicos, ficando as marcas
da violência contra os funcionários e o impasse criado
pela greve sem nenhuma solução. As demissões
foram em massa, sem que tal agravante social fosse sequer questionado
pela opinião pública, uma vez que esta encontrava-se
criticamente adormecida pelas mensagens e atos "generosos"
de Rockefeller.
Escudero
César (1999, p.1) também ressalta que, hoje esta
opção ideológica das Relações
Públicas pelo capital tenta ser escamoteada em seus princípios
teóricos. Historicamente, a sua teoria teve como base de
sustentação o funcionalismo, estreitamente vinculado
com o desenvolvimento capitalista. Entretanto, devido às
recentes exigências de posturas sociais mais engajadas do
profissional, este posicionamento tem se tornado menos explícito,
formulando-se discursos voltados à qualidade de
vida do homem em sua comunidade.
A
força das Relações Públicas, conforme
destaca Escudero Cesar, é ainda pautada na criação
de imagens através da promoção de eventos
e apoios institucionais a determinadas campanhas, até mesmo
sociais. O que se questiona nestes apoios é sua capacidade
de reverter o quadro social e criar, verdadeiramente, públicos
capazes de corresponder às belas definições
de Relações Públicas. Para a autora, é
nítida a existência de compromissos fortes com a
preservação da situação social existente,
mas há também uma prática que, aqui e acolá,
vem subvertendo esta visão fragmentada da sociedade. É
justamente aí que se encontra uma demonstração
clara de um caso isolado onde a prática social, marcada
pelo dinamismo, acabou por superar uma teoria, estagnada no tempo
e por isto incapaz de criar um novo espaço social. Trata-se
de caso raro dentro da relação teoria e prática,
onde, em geral, a primeira é vanguarda em relação
à segunda.
Dentro
do contexto apresentado por Escudero César (1999), destaca-se
o seguinte posicionamento:
Até
mais ou menos dez anos relações públicas
eram concebidas teoricamente e praticadas majoritariamente enquanto
um instrumental a serviço do capital, dos governos e da
hegemonia das classes dominantes. Mas, a sociedade é dinâmica
e, acompanhando as mudanças que vêm ocorrendo no
interior da sociedade brasileira, às relações
públicas também chegou a vez de deixarem se mudar.
Hoje, teórica e pratica-mente, é possível
falar de relações públicas populares, ou
comunitárias, orgânicas às classes subalternas.
Ou seja, de um trabalho de relações públicas
comprometido com os interesses dos segmentos sociais subalternos
organizados ou, num sentido mais amplo, com o interesse público.
(PERUZZO, 1993, p.125; apud ESCUDERO CESAR, 1999).
Entretanto,
segundo a pesquisadora, a maioria das produções
científicas existentes constituem-se em relatos de casos
práticos, o que dificulta sua extrapolação
a outras realidades. São fórmulas prontas que só
cabem dentro de padrões determinados. Não há
no relato destes casos uma problematização prévia
da realidade, somente a demonstração das técnicas
utilizadas para a criação do case.
Escudero
César (1999) reforça a idéia de que a comunicação
comunitária é uma disciplina que vem sendo estudada
e explorada pelos pesquisadores da área no Brasil, desde
meados dos anos oitenta. É recente, portanto, sua existência
científica. Entretanto, já é madura como
prática em favor da cidadania da população
oprimida e de seus movimentos sociais. Nos anos setenta, marcados
pela grande repressão política, a comunicação
comunitária esteve presente articulando estes grupos e
criando meios alternativos de comunicação como os
populares. Encabeçada por intelectuais orgânicos
às classes com menores condições de organização
e comprometidos com as transformações sociais e
políticas, esta prática comunitária auxiliou
os movimentos sociais, dando-lhes nova forma e contorno na sua
relação com a sociedade e na sua resistência
às forças opressoras.
Com
base no exposto, é importante enfatizar, segundo a estudiosa,
que poucas foram as experiências registradas que poderiam
ser utilizadas como referência histórica, a não
ser a experiência de Regina Festa, que desde a década
de 80 é conhecida como uma pesquisadora da comunicação
alternativa e popular. Os anos setenta, de acordo com Regina Festa,
foram um processo de aprendizagem recíproco e dialético
entre os intelectuais orgânicos às classes dominadas
e seus participantes, apesar de todo o verticalismo que persistiu
em muitas experiências. Para Regina Festa, foi uma época
em que "muito se dizia e pouco se comunicava por todo o País"
(FESTA, 1984, p.68; apud ESCUDERO CESAR, 1999, p.4).
Escudero
Cesar também destaca que, nos anos oitenta e noventa é
que são expressados os estudos existentes neste sentido,
dentre os quais é referência a sua dissertação
de mestrado defendida na Universidade Metodista de São
Paulo, cujo título é Relações públicas
comunitárias: uma exigência da sociedade civil brasileira.
Tomando
como experiência o seu estudo, a pesquisadora ainda propõe
o engajamento do profissional de Relações Públicas
na dinâmica social e a reformulação do enfoque
teórico que orienta sua atuação, a fim de
acompanhar as exigências e transformações
ocorridas na sociedade civil brasileira.
Para
essa estudiosa, a comunicação é um processo
de troca entre emissores e receptores, a fim de que as informações
sejam repassadas de forma acessível às partes envolvidas
no processo. Sem comunicação social as informações
não têm seu valor de troca e nem beneficiam na melhoria
da qualidade de vida do cidadão. Não têm,
portanto, seu valor social. Uma vez que a comunicação
é troca, o saber não pode restringir-se a um só
pólo do processo, há que existir o intercâmbio
de informações e o crescimento mútuo.
Escudero
César (1999) complementa seu posicionamento e ressalta:
as Relações Públicas comunitárias
apontam para a necessidade de uma revolução na práxis
deste profissional, ou seja, algo que signifique o seu engajamento
na realidade, buscando a superação de seus conflitos
através da comunicação. Para a autora, mais
do que uma atividade desenvolvida em bairros periféricos,
no sentido popular do termo, as Relações Públicas
comunitárias significam uma proposta metodológica
onde o profissional passa a conceber a sociedade sob a ótica
dialética, procurando a sua transformação.
Destaca também, que a teoria das Relações
Públicas é fortemente influenciada por conceitos
metodológicos positivistas e funcionais. Desde suas primeiras
elaborações, busca-se legitimar e preservar o sistema
vigente, seja estando ao lado de fortes estruturas empresariais
isoladamente, seja dentro do contexto macrossocial. Mais do que
uma atividade desenvolvida em bairros periféricos, no sentido
popular do termo, as Relações Públicas comunitárias
significam uma proposta metodológica onde o profissional
passa a conceber a sociedade sob a ótica dialética,
procurando a sua transformação (p.4-5).
Em
seu estudo, Escudero César (1999, p. 5) também ressalta
o seguinte: longe de propor uma revolução ou "luta
armada", as Relações Públicas comunitárias
buscam o estabelecimento de canais mais verdadeiros de integração,
onde o público seja realmente cidadão da comunicação.
É fundamental para o Relações Públicas
que ele se posicione como sujeito da história a serviço
do coletivo e não como agente de criação
de projetos para atender a fins individuais.
1.2
Relações Públicas Comunitárias e Relações
Públicas com a Comunidade
Peruzzo
(1999) aponta diferenças significativas entre Relações
Públicas Comunitárias e Relações Públicas
com a Comunidade. Para a autora, Relações Públicas
Comunitárias dizem respeito às ações
que se estabelecem no âmbito das associações
e organizações comunitárias, das Organizações
Não Governamentais, organizações sem objetivos
lucrativos. Relações Públicas com a Comunidade
caracterizam-se como as relações que as instituições
privadas ou públicas, estabelecem com um dos seus públicos,
denominado "comunidade" (p.3).
Para a pesquisadora, sob a ótica das Relações
Públicas, comunidade é considerada como um dos públicos
das organizações, ao lado de vários outros
tais como os empregados, a imprensa, os fornecedores, os consumidores
etc. Ressalta também que, pensadores, cujos estudos sobre
comunidade são tidos como clássicos, apontam, cada
um à sua vez, características bastante rigorosas
para que determinado agrupamento social seja tomado como "comunidade",
muito embora não haja consenso entre os cientistas sociais
quanto à natureza de "comunidade".
Em
seu estudo Peruzzo ( 1999, p. 5), seleciona duas definições
de comunidade como forma de demonstrar alguns dos elementos característicos
nos referidos conceitos:
Uma comunidade humana é um agregado de pessoas funcionalmente
relacionadas que vivem numa determinada localização
geográfica, em determinada época, partilham de uma
cultura comum, estão inseridas numa estrutura social e
revelam uma consciência de sua singularidade e identidade
distinta como grupo. (Mercer, 1986, p.229, apud Peruzzo).
Já
Para MacIver ; Page (1973, p.122) comunidade existe
onde
quer que os membros de qualquer grupo, pequeno ou grande, vivam
juntos de tal modo que partilham, não deste ou daquele
interesse, mas das condições básicas de uma
vida em comum.(...) O que caracteriza comunidade é que
a vida de alguém pode ser totalmente vivida dentro dela
e todas as suas relações sociais podem ser encontradas
dentro dela. ...(apud PERUZZO,1999, p.5).
A
pesquisadora (1999, p. 5 -9) ainda esclarece que, de acordo com
tais definições, além de agregar outras dimensões
de comunidade de outros autores, pode-se inferir que a existência
de uma comunidade, numa visão de conjunto, pressupõe
a existência de determinadas condições básicas,
tais como um processo de relacionamento e interação
intenso entre os seus membros, auto-suficiência (todas as
relações sociais podem ser satisfeitas dentro da
comunidade), cultura comum, objetivos comuns, identidade natural
e espontânea entre os interesses de seus membros, consciência
de suas singularidades identificativas e participação
ativa de seus membros na vida da comunidade. Desse modo, afirma
que pensar e planejar as atividades de Relações
Públicas junto à chamada "comunidade"
implica levar em conta as diferenças, as expectativas,
as demandas, o comportamento de cada segmento, bem como as perspectivas
futuras e os objetivos da própria instituição.
Peruzzo
também destaca em seu estudo as principais diretrizes de
um trabalho comunitário, elencadas por Maria Aparecida
de Paula e Ana Luísa C. Almeida , resultado da experiência
junto à Alcan Alumínio do Brasil e Andrade Gutierrez,
ambas em Minas Gerais, uma vez que traduzem o espírito
que deve orientar um trabalho de Relações Públicas
com a comunidade:
Partir da ótica das pessoas
a. Considerar e respeitar a ótica
do público atingido.
b. Tornar comuns conceitos, entendimentos e experiências.
c. Manter o diálogo com o público, sabendo ouvir
anseios e reclamações.
d. Nunca ignorar ou minimizar problemas reais causados às
pessoas decorrentes da interferência da empresa
Intencionalidade
O programa só deve ser iniciado se for decisão política
dos empreendedores e houver o comprometimento por parte deles.
Agilidade
Agir com rapidez e senso de oportunidade no retorno às
reivindicações evitando rumores e mal-entendidos.
Continuidade e permanência
Programas não devem ser interrompidos para não perderem
a credibilidade. A relação com as pessoas é
direta e cotidiana, evitando ações isoladas.
Unidade e tratamento personalizado
A abordagem de comunicação deve ter um eixo que
lhe assegure unidade, além de sintonia com a ótica
da comunidade, além de dispensar tratamento diferenciado
aos grupos procurando tratar caso a caso (PAULA ; ALMEIDA, 1998,
p.218-219, apud PERUZZO, 1999, p. 15).
Para a estudiosa, as Relações Públicas em
interação com a comunidade nos novos tempos, implicam
um redirecionamento metodológico. Muda a metodologia de
trabalho porque muda o sentido da ação. A lógica
da ação unidirecional, autoritária e de cunho
propagandístico passa a não ser mais adequada nem
aceita pelos públicos (1999, p.16).
Daí,
a importância e necessidade dos dirigentes dos Cursos de
Relações Públicas incentivarem o corpo docente
e discente a direcionarem esforços para a elaboração
e efetivação de projetos sociais que beneficiem
os diferentes setores da sociedade. No caso específico
deste estudo, optou-se por trabalhar ações de qualidade
de vida no ambiente de trabalho pela importância e relevância
do tema.
1.3
Contextualizando os principais aspectos inerentes à qualidade
de vida
O mundo atual, apesar da tecnologia ter facilitado a vida das
pessoas, também tornou-as mais sedentárias. Modo
geral, as pessoas, independente dos avanços e possibilidades
que a tecnologia oferece, são seres ativos e necessitam
de movimento para o seu bem-estar geral.
Além do sedentarismo, a exposição às
agressões sofridas diariamente, é outro fator que
pode atuar de forma negativa na qualidade de vida das pessoas.
Sobre
esse tema Moretti (2005, p. 1) destaca, de acordo com informações
disponibilizadas no site http://www.icpg.com.br/artigos/rev03-12.pdf
que:
o
ser humano traz consigo sentimentos, ambições; cria
expectativas, envolve-se, busca o crescimento dentro daquilo que
desenvolve e realiza. Então, é preciso que deixemos
de lado aquela idéia de que o homem trabalha tão
somente para a obtenção do salário, que nega
seus sentimentos, que não se frustra com a falta de crescimento,
que não se aborrece com o total descaso dos seus gestores
que apenas lhe cobram a tarefa e não o orientam para a
real situação da empresa, que lhe negam o acesso
às informações, que o tratam apenas como
uma peça a mais no processo de produção.
É necessário que saibamos que, cada vez que ele
entra na empresa, está entrando um "ser" integrado
e indivisível, com direito a todos os sonhos de auto-estima
e auto-realização.
Nesse
sentido, os dirigentes das organizações sociais
devem favorecer o desenvolvimento de um perfil humano de acordo
com os padrões modernos, o que significa direcionar ações
em busca da construção de alicerces condizentes
com os fundamentos de uma organização inteligente
e inovadora. Moretti ainda ressalta que "respeitar o trabalhador
como ser humano significa contribuir para a construção
de um mundo mais humano e para um desenvolvimento sustentável"
(2005, p. 2).
Para
o autor, a qualidade de vida no trabalho pode ser definida como
uma forma de pensamento envolvendo pessoas, trabalho e organizações,
onde se destacam dois aspectos importantes: a preocupação
com o bem-estar do trabalhador e com a eficácia organizacional;
e a participação dos trabalhadores nas decisões
e problemas do trabalho.
Moretti (2005, p.3) também afirma:
a origem do movimento de qualidade de vida no trabalho remonta
à década de 1950, com o surgimento da abordagem
sócio-técnica. Somente na década de 60, tomaram
impulsos iniciativas de cientistas sociais, líderes sindicais,
empresários e governantes, na busca de melhores formas
de organizar o trabalho a fim de minimizar só efeitos negativos
do emprego na saúde e bem estar geral dos trabalhadores.
Entretanto, a expressão qualidade de vida no trabalho só
foi introduzida, publicamente, no início da década
de 70, pelo professor Louis Davis (UCLA, Los Angeles), ampliando
o seu trabalho sobre o projeto de delineamento de cargos.
Assim,
na década de 70, mais especificamente nos EUA, surge um
movimento pela qualidade de vida no trabalho, motivado pela competitividade
internacional e necessidade de implementar estilos e técnicas
gerenciais preconizados pela filosofia japonesa. À época,
tais pressupostos levavam em conta a importância de desenvolver
estratégias empresariais que considerassem a integração
dos interesses dos empregados e empregadores, com o intuito de
minimizar os conflitos. Nas estratégias de congruência
de interesses entre as partes, destaca-se a utilização
de ações de motivação embasadas nos
trabalhos de autores da escola de Relações Humanas,
como Maslow, Herzberg e outros (MORETTI, 2005, p.3).
A
partir da década de 90, as modernas organizações
adotam em seu cotidiano o desenvolvimento de programas específicos
para trabalhar o relacionamento interpessoal, necessário
e importante para a obtenção de condições
ideais de trabalho. Somado a isso, as estruturas e equipamentos
que compõem o ambiente de trabalho devem levar em conta
os princípios estabelecidos pela ergonomia - são
condições que proporcionam ao trabalhador vivenciar
ambientes saudáveis. Isso gera satisfação
e alavanca a produtividade, o que coloca, modo geral, as organizações
em posição de destaque.
Com
base nos pressupostos destacados, apresenta-se a seguir o planejamento,
as ações desenvolvidas na campanha e os resultados
da pesquisa efetivada na Empresa Daleph.
II
- Planejamento e Relatório da Campanha e Pesquisa
2.1 Planejamento da Campanha: VIVA! QUALIDADE DE VIDA DEVE
SER SUA PRIORIDADE.
2.1.1
Justificativa
Com
a epidemia de produtos enlatados e congelados, somados à
ociosidade relativa à urbanização, a obesidade
está se tornando uma doença crescente na população
brasileira, provocando cerca de oitenta mil mortes por ano no
Brasil, segundo consta no site http://ram.uol.com.br/materia.asp?id=367
.
A
obesidade é uma doença, em sua maioria, proveniente
da falta de atividade física. Desde criança somos
educados a ser sedentários. As novas tecnologias lançadas
nas últimas décadas como televisão, computador,
internet, exigem cada vez menos movimentação e gasto
de energia.
A
alimentação inadequada é a outra principal
causa da obesidade. A tradicional dieta brasileira do arroz, feijão
e "mistura", que é nutricionalmente saudável,
está sendo substituída por alimentos mais rápidos
e fáceis de preparar, que são, no entanto, mais
calóricos e menos saudáveis.
A
proposta de realizar campanha e pesquisa em prol da qualidade
de vida dentro de uma organização empresarial tem
o propósito de demonstrar a utilização de
instrumentos de Relações Públicas a serviço
de questões de interesse social. Destaca-se nesse sentido,
o papel social do Relações Públicas. Segundo
Studt:
O
profissional de relações públicas também
tem a tarefa de organizar cursos, palestras, conferências,
reuniões, seminário, etc, cujo objetivo será
manter o público interno ciente da realidade vigente e
demonstrando sua importância no desenvolvimento e na visibilidade
favorável da organização para com os públicos
externos. Cabe também ao profissional de relações
públicas diagnosticar quais os meios e veículos
mais eficazes para a distribuição de informações
internas, sejam eles: jornal, mural, boletins, circulares, revistas,
memorandos, ofícios, manuais, cartazes, caixa de sugestões,
teasers, jornais de mesa, relatório público anual
etc (2005, p.2 ).
Com
ações como organização de palestras,
criação e distribuição de panfletos
informativos, introdução da ginástica laboral,
e a elaboração e degustação de um
cardápio balanceado, procurou-se despertar o interesse
dos colaboradores para questões relativas à qualidade
de vida (no trabalho e fora dele), obesidade e saúde.
Com
hábitos mais saudáveis, não há dúvidas
de que as pessoas trabalharão mais dispostas, o que trará
melhorias tanto em produtividade como ao ambiente organizacional.
2.1.2
Públicos envolvidos
Beneficiários
A
campanha abrangerá todos os setores da Daleph, indústria
de calçados femininos na cidade de Jaú. Desde a
área administrativa até o chão de fábrica,
procuraremos atingir todos os colaboradores.
Apoiadores Culturais
Secretaria da Saúde de Jaú
Planos de Saúde
Restaurantes
Supermercados
Academia de ginástica
2.1.3
Objetivos
Geral
Desenvolver
uma campanha de caráter social abordando temas como obesidade
e qualidade de vida junto a todos os setores da Daleph Calçados.
Específicos
Despertar
o interesse dos colaboradores para questões relativas à
qualidade de vida, saúde e obesidade;
Mostrar
aos funcionários a importância de fazer uma alimentação
balanceada;
Discutir
como a obesidade influencia na qualidade de vida;
Contatar
profissionais para realização de exercícios
no ambiente de trabalho.
2.1.4
Estratégias
Agendamento
de reuniões do grupo
Definição
dos instrumentos de comunicação
Busca
de apoiadores
Criação
e produção dos instrumentos de comunicação
Divulgação
da campanha
Palestra
e introdução da ginástica laboral
Degustação
do cardápio
Avaliação
(pesquisa)

2.2
Relatório da Campanha
Para realização da campanha "VIVA!Qualidade
de vida deve ser sua prioridade", foi necessário
um planejamento detalhado e bem estruturado.
O
grupo contou com a colaboração da Daleph Calçados,
situada em Jaú (SP), que permitiu a realização
das atividades propostas com os seus respectivos colaboradores.
A
campanha foi realizada no período de uma semana (09/05
a 13/05) com uma diversidade de atividades, onde profissionais
da área enriqueceram com informações, por
meio de palestras sobre temas que tinham íntima relação
com o proposto.
Para
dar embasamento à campanha foram definidos e elaborados
instrumentos de comunicação, que foram distribuídos
aos colaboradores da organização, com o objetivo
de informar e despertar interesse sobre o tema.
Dessa
maneira, apresentam-se a seguir as atividades pertinentes à
preparação e execução da campanha.
2.2.1
Preparação
a
- Folder sobre Ergonomia
Para
a elaboração do folder, utilizou-se como fonte de
consulta um catálogo da empresa Santista Têxtil sobre
Ergonomia. Considerando a importância das informações
contidas no referido catálogo, o grupo contou com a colaboração
de um profissional de informática na tarefa de diagramar
as informações de forma criativa e eficiente.
Após
esse processo, procedeu-se a tiragem de cópia do material
para ser distribuído aos funcionários da empresa
Daleph calcados, por ocasião da palestra sobre Ginástica
Laboral.


b
- Folder sobre Nutrição
Inicialmente
a elaboração do folder sobre nutrição
não estava inclusa no planejamento da campanha; no entanto,
a profissional que realizou a palestra colaborou com o grupo apresentando
informações sobre o tema no formato de um folheto.
Após análise, o grupo considerou importante o conteúdo
face à temática escolhida. Assim foram impressas
cópias do material, que foi distribuído na palestra
sobre nutrição, realizada no dia 12/05.
C -Boletins Informativos
Para
elaboração dos boletins informativos sobre Qualidade
de vida, Ginástica Laboral, Ergonomia, Obesidade e o de
encerramento da campanha, foram utilizadas informações
extraídas da internet, a fim de oferecer objetividade e
fácil recepção por parte dos funcionários.
As informações foram substituídas dia-a-dia.
Em função da programação das atividades,
os boletins foram distribuídos aos colaboradores da Daleph.
Destaca-se, a seguir, os boletins elaborados e disponibilizados
a todos os funcionários.




d
- Cartaz de divulgação
O
cartaz utilizado no primeiro dia para a divulgação
das atividades foi elaborado pelo grupo idealizador. A professora,
orientadora do trabalho, também colaborou com a definição
do slogan, layout e designer.

e
- Carta aos dirigentes da empresa e profissionais colaboradores
Foi necessária a elaboração de carta solicitando
autorização para a realização da campanha:
VIVA! Qualidade de vida deve ser sua prioridade, que contou com
a participação de todos os integrantes do grupo.
Após a respectiva autorização, deu-se início
à efetivação da campanha.
Elaborou-se também carta-convite para encaminhamento aos
profissionais selecionados para a realização das
atividades previstas no planejamento da campanha. A participação
dos profissionais foi fundamental para o sucesso da programação.
f - Vídeo
Em relação à atividade desenvolvida no dia
13/05/2005 foi necessária a utilização de
uma televisão e um vídeo cassete, cedidos por uma
das integrantes do grupo.
O vídeo sobre Qualidade de vida e Ergonomia, apresentado
aos colaboradores da Daleph no dia 13/05, foi cedido por um estagiário
de Relações Públicas da Santista Têxtil,
com a prévia autorização da diretoria.
2.2.2
Execução
a
- Início da campanha
A
campanha teve início na segunda-feira, dia 09/05, com a
fixação de cartazes de divulgação
e cronograma de atividades da semana no mural da empresa. Foi
necessário também transmitir aos facilitadores dos
setores, informações referentes às atividades
a serem desenvolvidas durante a semana, considerando a importância
de informarem o conteúdo das atividades aos demais funcionários
da empresa.


b
- Vídeo sobre Qualidade de Vida e Ergonomia
Para
a terça-feira, dia 10/05, à 12h30, estava programada
a apresentação do vídeo sobre Qualidade de
Vida e Ergonomia. Devido a um problema técnico na fábrica,
os funcionários foram dispensados às 10h, para retornarem
somente no outro dia. Com isso, a apresentação do
vídeo teve que ser transferida para sexta-feira, dia 13/05.
No mural da empresa, foi afixado um boletim informativo sobre
Qualidade de Vida.
c
- Palestra sobre Ginástica Laboral
Na
quarta-feira, dia 11/05, às 6h30, aconteceu uma atividade
de integração, que teve como tema a Ginástica
Laboral. O profissional de Educação Física,
Guilherme Verdinelli, explanou sobre o assunto durante aproximadamente
dez minutos e, logo após, realizou exercícios de
alongamento juntamente com os funcionários. Foi distribuído
um folder sobre ergonomia, com dicas para posturas no dia-a-dia.
No mural foi colocado um informativo sobre Ginástica Laboral
e Ergonomia.


d
- Palestra sobre Nutrição
Na quinta-feira, 12/05, a nutricionista Paula Galvanini realizou
uma palestra sobre Nutrição e Alimentação
Balanceada. Em sua exposição, além de ter
explicado sobre cada tipo de alimento, suas funções
e benefícios, elaborou um cardápio equilibrado de
acordo com as necessidades dos colaboradores. Neste dia foi distribuído
também um folder contendo as informações
transmitidas pela profissional. No mural, foi afixado um boletim
informativo sobre Obesidade.


e
- Encerramento: Vídeo sobre Qualidade de Vida e Degustação
Sexta-feira,
13/05, foi a data de encerramento da campanha. No mural foram
expostas informações sobre as atividades desenvolvidas
durante a semana. Os funcionários também foram informados
sobre a apresentação do vídeo que ocorreria
às 17h e, logo após, a degustação
de uma torta saudável, cuja receita foi elaborada por uma
estudante de Gastronomia.
Durante a degustação foram distribuídos folhetos
contendo a receita da torta, contendo um exemplo de cardápio
balanceado elaborado pela nutricionista.




2.3 Avaliação da Campanha
Após
o desenvolvimento das ações programadas, realizou-se
uma pesquisa com os funcionários da empresa. No processo
de levantamento de informações, optou-se por uma
amostra de 20% do efetivo de funcionários. Utilizou-se,
nesse sentido, os princípios da metodologia quantitativa:
os funcionários foram escolhidos aleatoriamente, respeitando-se
o interesse em participar da pesquisa.
Elaborou-se
um instrumento de coleta de informações contendo
apenas 4 (quatro) questões, considerando que o objetivo
da pesquisa era única e exclusivamente avaliar as atividades
da campanha. Por isso, não foram inseridas questões
referentes ao perfil do respondente, tempo de atuação
na empresa, setor em que trabalha e outros aspectos.
Na seqüência apresentam-se os resultados desse processo.






Pode-se
destacar que as atividades desenvolvidas durante a campanha possibilitaram
aos pesquisados refletir e adotar novas posturas em busca de melhorias,
o que pode trazer como conseqüência, a prática
de hábitos saudáveis. Um semana de discussões
abordando a temática configura-se como um ponto de partida.
As modernas organizações já estão
investindo na qualidade de vida dos seus funcionários,
seja por meio de refeições balanceadas, condições
de trabalho adequadas e intensificação de ações
visando otimizar o relacionamento interpessoal. Ambientes saudáveis
agregam valores inestimáveis às organizações:
o contexto competitivo pressupõe a adoção
desses princípios, que têm íntima relação
com Responsabilidade Social Empresarial.
Considerações
Finais
Pelos
resultados obtidos, pode-se considerar que a campanha foi realizada
com eficácia, pois atingiu os objetivos. Os colaboradores
da empresa demonstraram interesse pelo tema - alguns começaram
de imediato a mudar seus hábitos. Modo geral, passaram
a exercitar caminhada e exercícios antes e depois do trabalho.
Com relação à alimentação,
todos aprovaram a sugestão do grupo e afirmaram que pretendem
colocar em prática. Acredita-se que a maioria desenvolverá
esforços para buscar uma melhor qualidade de vida.
Como
o profissional de Relações Públicas atua
como intermediário na comunicação estabelecida
entre as organizações e seus públicos, é
de extrema importância que direcione suas ações
para a realização de campanhas com os clientes internos,
em especial quando a temática propicia aproximação
da organização esse público.
Essa
dinâmica das Relações Públicas está
inserida no contexto atual, onde a responsabilidade social empresarial
vem sendo cada vez mais valorizada.
Segundo Macedo e Aversa:
O
conceito de Responsabilidade Social Empresarial vem se consolidando
como uma iniciativa interdisciplinar, multidimensional e associada
a uma abordagem sistêmica, focada nas relações
entre os públicos, ligados direta ou indiretamente ao negócio
da empresa. Portanto, é imprescindível a sua incorporação
à orientação estratégica da empresa,
refletida em desafios éticos para as dimensões econômica,
ambiental e social dos negócios.
Sendo
assim, o profissional de Relações Públicas,
cumprindo com seu papel social, está se tornando um agente
fundamental, dentro deste contexto, porque detém as qualidades
necessárias para lidar com a Responsabilidade Social. Além
de ser capaz de gerenciar o relacionamento da empresa com os seus
públicos-alvo, está apto a desenvolver o planejamento
das comunicações, auxiliado pela utilização
de pesquisas qualitativas exploratórias e estudos quantitativos,
na formulação e no controle de estratégias
que visam ao desenvolvimento de habilidades interpessoais, liderança
e trabalho em equipe, formas de canalização da motivação
dos funcionários e de geração de um clima
organizacional positivo, identificado com o envolvimento em ações
voluntárias na comunidade. (2005, p.2)
Campanhas
dessa natureza são muito importantes, pois promovem interação
entre a empresa e seus colaboradores.
O
tema escolhido está em evidência, pois a mídia
trabalha fortemente hoje com o aumento do índice de pessoas
obesas no Brasil.
Com
as ações desenvolvidas na empresa procurou-se estimular
os colaboradores e seus familiares a adquirirem uma vida mais
saudável dentro e fora do ambiente de trabalho.
Referências
CATÁLOGO Santista Têxtil,
SIPAT, 2004.
CESAR, R.C.E. As relações
públicas frente ao desenvolvimento comunitário.
Revista Comunicação e Sociedade. São Bernardo
do Campo: SP, nº 32, p. 87-112, jul./dez., 1999.
MACEDO, Luis Carlos de, AVERSA,
Marcelo B. A contribuição das Relações
Públicas para a criação da empresa-cidadã.
http://www.portal-rp.com.br/bibliotecavirtual/responsabilidadesocial/0134.htm.
Acesso em 6 jun 2005.
MORETTI, Silvinha. Qualidade de
vida no trabalho versus auto-realização humana.
Disponível em http://www.icpg.com.br/artigos/rev03-12.pdf.
Acesso em 20 de ago 2005.
PERUZZO, C.M.K. Relações
públicas com a comunidade: uma agenda para o século
XXI. Comunicação apresentada no GT de Relações
Públicas da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares
- Intercom, no XXII Congresso Brasileiro de Ciências da
Comunicação, realizado no Rio de Janeiro- RJ, em
1999.
STUDT, Mauricio. A ação
social dos Relações Publicas. http://ram.uol.com.br/materia.asp?id=410.
Acesso em 17 mar 2005.
Sites
http://ram.uol.com.br/materia.asp?id=367
. Acesso em 17 mar 2005.
http://emedix.com.br/doe/end001_1h_obesidade.php
Acesso em 25 abr 2005.
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?303
Acesso em 25 abr 2005.
http://saude.terra.com.br/interna/0,,0I134130-EI1729,00.html
Acesso em 25 abr 2005.
www.eps.ufsc.br/ergon/disciplinas/EPS5225/neri/Ergonomia_e_Seguranca_Industrial_aula_1.ppt
Acesso em 25 abr 2005.
http://www.brasgolden.com.br/ergonomia/ergonomia.htm
Acesso em 25 abr 2005.
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Sonia Aparecida Cabestré
Doutora em Educação pela UNESP de Marília,
Professora do Curso de Comunicação Social - Habilitação
em Relações Públicas e do Curso de Pós-Graduação
em Gestão Estratégica em Marketing" da Universidade
do Sagrado Coração (USC) e Coordenadora do Núcleo
de Pesquisa do Terceiro Setor , USC/Bauru/SP.
Henrique Martins de Souza Barros,
Jakeline Temporim Gimenes, Thaís Bertoldi Verdinelli eVivian
Boza Hernandez
São acadêmicos do Curso de Relações
Públicas da USC e idealizadores da campanha.
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